Os 10 maiores bilionários do Brasil em 2026, segundo a Forbes
Eduardo Saverin lidera pelo 4º ano seguido o ranking de bilionários brasileiros da Forbes em 2026. Conheça os 10 nomes, de onde vem cada fortuna e o padrão que conecta a maioria delas.

A Forbes divulgou a 14ª edição do ranking de bilionários brasileiros, e o topo da lista não mudou de dono: Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, segue como o brasileiro mais rico do mundo pelo quarto ano consecutivo. No total, a revista identificou 255 brasileiros com patrimônio acima de R$ 1 bilhão, somando R$ 1,86 trilhão — mais da metade deles (57,25%) viu a fortuna crescer no último ano, enquanto 30,2% registraram queda. Veja quem são os dez maiores, de onde vem cada fortuna e o que esses nomes têm em comum.
Como funciona o ranking da Forbes Brasil
A lista nacional de bilionários da Forbes está na 14ª edição e mede patrimônio líquido estimado — participações em empresas, imóveis, investimentos financeiros e outros ativos, convertidos em reais. Este ano, a edição trouxe cinco novos integrantes ao grupo dos bilionários brasileiros. Entre os 255 nomes listados, a distribuição de desempenho ficou assim: 57,25% ampliaram patrimônio no último ano, 30,2% tiveram queda, e apenas um manteve o valor exatamente estável.

Os 10 maiores bilionários do Brasil em 2026
- Eduardo Saverin — R$ 162,9 bilhões — Meta/Facebook
- Vicky Safra e família — R$ 130,6 bilhões — Banco Safra
- Jorge Paulo Lemann e família — R$ 103,5 bilhões — 3G Capital / AB InBev
- André Esteves — R$ 66,1 bilhões — BTG Pactual
- Fernando Roberto Moreira Salles — R$ 50,3 bilhões — Itaú Unibanco / CBMM
- Pedro Moreira Salles — R$ 46,6 bilhões — Itaú Unibanco
- Max Van Hoegaerden Herrmann Telles — R$ 38,8 bilhões — AB InBev / 3G Capital
- Miguel Krigsner — R$ 35,7 bilhões — Grupo Boticário
- Carlos Alberto Sicupira e família — R$ 35,4 bilhões — AB InBev / 3G Capital
- Ricardo Castellar de Faria — R$ 35,1 bilhões — Granja Faria / Global Eggs
1. Eduardo Saverin — o brasileiro mais rico do mundo pela 4ª vez seguida
Nascido em São Paulo e criado nos Estados Unidos, Saverin se formou em economia em Harvard, onde conheceu Mark Zuckerberg e ajudou a fundar o Facebook em 2004 — episódio retratado no filme “A Rede Social” (2010). A relação com Zuckerberg se deteriorou logo depois, em uma disputa que foi parar na Justiça, mas Saverin manteve sua participação na empresa, hoje Meta Platforms (dona de Facebook, Instagram e WhatsApp). Ele mora em Singapura, segue como acionista minoritário da Meta e também investe em capital de risco. Entrou pela primeira vez na lista da Forbes em 2011 e nunca mais saiu do topo do ranking brasileiro desde 2023.
2. Vicky Safra — a matriarca do maior banco privado familiar do país
Nascida na Grécia e naturalizada brasileira, Vicky Safra tinha 17 anos quando se casou com Joseph Safra, que se tornaria o banqueiro mais rico do mundo. A história da família no Brasil começou em 1953, quando o pai de Joseph se mudou com a família para o país; o Banco Safra se estabeleceu formalmente em 1972. Joseph morreu em 2020, aos 82 anos, e Vicky assumiu a posição de mulher mais rica do Brasil — hoje reparte a administração dos negócios da família entre os filhos Jacob e David.

3. Jorge Paulo Lemann — o pilar mais antigo do trio da 3G Capital
Nascido no Rio de Janeiro em 1939, filho de suíços, Lemann ficou órfão de pai aos 14 anos e se formou em economia em Harvard. Depois de passar por bancos e uma financeira que quebrou em 1966, comprou um título da corretora Garantia no início dos anos 1970 — foi lá que conheceu Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto Sicupira, os outros dois pilares da 3G Capital. O trio passou a investir junto em empresas como Ambev e Lojas Americanas, e mais tarde se tornou acionista da Anheuser-Busch InBev, hoje a maior cervejaria do mundo — dona também da Restaurant Brands International, controladora do Burger King e da rede de cafés Tim Hortons.
4. André Esteves — a reconstrução do banco que ele mesmo fundou
Esteves começou a carreira em 1989 no banco de investimentos Pactual, tornou-se sócio quatro anos depois e, em 2006, viu a instituição ser vendida ao banco suíço UBS por US$ 3,1 bilhões — formando o UBS Pactual, que ele passou a comandar como CEO. Em 2008, deixou o UBS para fundar a BTG Investments; no ano seguinte, a BTG comprou de volta o UBS Pactual, formando o atual BTG Pactual. Também esteve por trás da compra de parte do Banco PanAmericano em 2011, em meio a uma crise de fraude contábil, negociada diretamente com Silvio Santos, fundador da instituição.

5 e 6. Os herdeiros do Itaú: Fernando e Pedro Moreira Salles
Dois dos dez maiores bilionários do Brasil vêm da mesma família bancária. Fernando Roberto Moreira Salles, filho mais velho do banqueiro Walther Moreira Salles, é acionista do Itaú Unibanco via a Companhia E. Johnston de Participações — em 2022, numa reestruturação, ele adquiriu parte das cotas dos irmãos e passou a deter 50% da holding, que possui cerca de 33% das ações do Itaú. A família também controla a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), líder mundial na produção de nióbio. Já Pedro Moreira Salles, formado pela UCLA, é uma das principais figuras do banco desde a fusão entre Unibanco e Itaú em 2008, que criou uma das maiores instituições financeiras da América Latina; hoje também copreside a Cambuhy, gestora de investimentos fundada em 2011.
7 e 9. O restante do trio da 3G: Telles Jr. e Sicupira
Max Van Hoegaerden Herrmann Telles, de 30 anos e radicado em Nova York, é o filho mais novo do bilionário Marcel Herrmann Telles e está assumindo a participação do pai na AB InBev. Carlos Alberto Sicupira, o “Beto” Sicupira, nasceu no Rio de Janeiro em 1948, filho de uma dona de casa e um funcionário do Banco do Brasil — começou a empreender ainda adolescente vendendo carros usados, cursou administração na UFRJ e fez especialização em Harvard. Hoje detém cerca de 3% da AB InBev e, em 2000, criou a Fundação Brava, voltada a projetos de melhoria da gestão pública.
8. Miguel Krigsner — do interior à maior rede de cosméticos do país
Nascido na Bolívia, Krigsner fundou o Grupo Boticário, hoje presente em mais de 50 países, do qual ainda detém cerca de 80% individualmente. Seu cunhado, Artur Grynbaum, entrou na empresa como assistente financeiro e chegou à presidência em 2008; hoje possui cerca de 20% do negócio e atua como vice-presidente do conselho consultivo, enquanto Krigsner preside o colegiado. Em 1990, criou a Fundação Grupo Boticário, dedicada à proteção ambiental, que recebe cerca de 1% do lucro líquido anual do grupo.
10. Ricardo Faria — o “Rei do Ovo” que virou grupo global
Formado em engenharia agronômica, Ricardo Castellar de Faria fundou em 1997 uma lavanderia industrial voltada a hotéis e uniformes — negócio que vendeu quase duas décadas depois para o grupo francês Elis, redirecionando os recursos para a produção de ovos. Em 2018, criou a Global Eggs, grupo que reúne a Granja Faria e do qual detém cerca de 82%, ficando conhecido no agronegócio brasileiro como o “Rei do Ovo”.
O padrão por trás das dez maiores fortunas
Olhando os dez nomes juntos, três agrupamentos aparecem com clareza:
- Bancos: Vicky Safra, André Esteves e os dois irmãos Moreira Salles somam quatro das dez posições — juntos, mais de R$ 293 bilhões ligados ao sistema financeiro privado brasileiro.
- O trio da 3G Capital / AB InBev: Lemann, Telles Jr. e Sicupira somam três posições e mais de R$ 177 bilhões — todos remontam à mesma sociedade formada na corretora Garantia, nos anos 1970. Entenda a história completa da Ambev e do grupo por trás dela.
- Fundadores individuais: Saverin (tecnologia), Krigsner (cosméticos) e Faria (agronegócio) constroem o terço restante da lista, cada um numa fortuna erguida a partir de uma única empresa que ainda controlam.

O que isso ensina sobre acumulação de patrimônio
Um fio conecta boa parte dessas histórias: participação acionária concentrada e mantida por décadas, não giro de curto prazo. Lemann, Telles e Sicupira são sócios desde os anos 1970 — mais de cinco décadas de sociedade que atravessou a falência de uma financeira, a compra da Garantia, a formação da Ambev e a fusão que criou a maior cervejaria do mundo. Saverin manteve sua fatia na Meta por duas décadas, mesmo depois do rompimento pessoal com Zuckerberg, e viu o valor da participação multiplicar com a maturação da empresa. Em nenhum dos dois casos a fortuna veio de uma aposta pontual bem-sucedida — veio de segurar uma posição relevante numa empresa em crescimento por muito mais tempo do que a maioria dos investidores individuais costuma fazer.
Conclusão
O ranking Forbes 2026 confirma um retrato conhecido da elite econômica brasileira: bancos, a rede de sociedade da 3G Capital e um punhado de fundadores que nunca venderam o controle das próprias empresas. Saverin segue na liderança pelo quarto ano, mas o dado mais revelador está no conjunto — de 255 bilionários brasileiros, a maioria ampliou patrimônio no último ano, e cinco nomes novos entraram no grupo, sinal de que a produção de riqueza concentrada no país continua em movimento, não estagnada no topo.
FAQ
Quem é o brasileiro mais rico do mundo em 2026?
Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, com fortuna estimada pela Forbes em R$ 162,9 bilhões — ele lidera o ranking brasileiro pelo quarto ano consecutivo.
Quantos bilionários o Brasil tem em 2026?
A Forbes identificou 255 brasileiros com patrimônio líquido acima de R$ 1 bilhão, somando R$ 1,86 trilhão. Cinco deles entraram na lista pela primeira vez nesta edição.
Quem são os bilionários ligados à 3G Capital no ranking?
Três dos dez maiores: Jorge Paulo Lemann (3º), Max Van Hoegaerden Herrmann Telles (7º, filho de Marcel Telles) e Carlos Alberto Sicupira (9º). Os três são sócios desde os anos 1970 e construíram a fortuna principalmente via AB InBev, a maior cervejaria do mundo.
Por que há dois nomes da família Moreira Salles na lista?
Fernando Roberto e Pedro Moreira Salles são irmãos e ambos possuem participações relevantes no Itaú Unibanco, herdadas do pai, o banqueiro Walther Moreira Salles, que fundou o Unibanco.
A maioria dos bilionários brasileiros aumentou ou perdeu patrimônio em 2026?
Aumentou: 57,25% dos 255 bilionários listados ampliaram a fortuna no último ano, contra 30,2% que registraram queda. Apenas um manteve o patrimônio estável.
Leia também: A história da Ambev: de Brahma e Antarctica a gigante global e A história do Banco Itaú.
Fonte: G1 — Forbes divulga ranking dos 10 maiores bilionários do Brasil em 2026.
