Quem é o dono da Dolly? A história do guaraná de Laerte Codonho e o pedido de falência
A Dolly é do empresário Laerte Codonho, que criou a marca em 1987 em Diadema (SP). Veja a história do guaraná do Dollynho, a briga com a Coca-Cola e o que se sabe do pedido de falência de 2026.

A Dolly é do empresário Laerte Codonho, que criou a marca em 1987, em Diadema (SP). O guaraná do mascote Dollynho é uma das poucas marcas de refrigerante brasileiras que não pertencem a uma multinacional. A empresa ganhou espaço vendendo barato, entrou numa briga pública com a Coca-Cola e, desde 2018, vive uma crise que passou por prisão do dono, recuperação judicial e, em julho de 2026, um pedido de falência feito pelo governo.
Veja abaixo quem manda na Dolly, como a marca cresceu e o que se sabe até agora sobre o processo.
Quem é o dono da Dolly
A Dolly pertence a Laerte Codonho, fundador e dono do grupo, com sede em Diadema, no ABC paulista. É uma empresa de capital fechado, sem ações na bolsa e sem sócio estrangeiro. A engarrafadora dos refrigerantes é a Ragi Refrigerantes, uma das empresas do grupo.
A marca não é da Coca-Cola, da Ambev ou de qualquer outra grande fabricante. É justamente o contrário: a Dolly construiu sua imagem como a marca nacional e barata que enfrenta as gigantes do setor.
1987: a marca barata que desafiou as gigantes
Codonho fundou a Dolly em 1987. No mesmo ano, segundo a história da marca, a empresa lançou o primeiro refrigerante diet do Brasil. O produto principal virou o Dolly Guaraná, e a linha cresceu com outros sabores de refrigerante e com sucos.
A estratégia foi o preço. A Dolly vendia refrigerantes a preços populares, abaixo dos das marcas líderes, e concentrou a distribuição no Sudeste. Em 2015, segundo dados da Nielsen citados na época, a marca tinha cerca de 10% do mercado nacional de refrigerantes e cerca de 30% na Grande São Paulo.
A imagem da marca ficou presa a um personagem: o Dollynho, um boneco verde desenhado pelo próprio Codonho, que diz ter se inspirado nos Teletubbies. O bordão é “Oi, pessoal, eu sou o Dollynho, seu amiguinho”. Em 2016, um comercial sem o mascote gerou reclamação do público, e o personagem voltou depois.

A briga com a Coca-Cola
Em 2003, Codonho acusou publicamente a Coca-Cola de concorrência desleal e de outras irregularidades, em denúncias exibidas pela RedeTV!. A Coca-Cola foi à Justiça e, em 2012, a Dolly e a emissora foram condenadas a pagar R$ 2 milhões à multinacional.
2017 e 2018: a investigação, a prisão e a recuperação judicial
Em 2017, a Ragi Refrigerantes foi alvo de uma operação da Secretaria da Fazenda de São Paulo sobre o pagamento de ICMS. Em maio de 2018, Laerte Codonho foi preso, junto com um ex-gerente financeiro, sob suspeita de fraude fiscal, sonegação, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Os investigadores estimaram o prejuízo aos cofres públicos em R$ 4 bilhões ao longo de 20 anos. Ele ficou preso por oito dias.
A empresa negou a sonegação e disse ter sido vítima de um escritório de contabilidade. Codonho atribuiu a prisão a uma armação de concorrentes e procuradores. Com as contas bloqueadas, o grupo pediu recuperação judicial em junho de 2018, com uma lista inicial de credores de cerca de R$ 255 milhões. Fábricas foram fechadas e funcionários, demitidos.
A Dolly também obteve vitórias na Justiça. Em 2019, o Tribunal de Justiça de São Paulo revogou o recolhimento domiciliar imposto a Codonho, que voltou a comandar as empresas. Em novembro daquele ano, duas sentenças federais reconheceram a Dolly como credora de cerca de R$ 200 milhões, e em novembro de 2021 o TJ-SP confirmou a anulação de uma cobrança fiscal de quase R$ 211 milhões.
2026: o fim da recuperação judicial e o pedido de falência
Depois de quase oito anos, o grupo desistiu da recuperação judicial em maio de 2026, com a desistência homologada pela Justiça, e passou a buscar uma recuperação extrajudicial, um acordo direto com os credores. Segundo o advogado da empresa, mais de 60% dos credores aprovaram a mudança. Em 2025, o grupo teve prejuízo líquido consolidado de R$ 25,8 milhões.
Em 1º de julho de 2026, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo pediram a falência das empresas do Grupo Dolly na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. O pedido cita cerca de R$ 15,7 bilhões em dívida ativa:
As procuradorias afirmam que a dívida resultou de uma estratégia de “blindagem patrimonial” e que a falta de pagamento deu ao grupo uma vantagem competitiva artificial sobre os concorrentes. O pedido se apoia num entendimento do Superior Tribunal de Justiça de 2026 que admitiu, em situações excepcionais, que o poder público peça a falência de um devedor.
A Dolly afirmou, em nota, que não foi oficialmente citada nem intimada de nenhuma decisão e classificou a iniciativa como “temerária e persecutória”. A empresa sustenta que lhe atribuíram dívidas de outras companhias que, na sua visão, não fazem parte do mesmo grupo econômico. Um pedido de falência não é uma falência: a decisão cabe ao juiz da vara especializada, e até a publicação deste texto não havíamos encontrado notícia de decisão sobre o caso. Em maio, segundo reportagens, a empresa mantinha as operações e seguia vendendo seus produtos.
Resumo: de quem é a Dolly
A Dolly é uma marca brasileira, fundada em 1987 em Diadema (SP) pelo empresário Laerte Codonho, que continua dono do grupo. Ficou conhecida pelos refrigerantes baratos, pelo guaraná e pelo mascote Dollynho. Desde 2018, a empresa enfrenta investigação fiscal, passou quase oito anos em recuperação judicial e, em julho de 2026, foi alvo de um pedido de falência por dívidas fiscais de R$ 15,7 bilhões, que ela contesta e que ainda não foi julgado.
Para comparar com as rivais, leia a história da Coca-Cola e a história da Ambev, dona do Guaraná Antarctica.
Perguntas frequentes sobre a Dolly
Quem é o dono da Dolly?
A Dolly pertence ao empresário Laerte Codonho, que fundou a marca em 1987, em Diadema (SP). O grupo é uma empresa de capital fechado e não pertence a nenhuma multinacional.
A Dolly faliu?
Não há falência decretada até a publicação deste texto. Em 1º de julho de 2026, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e a Procuradoria do Estado de São Paulo pediram a falência do Grupo Dolly, citando dívidas fiscais de cerca de R$ 15,7 bilhões. O pedido ainda precisa ser julgado, e a empresa contesta a iniciativa.
A Dolly é da Coca-Cola?
Não. A Dolly é uma marca brasileira independente, do empresário Laerte Codonho. As duas empresas, aliás, já se enfrentaram na Justiça: em 2012, a Dolly e a RedeTV! foram condenadas a pagar R$ 2 milhões à Coca-Cola por acusações feitas pela Dolly em 2003.
Quem criou o Dollynho?
O próprio Laerte Codonho, dono da Dolly. Segundo ele, o mascote foi inspirado nos Teletubbies. O personagem ficou famoso pelo bordão “Oi, pessoal, eu sou o Dollynho, seu amiguinho”.
Qual é a dívida da Dolly?
O pedido de falência de 2026 cita cerca de R$ 15,7 bilhões em dívida ativa: R$ 8,3 bilhões com a União, R$ 7,4 bilhões com o estado de São Paulo e cerca de R$ 15 milhões de FGTS. Já a dívida com os credores da recuperação judicial, aberta em 2018, era bem menor, de cerca de R$ 255 milhões na lista inicial.
Fontes: InfoMoney — procuradorias pedem falência do Grupo Dolly (02/07/2026), Mercado & Consumo — pedido de falência (02/07/2026), Forbes Brasil — a Dolly ainda não está falida (07/2026), Diário do Grande ABC — Dolly tenta recuperação extrajudicial (16/05/2026), Bonetti Associados — desistência da recuperação judicial (14/05/2026), Conjur — TJ-SP revoga recolhimento domiciliar (25/04/2019) e Wikipédia — Dolly (refrigerante).