MXRF11 (Maxi Renda): história, como funciona, dividendos e o último relatório gerencial

MXRF11 é o Maxi Renda, o FII com mais cotistas do Brasil. Veja a história do fundo, como ganha dinheiro, quanto paga, os riscos e os dados mais recentes.

Logotipo da XP Investimentos
Logotipo da XP Investimentos, grupo da gestora do MXRF11. Imagem: Wikimedia Commons, domínio público.

Atualizado em: 21 de outubro de 2026

O MXRF11 é o código do Maxi Renda, o fundo imobiliário com mais investidores do Brasil: são 1,57 milhão de cotistas, quase o dobro do segundo colocado. É um fundo de “papel”: em vez de alugar prédios, empresta dinheiro ao setor imobiliário, principalmente por meio de CRIs, e repassa os juros aos cotistas todo mês. A gestão é da XP Vista Asset Management, do grupo XP, e a administração é do BTG Pactual.

Nesta página você encontra o que é o MXRF11, como ele ganha dinheiro, a história do fundo desde 2012 (com os bons momentos e as crises), quanto ele paga, os riscos e um quadro com os números mais recentes, que vamos atualizando. Se você chegou aqui procurando o relatório gerencial do MXRF11, o quadro de dados e a seção “Como ler o relatório gerencial” são para você.

Ficha do MXRF11
Nome: FII Maxi Renda (MXRF11).
Tipo: fundo de papel/híbrido, com foco em CRIs.
Gestora: XP Vista Asset Management. Administrador: BTG Pactual Serviços Financeiros.
Em funcionamento desde: 13 de abril de 2012.
Taxa: 0,90% ao ano (administração e gestão), sem taxa de performance.
Cotistas: 1.570.595 (setembro de 2026).
Patrimônio: R$ 5,30 bilhões (setembro de 2026).
Último rendimento: R$ 0,10 por cota, pago em 15 de outubro de 2026.

O que é o MXRF11?

O MXRF11 é um fundo de investimento imobiliário (FII) negociado na B3. Ao comprar uma cota, você vira sócio de uma carteira de ativos ligados ao mercado imobiliário e recebe uma parte do que ela rende, em geral todo mês.

Existem fundos de “tijolo”, que compram imóveis e vivem de aluguel, e fundos de “papel”, que compram títulos de dívida do setor. O MXRF11 é majoritariamente de papel, mas também tem uma parcela em outros fundos imobiliários, participações em empreendimentos e imóveis, por isso muitas plataformas o classificam como híbrido. Veja as diferenças em FII de papel, tijolo ou híbrido.

O principal ativo do fundo é o CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários). Um CRI funciona como um empréstimo a uma incorporadora, a uma rede de lojas ou a outra empresa com lastro em imóveis: ela recebe o dinheiro hoje e paga juros, normalmente atrelados ao CDI ou ao IPCA, com garantias como imóveis, terrenos ou recebíveis de vendas.

Cerimônia de abertura de capital da XP Inc
Cerimônia de abertura de capital da XP Inc. na Nasdaq, em Nova York, em dezembro de 2019. A XP Vista, gestora do MXRF11, é do grupo XP. Foto: XP Divulgação/Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0.

Quem cuida do MXRF11?

Dois papéis diferentes. A gestora, XP Vista Asset Management, decide o que comprar e vender. O administrador, BTG Pactual Serviços Financeiros, cuida da parte legal e operacional e envia os informes à CVM, segundo o informe mensal do fundo nos dados abertos da CVM. Juntas, as duas cobram 0,90% ao ano sobre o patrimônio, sem taxa de performance, segundo o relatório gerencial de julho de 2026 citado pelo FIIs.com.br.

A relação com o grupo XP ajuda a explicar a popularidade. O Maxi Renda é oferecido na plataforma da XP, uma das maiores corretoras do país. Em dezembro de 2019, a XP Inc. abriu capital na Nasdaq, em Nova York, no mesmo período em que o número de cotistas do fundo começou a disparar.

Logotipo do BTG Pactual, cuja empresa de serviços financeiros é a administradora do MXRF11
Logotipo do BTG Pactual, cuja empresa de serviços financeiros é a administradora do MXRF11. Imagem: Vitoraba/Wikimedia Commons, domínio público.

A história do MXRF11

A trajetória do fundo acompanha a popularização dos FIIs no Brasil. Os números de cotistas e patrimônio abaixo vêm dos informes mensais entregues à CVM.

  1. 2011 e 2012, o começo: o fundo foi constituído em setembro de 2011 e começou a funcionar em 13 de abril de 2012. As cotas valiam perto de R$ 100. Em janeiro de 2017, ainda eram só 5.566 cotistas e R$ 250 milhões de patrimônio.
  2. Maio de 2017, o desdobramento: cada cota foi dividida em dez. O valor patrimonial por cota passou de cerca de R$ 105 para R$ 10,37, e a cota do MXRF11 passou a ser negociada perto de R$ 10. O preço baixo virou parte da fama do fundo entre iniciantes.
  3. 2019 e 2020, a explosão: com a Selic na mínima histórica e a corrida de novos investidores para a bolsa, os cotistas saltaram de 31 mil no fim de 2018 para 89 mil em 2019 e 314 mil em 2020. O patrimônio passou de R$ 300 milhões para R$ 1,8 bilhão em dois anos.
  4. 2022, a crise com a CVM: em dezembro de 2021, a CVM entendeu que o fundo vinha distribuindo valores acima do lucro contábil e que o excesso deveria ser tratado como amortização, que não tem a isenção de IR dos rendimentos. O fato relevante saiu em 24 de março de 2022, e a cota caiu 8,45% em uma semana, de R$ 10,06 para R$ 9,21. O fundo pediu reconsideração, alegou ter fechado 2021 com lucro contábil positivo e ainda aumentou o rendimento para R$ 0,10, segundo o FIIs.com.br.
  5. 2022, os CRIs que deram errado: alguns devedores não pagaram, e o fundo teve de executar garantias. Assim, ficou com imóveis e participações, como parte do edifício Oceanic, em Santos, e um terreno em Gravataí (RS). A gestora disse na época que os problemas afetavam 0,61% do patrimônio, segundo o Suno.
  6. Dezembro de 2023, 1 milhão de cotistas: o MXRF11 foi o primeiro fundo imobiliário do país a passar de 1 milhão de investidores. Fechou aquele mês com 1.022.791.
  7. 2024, o patrimônio por cota encolhe: o valor patrimonial por cota caiu de R$ 9,91 em janeiro para R$ 9,01 em dezembro, com a maior queda no último mês do ano, período de forte alta dos juros no Brasil. Quem olhava o valor patrimonial viu a cota “encolher” mesmo com os rendimentos em dia.
  8. 2026, a emissão de R$ 1 bilhão: em julho, o fundo fez a 12ª emissão de cotas, a R$ 9,37 por cota, e o número de cotas subiu 23%. A cota de mercado caiu cerca de 9,5% desde maio, e o resultado de julho (R$ 0,092 por cota) ficou abaixo do rendimento pago (R$ 0,10), com a diferença coberta por reservas. Em agosto, com parte do dinheiro novo aplicado em CRIs, o resultado subiu 25,7%, para R$ 53,2 milhões.
Número de cotistas do MXRF11 (fim de cada ano)
2017: 11.245
2018: 31.243
2019: 89.122
2020: 313.725
2021: 488.875
2022: 739.809
2023: 1.022.791
2024: 1.257.559
2025: 1.357.621
Set/2026: 1.570.595
Fonte: informes mensais do fundo, dados abertos da CVM. Elaboração: Dicionário News.

O valor da cota ao longo dos anos

Um dado curioso do MXRF11 é que o valor patrimonial por cota quase não mudou desde o desdobramento: oscilou entre R$ 9 e R$ 10,30 em nove anos. Isso acontece porque o fundo distribui quase todo o resultado aos cotistas, em vez de reinvestir. Na prática, o retorno do investidor veio dos rendimentos mensais, não da valorização da cota.

2017

R$ 9,60
2019

R$ 10,13
2021

R$ 10,27
2023

R$ 9,93
2024

R$ 9,01
Set/2026

R$ 9,35

Valor patrimonial por cota em dezembro de cada ano (setembro em 2026). Fonte: informes mensais à CVM.

Avenida Faria Lima, em São Paulo, centro financeiro onde ficam muitas gestoras de fundos imobiliários, em 2014
Avenida Faria Lima, em São Paulo, centro financeiro onde ficam muitas gestoras de fundos imobiliários, em 2014. Foto: Wilfredor/Wikimedia Commons, CC0.

Como o MXRF11 ganha dinheiro?

O fundo tem quatro fontes de receita:

  • Juros dos CRIs: a maior parte da renda. Os títulos pagam juros mais correção pelo CDI ou pelo IPCA.
  • Ganho de capital: a gestão compra e vende CRIs e cotas de outros FIIs no mercado secundário e lucra quando vende acima do preço de compra.
  • Permutas financeiras: o fundo financia uma incorporadora em troca de uma parte das vendas de um empreendimento, normalmente com retorno corrigido pelo INCC, o índice da construção civil.
  • Outros fundos e imóveis: rendimentos de cotas de outros FIIs e a venda de imóveis recebidos ou adquiridos.

CRIs: 75%

R$ 3,89 bilhões em certificados de recebíveis.

Outros FIIs: 14%

R$ 718 milhões em cotas de outros fundos imobiliários.

Imóveis para venda: 6%

R$ 288 milhões.

Participações: 5%

R$ 277 milhões em ações de empresas de empreendimentos.

Os percentuais são sobre os R$ 5,18 bilhões investidos em setembro de 2026, segundo o informe do fundo à CVM. Além disso, havia R$ 293 milhões em aplicações de liquidez. Por setor, os maiores devedores dos CRIs eram incorporação residencial (27,6%), varejo alimentar (16,85%) e varejo (16,02%), segundo o relatório de agosto citado pelo Suno. Entre as compras recentes estão CRIs ligados à rede Obramax e ao Grupo Mateus.

Loja do Grupo Mateus em Imperatriz (MA)
Loja do Grupo Mateus em Imperatriz (MA). O MXRF11 tem CRI ligado ao grupo, um dos devedores do setor de varejo alimentar na carteira. Foto: FernandoSantos/Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0.

Quanto o MXRF11 paga de dividendos?

O MXRF11 paga R$ 0,10 por cota por mês desde maio de 2026, valor que também pagou em janeiro. O rendimento de setembro foi pago em 15 de outubro para quem tinha cotas no fim de 30 de setembro. Com a cota a cerca de R$ 9,20, isso equivale a cerca de 1,09% ao mês. Em agosto, a gestora calculou que o rendimento equivalia a 98,5% do CDI, já sem imposto, ou 115,9% do CDI quando comparado a um investimento tributado em 15%.

Curiosidade: o “número mágico” do MXRF11
É a quantidade de cotas necessária para que os rendimentos de um mês comprem uma cota nova sozinhos. Com a cota a R$ 9,20 e o rendimento de R$ 0,10, são 92 cotas, ou cerca de R$ 846. A conta muda sempre que o preço ou o rendimento mudam, e reinvestir não elimina os riscos do fundo.

Por lei, os FIIs precisam distribuir pelo menos 95% do lucro apurado em regime de caixa a cada semestre. Para a pessoa física, os rendimentos são isentos de Imposto de Renda quando o fundo tem as cotas negociadas na bolsa e pelo menos 100 cotistas e o investidor tem menos de 10% das cotas, entre outras condições da Lei 11.033. O lucro na venda das cotas paga 20% de IR.

Como ler o relatório gerencial do MXRF11

Todo mês, a gestora publica um relatório gerencial com os números do fundo. Ele sai no site da XP Asset e no sistema da B3. Para não se perder nas dezenas de páginas, olhe primeiro estes pontos:

  1. Resultado x rendimento: o fundo gerou por cota pelo menos o que pagou? Pagar acima do resultado, como em julho de 2026, só é sustentável por pouco tempo, com reservas.
  2. Caixa a aplicar: depois de uma emissão, dinheiro parado rende menos que os CRIs. Veja quanto ainda falta investir.
  3. Carteira de CRIs: taxas, indexadores, setores e concentração nos maiores devedores.
  4. Inadimplência e garantias: se algum devedor atrasou e o que está sendo feito.
  5. Valor patrimonial x preço de mercado (P/VP): em setembro, a cota era negociada um pouco abaixo do valor patrimonial de R$ 9,35, ou seja, com desconto.

O passo a passo completo está em como ler um relatório gerencial de FII em 15 minutos.

Prédio da B3, a bolsa onde as cotas do MXRF11 são negociadas, no centro de São Paulo
Prédio da B3, a bolsa onde as cotas do MXRF11 são negociadas, no centro de São Paulo. Foto: Wilfredor/Wikimedia Commons, CC0.

Quais são os riscos do MXRF11?

Crédito

Se os devedores dos CRIs não pagarem, a renda cai e o fundo pode ter de executar garantias, como em 2022. Em 2026, a onda de recuperações judiciais deixou o mercado mais atento a isso.

Juros e preço

A cota oscila na bolsa. Quando os juros sobem, títulos e cotas tendem a perder valor, como em 2024. Veja como funciona a marcação a mercado.

Emissões e rendimento

Novas emissões aumentam o número de cotas. Até o dinheiro ser aplicado, a renda por cota pode cair, como em julho de 2026.

O fundo não tem garantia do FGC, e rendimento passado não garante rendimento futuro. Ser o fundo com mais cotistas não o torna mais seguro: popularidade não reduz o risco dos CRIs da carteira.

Dados mais recentes do MXRF11

Atualizado em 21 de outubro de 2026
Rendimento: R$ 0,10 por cota (setembro), pago em 15/10/2026.
Valor patrimonial da cota: R$ 9,35 (setembro).
Patrimônio líquido: R$ 5,30 bilhões.
Cotistas: 1.570.595, dos quais 1.569.621 pessoas físicas e 24 investidores estrangeiros.
Cotas emitidas: 567.206.273.
Resultado de agosto: R$ 53,2 milhões (+25,7% sobre julho).
Rendimento x CDI (agosto): 98,5% do CDI, isento.
Fontes: informe mensal de setembro de 2026 entregue à CVM em 15/10/2026 e relatório gerencial de agosto, citado pelo Suno.

A 12ª emissão também foi analisada pela XP, que projetou renda de cerca de R$ 0,09 por cota ao mês nos 12 meses seguintes, abaixo dos R$ 0,10 atuais. A destinação prevista era de R$ 1,275 bilhão em 12 CRIs e duas permutas, segundo o Eu Quero Investir. Esta página não traz recomendação de compra ou venda.

Perguntas frequentes sobre o MXRF11

O que é o MXRF11?

É o código na bolsa do Maxi Renda, um fundo imobiliário de papel e híbrido que investe principalmente em CRIs. É gerido pela XP Vista Asset Management e administrado pelo BTG Pactual.

Quanto o MXRF11 paga por mês?

Desde maio de 2026, o fundo paga R$ 0,10 por cota por mês. Com a cota perto de R$ 9,20, isso dá cerca de 1,09% ao mês, isento de IR para a pessoa física que cumpre as condições da lei.

Quantas cotas de MXRF11 preciso para ganhar R$ 1.000 por mês?

Com R$ 0,10 por cota, seriam 10 mil cotas, cerca de R$ 92 mil com a cota a R$ 9,20. O cálculo muda sempre que o rendimento ou o preço mudam.

Qual o número mágico do MXRF11?

Com a cota a R$ 9,20 e rendimento de R$ 0,10, são 92 cotas: com elas, o rendimento de um mês compra uma cota nova.

O MXRF11 é seguro?

Não existe investimento sem risco. O MXRF11 não tem FGC, a cota oscila na bolsa e o fundo depende de os devedores dos CRIs pagarem em dia. Já teve inadimplências em 2022 e queda de valor patrimonial em 2024.

Por que o MXRF11 tem tantos cotistas?

A cota barata desde o desdobramento de 2017, o rendimento mensal estável e a distribuição pela plataforma da XP ajudaram. Foi o primeiro FII a passar de 1 milhão de cotistas, em dezembro de 2023.

Onde encontro o relatório gerencial do MXRF11?

No site da XP Asset e no sistema de documentos da B3 (Fnet). Os informes mensais oficiais também ficam nos dados abertos da CVM.

Quem é o dono do MXRF11?

O fundo pertence aos seus cotistas. A XP Vista Asset Management faz a gestão e o BTG Pactual, a administração, mas nenhum dos dois é dono do patrimônio do fundo.

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