A Vivo é brasileira? Quem é o dono da operadora controlada pela espanhola Telefónica

A Vivo é controlada pela espanhola Telefónica, que tem 77,1% da Telefônica Brasil. Veja quem manda na Telefónica e como a marca nasceu em 2003.

A Vivo é brasileira? Quem é o dono da operadora controlada pela espanhola Telefónica

A Vivo é uma marca brasileira, mas a empresa é controlada pela espanhola Telefónica. A dona da marca é a Telefônica Brasil S.A., com ações na B3 e em Nova York. No fim de 2025, a Telefónica, com sede em Madri, e duas subsidiárias tinham 77,1% das ações dessa empresa. A Telefónica, por sua vez, não tem um controlador único: seus maiores sócios são o governo espanhol, a holding da Fundação La Caixa e a operadora saudita STC, cada um com cerca de 10%.

A Vivo é brasileira?

A marca nasceu no Brasil, em 2003, mas o controle é espanhol. Segundo o relatório anual da Telefônica Brasil entregue à SEC, a comissão de valores mobiliários dos EUA, a Telefónica S.A. e suas afiliadas detinham, em 31 de dezembro de 2025, cerca de 77,1% do capital da empresa:

  • Telefónica S.A., a matriz espanhola: 39,32%;
  • Telefónica Latinoamérica Holding, braço do grupo para a América Latina: 37,74%;
  • Telefónica Chile: 0,06%.

O próprio relatório diz que, com essa fatia, a Telefónica tem o poder de controlar a empresa e decidir as votações nas assembleias. O restante das ações é negociado na B3, com o código VIVT3, e na Bolsa de Nova York, na forma de recibos de ações (ADSs).

Logotipo da Vivo, com o nome da marca em letras roxas arredondadas ao lado do boneco estilizado da empresa
Logotipo da Vivo com o boneco da marca. Imagem: Wikimedia Commons, domínio público (logotipo). Marca registrada da empresa.

Quem manda na Telefónica?

A Telefónica foi fundada em 1924, em Madri, segundo a Wikipédia, e hoje é uma empresa de capital aberto sem dono definido. O relatório de governança corporativa de 2025 afirma que nenhuma pessoa ou empresa exerce controle sobre ela. Os maiores sócios eram:

  • SEPI, a holding de participações do governo da Espanha: 10,00% dos votos;
  • Criteria Caixa, holding da Fundação La Caixa, de Barcelona: 9,99%;
  • Public Investment Fund, fundo soberano da Arábia Saudita, por meio da operadora STC: 9,97%;
  • BBVA e BlackRock: 5,01% cada.
Prédios modernos de vidro do complexo Distrito Telefónica, sede da empresa em Madri, vistos de longe sob céu azul com nuvens
Distrito Telefónica, sede do grupo em Madri, na Espanha. Foto: Luis García (Zaqarbal) / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0. Versão reduzida.

De Telesp a Telefônica: a privatização de 1998

A história começa na antiga estatal paulista. A Telesp foi criada em 1973 como subsidiária da Telebrás e absorveu a operação da Companhia Telefônica Brasileira (CTB) em São Paulo, segundo a Wikipédia. Era ela que publicava as listas telefônicas e instalava as centrais automáticas no estado.

Mapa antigo do interior de São Paulo com cidades marcadas e tabelas de terminais telefônicos previstos, publicado pela Companhia Telefônica Brasileira
Mapa de expansão das centrais telefônicas automáticas no interior de São Paulo, da Companhia Telefônica Brasileira e da Telesp, início dos anos 1970. Imagem: Wikimedia Commons, domínio público.

Com a privatização do Sistema Telebrás, a Telesp foi vendida em julho de 1998 e passou ao controle da Telefónica. O relatório anual registra que a atual Telefônica Brasil foi constituída em 22 de maio de 1998, com o nome Telesp Participações, como resultado da reestruturação e privatização da Telebrás, que até então tinha o monopólio da telefonia em quase todo o país. Durante anos, os paulistas trocaram a “Telesp” pela “Telefônica” no telefone fixo e na internet Speedy.

Capa azul e desgastada de uma lista telefônica de 1980, com o título Lista Telefônica Telesp 100 e o mapa do estado de São Paulo em relevo
Capa da lista telefônica da Telesp de 1980. Foto: User7778 / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

2003: a Vivo nasce como sociedade entre espanhóis e portugueses

A marca Vivo surgiu no celular, não no telefone fixo. Em abril de 2003, a Brasilcel, sociedade entre a Portugal Telecom e a Telefónica Móviles, lançou a marca para unificar operadoras como a Telesp Celular e a Telefônica Celular, segundo o Teletime, que noticiou o lançamento na época. A campanha de estreia custou R$ 40 milhões.

A sociedade durou até 2010. Em 28 de julho daquele ano, a Telefónica fechou acordo com a Portugal Telecom para comprar os 50% da Brasilcel que ainda não tinha, segundo o relatório anual. Em outubro de 2011, a Vivo Participações foi incorporada à Telesp, que mudou o nome para Telefônica Brasil S.A..

A troca de marca veio em seguida. Em 15 de abril de 2012, todos os serviços da Telefônica no Brasil, incluindo telefone fixo, Speedy e TV, passaram a usar a marca Vivo, como informou o Tecnoblog. A empresa manteve o nome Telefônica Brasil no papel.

Prédio de tijolos aparentes de vários andares, central telefônica da antiga Telesp em Bauru, com uma antena no topo e fios na rua em frente
Prédio da central telefônica da antiga Telesp, hoje da Telefônica Brasil, em Bauru (SP). Foto: eduardo bauru / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0.

GVT, Oi e o tamanho da Vivo hoje

A Telefônica Brasil continuou crescendo por aquisições. Em setembro de 2014, fechou acordo com a francesa Vivendi para comprar a GVT, operadora de banda larga, incorporada em 2015. Em abril de 2022, concluiu a compra de parte da operação de celular da Oi, então em recuperação judicial, que foi dividida entre Vivo, TIM e Claro, controlada pela mexicana América Móvil.

Em 2025, segundo o relatório anual, a empresa era líder em telefonia móvel no Brasil, com 38,1% dos acessos, e chegava a 40,3% no pós-pago. Na fibra até a casa do cliente, tinha 18,5% do mercado. O balanço do quarto trimestre mostra 116,7 milhões de acessos no fim de 2025, sendo 103 milhões no celular.

A receita operacional líquida de 2025 foi de R$ 59,6 bilhões, e o lucro líquido, de R$ 6,2 bilhões. A rede de vendas tinha 288 lojas próprias e cerca de 10,7 mil pontos de revendedores autorizados.

A Vivo segue o padrão de outras marcas muito ligadas ao Brasil, mas com dono estrangeiro, como a Fiat, que pertence à Stellantis.

Perguntas frequentes sobre a Vivo

A Vivo é brasileira?

A marca foi criada no Brasil, em 2003, mas a empresa dona dela, a Telefônica Brasil, é controlada pelo grupo espanhol Telefónica, que tinha 77,1% das ações no fim de 2025.

Quem é o dono da Vivo?

A Telefônica Brasil S.A., controlada pela espanhola Telefónica S.A. Os maiores acionistas da Telefónica são o governo espanhol, por meio da SEPI, a Criteria Caixa e o fundo saudita PIF, por meio da STC, cada um com cerca de 10%.

A Vivo é espanhola ou portuguesa?

Hoje é controlada por espanhóis. Entre 2003 e 2010, a Vivo era uma sociedade meio a meio entre a espanhola Telefónica e a Portugal Telecom. Em 2010, a Telefónica comprou a parte portuguesa.

Vivo e Telefônica são a mesma empresa?

Sim. Telefônica Brasil é o nome da empresa, e Vivo é a marca comercial de todos os serviços desde abril de 2012.

A Vivo tem ações na bolsa?

Sim. As ações são negociadas na B3, com o código VIVT3, e na Bolsa de Nova York.

Imagem de capa: loja de revendedor autorizado da Vivo no Botafogo Praia Shopping, no Rio de Janeiro. Foto: Eduardo P / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0. Versão recortada.

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