Big Four: o que são, quem são Deloitte, PwC, EY e KPMG e por que dominam a auditoria
Big Four são Deloitte, PwC, EY e KPMG, as 4 maiores firmas de auditoria e consultoria do mundo. Veja o que fazem, qual é a maior e quem auditam no Brasil.

Atualizado em: 21 de outubro de 2026
Big Four é o apelido das quatro maiores firmas de auditoria e consultoria do mundo: Deloitte, PwC, EY e KPMG. Juntas, elas faturam mais de US$ 230 bilhões por ano e empregam mais de 1,5 milhão de pessoas em cerca de 150 países. São elas que conferem os balanços da maior parte das grandes empresas listadas em bolsa, incluindo gigantes brasileiras como Petrobras, Vale e Itaú.
O nome vem do inglês e significa, literalmente, “os quatro grandes”. Neste guia, você vai entender o que as Big Four fazem, por que eram oito e viraram quatro, qual delas é a maior, quem elas auditam no Brasil, quais escândalos marcaram a história do setor e o que mudou em 2026, ano em que as quatro passaram a disputar espaço também na inteligência artificial.
O que são: as quatro maiores redes de auditoria, impostos e consultoria do mundo.
Quem são: Deloitte, PwC, EY e KPMG.
A maior: Deloitte, com US$ 74,5 bilhões de receita no ano fiscal encerrado em maio de 2026.
Origem do nome: até os anos 1980 eram oito (Big Eight); fusões e a quebra da Arthur Andersen, em 2002, deixaram quatro.
No Brasil: auditam 19 de 20 grandes companhias brasileiras com ações nos EUA, segundo levantamento do Dicionário News.
O que são as Big Four?
As Big Four são redes globais de serviços profissionais. A atividade mais conhecida é a auditoria independente: verificar se as demonstrações financeiras de uma empresa, como o balanço e a DRE, mostram a situação real do negócio. Mas elas também vendem consultoria de gestão e tecnologia, planejamento tributário, assessoria em fusões e aquisições, gestão de riscos e serviços jurídicos.
Um detalhe que pouca gente conhece: nenhuma das quatro é uma empresa única. Cada uma é uma rede de firmas independentes, com donos locais, que usam a mesma marca e seguem os mesmos padrões de qualidade. No Brasil, por exemplo, quem assina as auditorias é a “KPMG Auditores Independentes Ltda.” ou a “PricewaterhouseCoopers Auditores Independentes Ltda.”, empresas brasileiras que fazem parte das redes.
No topo de cada rede há uma entidade coordenadora, que cuida da marca, da estratégia e dos padrões, mas não presta serviço a clientes. As quatro estão registradas em Londres, como companhias inglesas: a Deloitte Touche Tohmatsu Limited, a PricewaterhouseCoopers International Limited, a Ernst & Young Global Limited e a KPMG International Limited, que trocou a Suíça pelo Reino Unido em 2020, segundo a Wikipédia.

Quem são as Big Four?
As Big Four são Deloitte, PwC, EY e KPMG. Os números abaixo são os mais recentes divulgados por cada rede. Atenção: os anos fiscais terminam em meses diferentes, e a KPMG ainda não publicou o resultado do ano fiscal encerrado em setembro de 2026.
Deloitte
PwC
EY
KPMG
Fontes: comunicados de resultados da Deloitte (24/09/2026), da PwC (19/10/2026), da EY (08/10/2026) e da KPMG (16/12/2025). O número de pessoas da PwC foi informado pelo site especializado Going Concern.
Deloitte
A Deloitte é a maior das quatro. A firma nasceu em 1845, quando o contador William Welch Deloitte abriu um escritório em Londres. O nome oficial da rede, Deloitte Touche Tohmatsu, junta três sobrenomes: o do fundador, o de George Touche, que abriu escritórios em Londres (1898) e Nova York (1900), e o do japonês Nobuzo Tohmatsu, cuja firma entrou na rede em 1975, segundo a Wikipédia. Em 1º de junho de 2026, os sócios criaram a Deloitte EMEA, que reúne a operação da Europa, do Oriente Médio e da África.

PwC
PwC é a abreviação de PricewaterhouseCoopers. A rede surgiu em 1998, da fusão de duas firmas britânicas: a Price Waterhouse, fundada por Samuel Lowell Price em Londres em 1849, e a Coopers & Lybrand, cuja origem é o escritório aberto por William Cooper em 1854, também em Londres. A marca foi encurtada para PwC em 2010, segundo a Wikipédia. É a segunda maior das Big Four.

EY
EY é o nome atual da Ernst & Young, adotado em 2013. A firma nasceu em 1989, da fusão da Ernst & Whinney com a Arthur Young. As raízes estão nos Estados Unidos: a Ernst & Ernst foi fundada em Cleveland, em 1903, e a Arthur Young, em Chicago, em 1906, segundo a Wikipédia. Hoje, a sede da rede fica em Londres.

KPMG
KPMG é uma sigla com os sobrenomes de quatro fundadores: Klynveld (Piet Klijnveld, que abriu uma firma em Amsterdã em 1917), Peat (William Barclay Peat, de Londres), Marwick (James Marwick, que fundou a Marwick Mitchell em Nova York em 1897) e Goerdeler (Reinhard Goerdeler, executivo de uma firma alemã). A KPMG nasceu em 1987, da fusão entre a Peat Marwick e o grupo KMG, segundo a Wikipédia. É a menor das quatro em receita.
Qual é a maior das Big Four?
A maior é a Deloitte, com US$ 74,5 bilhões de receita no ano fiscal encerrado em 31 de maio de 2026, alta de 3,8% em moeda local. A PwC vem em segundo, com US$ 60,2 bilhões, seguida pela EY, com US$ 57 bilhões. Os resultados da PwC saíram em 19 de outubro de 2026 e confirmaram a firma à frente da EY por pouco mais de US$ 3 bilhões. A KPMG, com US$ 39,8 bilhões no último ano divulgado, é a quarta.
O que as Big Four fazem?
As Big Four vendem quatro grandes tipos de serviço. A divisão exata muda de uma rede para outra, mas a lógica é a mesma:
- Auditoria (assurance): conferir as demonstrações financeiras de uma empresa e emitir uma opinião sobre elas. É a atividade que deu origem às quatro.
- Impostos e jurídico (tax & legal): planejamento tributário, cumprimento de obrigações fiscais e assessoria legal, onde a lei do país permite.
- Consultoria (advisory ou consulting): projetos de tecnologia, gestão, riscos, cibersegurança e, cada vez mais, inteligência artificial.
- Transações e estratégia: avaliação de empresas, apoio em fusões, aquisições e aberturas de capital.
Apesar da fama de “auditorias”, a auditoria já não é a maior fonte de receita da PwC nem da KPMG. Na PwC, ela respondeu por US$ 20,5 bilhões no ano fiscal 2026, cerca de um terço do total; a consultoria trouxe US$ 25,8 bilhões. Na EY, a auditoria ainda lidera, com US$ 18,9 bilhões, seguida por US$ 17,4 bilhões em consultoria, US$ 13,8 bilhões em impostos e US$ 6,8 bilhões na EY-Parthenon, braço de estratégia e transações. Na KPMG, a consultoria (US$ 16,4 bilhões) também superou a auditoria (US$ 14,1 bilhões) no ano fiscal de 2025.
Uma empresa listada na bolsa publica seus números todo trimestre. Uma vez por ano, um auditor externo examina esses números por amostragem, confere documentos, estoques e contratos e escreve um relatório dizendo se as demonstrações representam “adequadamente” a situação da empresa. A opinião do auditor não é uma garantia de que não há fraude, mas é uma camada de confiança para quem investe. No Brasil, a Lei das S.A. obriga as companhias abertas a submeter suas demonstrações financeiras a auditores independentes registrados na CVM.
Por que se chamam Big Four? Do Big Eight ao Big Four
Até os anos 1980, o mercado tinha oito grandes firmas, o chamado Big Eight: Arthur Andersen, Arthur Young, Coopers & Lybrand, Deloitte Haskins & Sells, Ernst & Whinney, Peat Marwick Mitchell, Price Waterhouse e Touche Ross. Uma sequência de fusões e uma quebra reduziu o grupo a quatro, segundo a Wikipédia:
- 1987: a Peat Marwick se une ao grupo KMG e forma a KPMG.
- 1989: em junho, Ernst & Whinney e Arthur Young formam a Ernst & Young; em agosto, Deloitte Haskins & Sells e Touche Ross formam a Deloitte & Touche. O grupo vira Big Six.
- 1998: Price Waterhouse e Coopers & Lybrand se fundem na PricewaterhouseCoopers. Sobram cinco, o Big Five.
- 2002: a Arthur Andersen desmorona depois do escândalo da Enron. Ficam as Big Four.

O que aconteceu com a Arthur Andersen, a quinta grande?
A Arthur Andersen foi fundada em Chicago, em 1913, pelo contador Arthur E. Andersen. Em 2001, era uma das cinco maiores do mundo e auditava a Enron, empresa de energia do Texas que escondia dívidas e inflava lucros com manobras contábeis. A Enron pediu concordata em 2 de dezembro de 2001.
A investigação mostrou que funcionários da Andersen destruíram documentos ligados ao cliente. Em 15 de junho de 2002, a firma foi condenada por obstrução de justiça nos EUA e, em 31 de agosto daquele ano, entregou suas licenças para auditar companhias abertas. Em 2005, a Suprema Corte americana anulou a condenação por unanimidade, mas era tarde: os clientes já tinham ido embora, segundo a Wikipédia. O braço de consultoria, que havia se separado antes, virou a Accenture.

As operações da Andersen em vários países foram absorvidas pelas concorrentes. A do Brasil, assim como as do Reino Unido, da Espanha, de Portugal, do México e do Canadá, foi incorporada pela Deloitte em 2002, segundo a Wikipédia.

As Big Four no Brasil: quem audita as maiores empresas?
As quatro têm escritórios no Brasil e dominam a auditoria das grandes companhias abertas. Para medir isso, o Dicionário News consultou os relatórios anuais (formulário 20-F) de 2025 entregues à SEC, a CVM americana, por 20 grandes empresas brasileiras com ações nos Estados Unidos. Em 19 delas, a auditora é uma Big Four:
PwC: 10 empresas
KPMG: 6 empresas
EY: 2 empresas
Deloitte: 1 empresa
Fora das Big Four: 1
O levantamento usou o nome do auditor informado em cada 20-F, como o da Petrobras e o da Vale. É uma amostra das maiores empresas, não do mercado inteiro: entre companhias menores, firmas de médio porte, como BDO, Grant Thornton e Forvis Mazars, têm mais espaço. Vale lembrar também que a auditora de uma empresa não é fixa. No Brasil, a CVM obriga o rodízio de auditores.

Como funciona o rodízio de auditores no Brasil?
Pela Resolução CVM 23, de 2021, uma firma de auditoria não pode atender a mesma companhia aberta por mais de cinco anos seguidos e só pode ser recontratada depois de um intervalo de pelo menos três anos. O prazo sobe para até dez anos se a empresa tiver um comitê de auditoria estatutário em funcionamento permanente. Nesse caso, a firma precisa trocar o sócio responsável e os gerentes da equipe a cada cinco anos. A ideia é evitar que a relação fique próxima demais e comprometa a independência do auditor.
Quais escândalos marcaram as Big Four?
Como assinam os balanços das maiores empresas do mundo, as Big Four aparecem em quase todo grande escândalo contábil. A pergunta que sempre volta é: por que o auditor não viu? Alguns casos recentes:
- Wirecard (Alemanha, EY): em 2020, a empresa de pagamentos admitiu que cerca de US$ 2 bilhões que deveriam estar em contas bancárias não existiam. Em abril de 2023, o órgão alemão de supervisão de auditores, a Apas, concluiu que a EY violou seus deveres e a proibiu por dois anos de aceitar novas auditorias de empresas listadas na bolsa alemã, segundo a Wikipédia.
- Evergrande (China, PwC): em setembro de 2024, os reguladores chineses aplicaram à PwC Zhong Tian uma multa de 441 milhões de yuans (cerca de US$ 62 milhões) e suspenderam a firma por seis meses, pela auditoria da incorporadora Evergrande, segundo a Accounting Today. Foi a maior punição já aplicada a uma Big Four no país.
- Americanas (Brasil, KPMG e PwC): em janeiro de 2023, a Americanas revelou inconsistências contábeis bilionárias e pediu recuperação judicial. A KPMG auditou a empresa em 2017 e 2018, e a PwC de 2019 a 2022, segundo o Suno. Em novembro de 2024, a CVM abriu um processo sancionador contra a KPMG e uma sócia, segundo o Times Brasil; não encontramos julgamento até a publicação deste texto. As duas firmas negaram, na CPI da Câmara em 2023, ter sido coniventes com a fraude, segundo a Mercado & Consumo.
- Relatório com erros de IA (Austrália, Deloitte): em outubro de 2025, a Deloitte concordou em devolver parte de um contrato de cerca de 440 mil dólares australianos com o governo do país. Um relatório entregue pela firma citava uma decisão judicial inventada e estudos acadêmicos que não existem. A versão corrigida informou o uso de uma ferramenta de IA generativa, segundo a Associated Press.
O conflito entre auditar e prestar consultoria
A crítica mais antiga às Big Four é o conflito de interesses. Uma firma que audita uma empresa e, ao mesmo tempo, vende a ela projetos de consultoria muito maiores pode ter menos disposição para apontar problemas no balanço. Por isso, as regras proíbem a mesma firma de prestar certos serviços a quem ela audita.
A EY chegou a planejar a separação das duas atividades em empresas diferentes, no chamado Projeto Everest. O plano foi abandonado em abril de 2023, depois que a firma americana retirou o apoio, e custou à EY cerca de US$ 600 milhões em preparação, segundo a Wikipédia.
O que há de novo nas Big Four em 2026?
O ano de 2026 foi marcado pela corrida da inteligência artificial e por mudanças no comando:
- Resultados: as três redes que já divulgaram o ano fiscal de 2026 cresceram entre 3,5% e 4,7% em moeda local. A PwC, última a publicar, em 19 de outubro, superou a marca de US$ 60 bilhões pela primeira vez.
- Investimento em IA: a PwC diz ter investido US$ 3 bilhões em IA e outras áreas estratégicas, com mais de 330 mil pessoas treinadas na tecnologia, segundo a Accounting Today. Na EY, as vendas de serviços de IA cresceram 49%, e a firma anunciou com a Microsoft uma iniciativa de US$ 1 bilhão para levar a tecnologia a grandes empresas.
- Novo comando na KPMG: Gary Wingrove assumiu como presidente e CEO global em 1º de outubro de 2026, para um mandato de quatro anos, no lugar de Bill Thomas, que comandava a rede desde 2017, segundo o anúncio da KPMG.
- Nova estrutura na Deloitte: a Deloitte EMEA começou a operar em 1º de junho de 2026, depois de votação dos sócios, com plano de investir mais de 1,5 bilhão de euros em áreas como IA generativa.
Qual a diferença entre Big Four e Big Three?
As duas expressões são usadas no mundo dos negócios, mas falam de grupos diferentes. Big Three, ou MBB, é o apelido das três consultorias de estratégia mais prestigiadas: McKinsey (fundada em 1926), Boston Consulting Group (1963) e Bain & Company (1973).
Big Four
Big Three (MBB)
Como é trabalhar numa Big Four?
As Big Four são grandes empregadoras de recém-formados em contabilidade, administração, economia, direito e tecnologia. A porta de entrada costuma ser os programas de estágio e trainee, e a carreira tem degraus bem definidos: assistente, sênior, gerente, diretor e, no topo, sócio.
Na auditoria de companhias abertas, há uma exigência extra. Para obter o registro de auditor independente na CVM, o profissional precisa ser contador registrado no Conselho Regional de Contabilidade, ter pelo menos cinco anos de experiência em auditoria e ser aprovado no exame de qualificação técnica, segundo a Resolução CVM 23. Não por acaso, passar por uma Big Four é visto como um selo no currículo de quem quer seguir carreira em finanças, como diretor financeiro ou na área de relações com investidores.
Perguntas frequentes sobre as Big Four
O que significa Big Four?
Big Four significa “os quatro grandes”, em inglês. É o apelido das quatro maiores firmas de auditoria e consultoria do mundo: Deloitte, PwC, EY e KPMG.
Quais são as Big Four?
As Big Four são Deloitte, PwC (PricewaterhouseCoopers), EY (Ernst & Young) e KPMG. Todas são redes de firmas independentes, com entidades coordenadoras registradas em Londres.
Qual é a maior das Big Four?
A maior é a Deloitte, com US$ 74,5 bilhões de receita no ano fiscal encerrado em maio de 2026. Depois vêm PwC (US$ 60,2 bilhões), EY (US$ 57 bilhões) e KPMG (US$ 39,8 bilhões no ano fiscal de 2025).
As Big Four são empresas de auditoria ou de consultoria?
As duas coisas. Elas nasceram da auditoria, mas hoje também vendem consultoria, serviços de impostos e assessoria em transações. Na PwC e na KPMG, a consultoria já fatura mais que a auditoria.
Quem era a quinta empresa, do Big Five?
Era a Arthur Andersen, fundada em Chicago em 1913. Ela desmoronou em 2002, depois do escândalo da Enron, e suas operações foram absorvidas pelas concorrentes. A do Brasil foi para a Deloitte.
O que significam as siglas KPMG, PwC e EY?
KPMG junta os sobrenomes de Klynveld, Peat, Marwick e Goerdeler. PwC é a abreviação de PricewaterhouseCoopers. EY é a abreviação de Ernst & Young.
As Big Four estão no Brasil?
Sim. As quatro têm firmas no Brasil e auditam a maior parte das grandes companhias abertas. A PwC audita Vale, Itaú e Ambev, por exemplo; a KPMG audita Petrobras, Bradesco e Embraer.
Qual a diferença entre Big Four e Big Three?
Big Four são as quatro grandes de auditoria e consultoria (Deloitte, PwC, EY e KPMG). Big Three são as três grandes consultorias de estratégia: McKinsey, Boston Consulting Group e Bain & Company, que não fazem auditoria.