O Tesouro IPCA+ e o Tesouro Selic são os dois títulos públicos mais populares do Brasil — e a escolha entre eles depende menos de qual é “melhor” e mais de qual se encaixa no seu objetivo, prazo e tolerância à oscilação de curto prazo. Com a Selic em 14,50% ao ano e o Tesouro IPCA+ oferecendo juro real de aproximadamente 7,5% acima da inflação, ambos oferecem retorno atrativo. A diferença está no comportamento ao longo do tempo e no risco de marcação a mercado.
O que é o Tesouro Selic
O Tesouro Selic (antigo LFT — Letra Financeira do Tesouro) é um título pós-fixado atrelado à taxa Selic. Ele rende exatamente o que a Selic render no período de investimento — sem oscilações, sem risco de marcação a mercado e com liquidez diária garantida pelo Tesouro Nacional.
Características principais:
- Rendimento: Selic + pequena taxa (geralmente próxima de 0%);
- Liquidez: diária (pode resgatar a qualquer dia útil sem perda);
- Risco de mercado: praticamente zero — o preço não oscila com mudanças na taxa de juros;
- IR: tabela regressiva (de 22,5% a 15%), retido na fonte no resgate;
- Taxa B3: 0,2% ao ano sobre o saldo investido.
O que é o Tesouro IPCA+
O Tesouro IPCA+ (antigo NTN-B — Nota do Tesouro Nacional Série B) é um título híbrido: parte da rentabilidade é corrigida pelo IPCA (inflação), e a outra parte é uma taxa pré-fixada. Por exemplo, “IPCA+ 7,5% ao ano” significa que o título pagará a inflação medida pelo IPCA mais 7,5% ao ano de juro real.
Características principais:
- Rendimento: IPCA + taxa pré-fixada (ex: IPCA+ 7,5% a.a.);
- Liquidez: diária (mas com risco de marcação a mercado);
- Risco de mercado: médio a alto — o preço oscila conforme as expectativas de juros futuros;
- Proteção inflacionária: sim — o poder de compra do investimento é preservado;
- IR: tabela regressiva (de 22,5% a 15%), retido na fonte no resgate;
- Taxa B3: 0,2% ao ano.

A diferença crucial: marcação a mercado
Este é o ponto que mais confunde quem começa a investir no Tesouro Direto. O Tesouro IPCA+ tem marcação a mercado: o preço do título sobe ou cai no dia a dia conforme as expectativas de juros futuros mudam. Se os juros futuros sobem, o preço do título cai. Se os juros futuros caem, o preço sobe.
Na prática: quem comprou Tesouro IPCA+ 2031 a IPCA+ 7,5% ao ano e viu os juros futuros subirem para 8,5% ao ano pode ver o valor do título cair 5% a 10% se quiser vender antes do vencimento. Mas se carregar até o vencimento, recebe exatamente IPCA + 7,5% ao ano — sem perda.
O Tesouro Selic não tem esse problema: o preço sobe todos os dias de forma suave e linear, sem oscilações.
Comparativo direto
| Tesouro Selic | Tesouro IPCA+ | |
|---|---|---|
| Tipo de rendimento | Pós-fixado (Selic) | Híbrido (IPCA + taxa fixa) |
| Proteção à inflação | Indireta (Selic tende a superar IPCA) | Direta e garantida |
| Oscilação de preço | Nenhuma | Sim — pode cair antes do vencimento |
| Liquidez sem perda | Qualquer dia | Garantida só no vencimento |
| Rendimento atual | ~14,50% a.a. | IPCA + ~7,5% a.a. (~12,3% nominais) |
| Ideal para | Reserva, curto prazo | Aposentadoria, objetivos longos |
Quando escolher o Tesouro Selic
- Reserva de emergência: liquidez diária sem oscilação — é o produto certo para dinheiro que pode precisar amanhã;
- Prazo indefinido ou curto (menos de 2 anos): com Selic em 14,50%, o rendimento é excelente sem aceitar risco de oscilação;
- Quem não tolera ver o saldo cair: o Tesouro Selic só sobe — ideal para quem ficaria ansioso com oscilações do IPCA+;
- Quem quer simplicidade: rendimento previsível, fácil de acompanhar.
Quando escolher o Tesouro IPCA+
- Objetivo de longo prazo (5+ anos): a proteção real contra a inflação é mais valiosa quanto mais longo o horizonte. Em 20 ou 30 anos, preservar o poder de compra importa muito;
- Aposentadoria e planejamento de longo prazo: o IPCA+ garante que o dinheiro acumulado terá o mesmo poder de compra real no futuro;
- Momento de juro real alto (como agora): com IPCA+ 7,5% ao ano, travar essa taxa para o longo prazo é uma oportunidade que pode não se repetir se a Selic cair;
- Quem não precisará do dinheiro antes do vencimento: se você não vai resgatar antes da data do título, a oscilação de curto prazo não importa.
Juro real: por que IPCA+ 7,5% é alto
O juro real é o rendimento acima da inflação — o que realmente aumenta seu poder de compra. Com IPCA+ 7,5%, se a inflação for de 4,5% ao ano, você ganha 7,5% a mais que isso. Em 10 anos, R$ 100.000 compram quase o dobro de bens e serviços do que comprariam hoje, mesmo que os preços subirem.
Historicamente, o Brasil raramente ofereceu juro real tão alto por períodos longos. Em países desenvolvidos, juro real de 1% a 2% já é considerado bom. Um IPCA+ 7,5% em títulos do governo é uma condição excepcional — o que explica por que o juro real do Tesouro IPCA+ permanece alto mesmo após o corte da Selic.
FAQ
Tesouro IPCA+ ou Tesouro Selic: qual é mais seguro?
Ambos são garantidos pelo Tesouro Nacional — o mesmo risco de crédito. A diferença é o risco de mercado: o Tesouro Selic não oscila, enquanto o IPCA+ pode cair de preço antes do vencimento se os juros futuros subirem. Para quem carrega até o vencimento, o risco prático de ambos é equivalente.
Posso ter os dois?
Sim, e isso faz sentido para muitas carteiras. Tesouro Selic para a reserva de emergência e liquidez de curto prazo; Tesouro IPCA+ para os objetivos de longo prazo. A combinação equilibra previsibilidade e proteção inflacionária.
Com a Selic caindo, o Tesouro Selic vai render menos?
Sim. O Tesouro Selic é pós-fixado: se a Selic cair para 13%, o rendimento cai junto. Por isso, em ciclos de queda de juros, o Tesouro IPCA+ e os prefixados se tornam mais atrativos — porque travam a taxa maior antes da queda.
Qual o prazo mínimo para investir no Tesouro Direto?
Não há prazo mínimo. Você pode comprar e vender no dia seguinte. Mas para o Tesouro IPCA+, o ideal é manter até o vencimento para evitar o risco de marcação a mercado. Para o Tesouro Selic, pode resgatar quando quiser sem perda.
O Tesouro IPCA+ protege de toda a inflação?
Ele protege da inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Se a sua inflação pessoal for maior que o IPCA — por conta do seu padrão de consumo — a proteção pode ser parcial. Mas é a melhor proteção inflacionária disponível em renda fixa pública no Brasil.
Fonte: Tesouro Direto; Banco Central do Brasil.
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