A história da 99: de app de táxi criado por três amigos da USP ao primeiro unicórnio brasileiro

A 99 nasceu em 2012 com R$ 50 mil de investimento e virou o primeiro unicórnio brasileiro. Vendida à chinesa Didi Chuxing em 2018, hoje aposta em delivery e fintech em meio à pressão de motoristas por renda mínima.

A história da 99: de app de táxi criado por três amigos da USP ao primeiro unicórnio brasileiro

Uma viagem à Alemanha, um aplicativo de táxi que impressionou um estudante da USP, e R$ 50 mil de investimento inicial: foi assim que nasceu a primeira startup brasileira avaliada em US$ 1 bilhão. A história da 99 passa pela corrida contra a chegada da Uber ao Brasil, a venda para a gigante chinesa Didi Chuxing, e as apostas recentes em delivery e serviços financeiros — tudo isso em meio à pressão crescente de motoristas de aplicativo por renda mínima. Veja como isso aconteceu.

De uma viagem à Alemanha a uma casa em Jabaquara

Ariel Lambrecht, estudante de mecatrônica da Escola Politécnica da USP, voltou de uma viagem à Alemanha impressionado com o uso de aplicativos para chamar táxi — tecnologia ainda pouco conhecida no Brasil. Ele compartilhou a ideia com o colega de turma Renato Freitas, e os dois procuraram Paulo Veras, outro colega de faculdade com experiência empreendedora. Em junho de 2012, os três fundaram a 99 Táxi, com um investimento inicial de apenas R$ 50 mil, operando de uma casa no bairro do Jabaquara, na zona sul de São Paulo — um começo modesto para o que se tornaria, anos depois, a primeira empresa brasileira a atingir a marca de US$ 1 bilhão em valor de mercado.

99Pop, 99Top e a corrida contra a Uber

Com a chegada da Uber ao Brasil, a 99 precisou se reinventar rápido. A empresa lançou o 99Pop, permitindo viagens com motoristas particulares além dos táxis tradicionais, e o 99Top, categoria premium oferecida inicialmente em São Paulo. A expansão atraiu investidores internacionais, como os fundos Riverwood e SoftBank, e a empresa cresceu a ponto de se tornar, no início de 2018, a primeira startup brasileira avaliada em US$ 1 bilhão — o primeiro unicórnio do país.

Mão segurando smartphone com aplicativo de navegação dentro de um carro, ilustrando o uso de apps de transporte no dia a dia
Para competir com a Uber, a 99 lançou o 99Pop e o 99Top, ampliando sua oferta de transporte por app.

A venda para a chinesa Didi Chuxing

Em janeiro de 2018, a Didi Chuxing — rival chinesa da Uber que já detinha cerca de 30% da 99 — pagou US$ 960 milhões para assumir o controle da empresa brasileira, avaliando-a em US$ 1 bilhão. Do valor total, US$ 600 milhões foram destinados à compra de participações de investidores anteriores, permitindo a saída de quem havia apostado na startup desde o início. A 99 seguiu operando com marca própria no Brasil, mas passou a integrar o portfólio global da gigante chinesa de mobilidade, que também controla operações de transporte em outros países da América Latina e concorre diretamente com a Uber em escala mundial.

Logotipo oficial do aplicativo 99
Em 2018, a chinesa Didi Chuxing pagou US$ 960 milhões pelo controle da 99, então avaliada em US$ 1 bilhão.

De volta ao delivery, aposta na fintech e a pressão dos motoristas

Em 2019, a 99 lançou o 99Food, delivery de comida focado em cidades menores para evitar concorrência direta com o iFood — serviço encerrado em 2023 e relançado em abril de 2025, com um investimento de R$ 1 bilhão para transformar a 99 num “super app”. Em paralelo, a 99Pay, lançada em 2020, avançou na área financeira: em julho de 2026, recebeu autorização do Banco Central para operar como Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento, podendo emitir produtos de renda fixa como CDBs. Ao mesmo tempo, 2026 trouxe pressão crescente dos motoristas de aplicativo: entidades como a Fembrapp e a Amasp convocaram uma greve nacional de 24 horas por renda mínima, com adesão estimada pelas próprias entidades em cerca de 70% da categoria. A 99 afirma ter sido a primeira plataforma a oferecer uma taxa de serviço garantida, limitada a no máximo 19,99% semanais sobre os ganhos dos motoristas — parte de um esforço da empresa para reter motoristas num mercado cada vez mais disputado com a Uber e outras plataformas.

Mãos realizando pagamento por aproximação com smartphone em maquininha, ilustrando a expansão da 99 para serviços financeiros com a 99Pay
Além do transporte, a 99 aposta em serviços financeiros com a 99Pay, autorizada pelo Banco Central em 2026.

Leia também: A história do iFood: do guia impresso de restaurantes à gigante que venceu a guerra do delivery, A história do Mercado Livre: de site de leilões a gigante da logística e do banco digital, A história da PagSeguro: da maquininha ao banco digital PagBank e Do Zero ao Bilhão: Os Milionários da Internet.

Fontes: Wikipédia — 99 (aplicativo), Mobile Time — Como a 99 surgiu e se tornou o primeiro unicórnio brasileiro, Exame — Chinesa DiDi compra a 99, o primeiro unicórnio brasileiro e Exame — 99 anuncia volta da 99Food e R$ 1 bilhão de investimento.

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