A história da PagSeguro: da maquininha ao banco digital PagBank
A PagSeguro nasceu do UOL em 2007 como ferramenta de pagamento online, virou sinônimo de maquininha de cartão, sobreviveu a uma crise regulatória em 2021 e hoje é o PagBank, banco digital com 34 milhões de clientes.

Antes de virar um banco digital com mais de 34 milhões de clientes, a PagSeguro era só uma ferramenta de pagamento dentro do portal UOL. A história da empresa passa pela popularização da maquininha de cartão entre pequenos comerciantes, um IPO bilionário em Nova York, uma proposta do Banco Central que derrubou suas ações pela metade em 2021, e a transformação final em PagBank. Veja como isso aconteceu.
De ferramenta de pagamento online à maquininha física
Em 20 de janeiro de 2006 nasceu a BRPay, a primeira plataforma de pagamento online do Brasil. Em janeiro de 2007, o portal UOL comprou a empresa, e o serviço passou a se chamar PagSeguro — inicialmente uma ferramenta para lojas virtuais receberem pagamentos pela internet. Nos anos seguintes, a empresa deu o passo que mudaria sua identidade: entrou no mercado de maquininhas físicas de cartão, voltadas para pequenos comerciantes e autônomos que antes não tinham acesso a esse tipo de tecnologia. A maquininha amarela se tornou tão popular que o nome “PagSeguro” virou sinônimo do próprio aparelho para milhões de microempreendedores brasileiros — o início da chamada “guerra das maquininhas”, disputa por mercado que também levaria rivais como Cielo, Rede e, mais tarde, StoneCo a competir por espaço nos balcões do pequeno comércio brasileiro.

O IPO bilionário em Nova York
Em 26 de janeiro de 2018, a PagSeguro Digital fez seu IPO na Bolsa de Nova York (NYSE), captando US$ 2,3 bilhões — um dos maiores IPOs globais do primeiro trimestre daquele ano e o quarto maior da história do setor de tecnologia até então. A oferta avaliou a empresa em bilhões de dólares e consolidou a PagSeguro, ao lado da rival StoneCo, como uma das líderes do mercado brasileiro de meios de pagamento, num momento em que as maquininhas coloridas disputavam espaço em balcões de todo o país.
A crise regulatória de 2021
Em outubro de 2021, o Banco Central abriu uma consulta pública propondo limitar em 0,5% a taxa de intercâmbio cobrada em transações com cartões pré-pagos — ante uma média de 1,5% praticada até então. O impacto em potencial era enorme: segundo estimativas do mercado, as tarifas de cartões pré-pagos respondiam por 50% a 60% da receita do PagBank, o que poderia reduzir o lucro por ação da empresa em até 16%, na conta do JP Morgan. As ações da PagSeguro chegaram a cair 11,5% num único dia com o anúncio da consulta, e acumularam queda de quase 73% em 12 meses — o mesmo ano em que a rival StoneCo enfrentava sua própria crise, ligada a uma falha distinta no sistema de registro de recebíveis.

De PagSeguro a PagBank: o banco digital completo
Em maio de 2023, a empresa unificou suas marcas sob o nome PagBank, reforçando sua transição de “maquininha” para banco digital completo — com conta gratuita, cartões de crédito e débito, empréstimo consignado, capital de giro, investimentos e seguros, tudo dentro de um único aplicativo que a empresa passou a chamar de “super app”. A aposta se provou acertada: no segundo trimestre de 2026, o PagBank registrou lucro líquido recorrente de R$ 576 milhões (alta de 1,9% sobre um ano antes), carteira de crédito de R$ 5,1 bilhões (+31%), 34,1 milhões de clientes e volume transacionado de R$ 133,4 bilhões no período. A empresa que começou como uma ferramenta de pagamento dentro de um portal de internet e quase teve o modelo de negócio abalado por uma única proposta regulatória hoje é um dos maiores bancos digitais do país.

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Fontes: InfoMoney — PagSeguro, do UOL, levanta US$ 2,3 bilhões em IPO em Nova York, Poder360 — Ações do PagSeguro despencam depois de BC propor mudar regras para pré-pagos, Brazil Journal — PagSeguro desaba com barulho regulatório e Bloomberg Línea — PagSeguro vira PagBank e mira banco completo.
