Miojo é japonês? Quem é o dono da Nissin e de onde veio o nome Miojo
O Miojo é da japonesa Nissin, mas o nome nasceu no Brasil, numa empresa de 1965. Veja quem é o dono da Nissin, como ela comprou a parte da Ajinomoto e a curiosa origem da palavra miojo.

O Miojo é da japonesa Nissin, mas o nome nasceu no Brasil. O macarrão instantâneo foi inventado no Japão em 1958 por Momofuku Ando, fundador da Nissin. Já a palavra “miojo” vem de uma empresa fundada no estado de São Paulo em 1965, a Miojo Produtos Alimentícios, que anos depois virou a Nissin brasileira. Hoje, a Nissin Foods do Brasil pertence 100% à Nissin Foods Holdings, de Tóquio.
Veja abaixo quem é o dono da Nissin, como a japonesa dividiu a empresa com a Ajinomoto por 40 anos e a curiosa história do nome que virou sinônimo de macarrão instantâneo.
Quem é o dono da Nissin
A operação brasileira é uma subsidiária integral da Nissin Foods Holdings, empresa japonesa com ações na bolsa de Tóquio. Entidades ligadas à família Ando, como a Fundação Ando, estão entre os maiores acionistas do grupo. O presidente e CEO é Koki Ando, filho de Momofuku Ando, o inventor do macarrão instantâneo. No ano fiscal encerrado em março de 2026, o grupo faturou 788,1 bilhões de ienes, cerca de R$ 29,2 bilhões.
A Nissin ficou com 100% da empresa brasileira em 30 de outubro de 2015, quando concluiu a compra da metade que pertencia à Ajinomoto, depois da aprovação do Cade. O preço foi de 32,5 bilhões de ienes, cerca de R$ 1 bilhão na época. Naquele momento, a empresa, então chamada Nissin-Ajinomoto Alimentos, tinha cerca de 65% do mercado brasileiro de macarrão instantâneo, segundo a Ajinomoto.
O Miojo é japonês ou brasileiro?
Os dois, em partes diferentes. O produto é uma invenção japonesa, e a dona da marca é japonesa. O nome, porém, é brasileiro. A palavra vem da empresa que fabricou macarrão instantâneo pela primeira vez no Brasil e ficou tão famosa que virou nome genérico do produto, a ponto de entrar no dicionário Houaiss como sinônimo de macarrão instantâneo.
A fabricação também é nacional. O Miojo vendido no Brasil sai de fábricas da Nissin em Ibiúna (SP) e Glória do Goitá (PE). E há sabores que só existem aqui: segundo a Nissin, o de galinha caipira, o preferido dos brasileiros, foi criado para o paladar local e não é vendido em outros países.
É um caso parecido com o do Toddy, marca estrangeira que se tornou tão brasileira que pouca gente lembra que ela veio de fora.
1958: Momofuku Ando inventa o macarrão instantâneo
O macarrão instantâneo nasceu no Japão do pós-guerra. Momofuku Ando, empresário nascido em Taiwan e naturalizado japonês, queria criar um alimento barato, fácil de preparar e que durasse na despensa. Depois de meses de tentativa e erro num pequeno galpão em Ikeda, perto de Osaka, ele lançou em 25 de agosto de 1958 o Chicken Ramen, um macarrão frito e temperado que ficava pronto com água quente. A Nissin celebra o Dia do Miojo em 25 de agosto em homenagem a essa invenção.
Em 1971, Ando lançou o Cup Noodles, o macarrão no copo, que espalhou o produto pelo mundo. Ele morreu em 2007, e a empresa segue sob o comando da família.

1965: a Miojo, empresa brasileira que deu nome ao produto
O macarrão instantâneo chegou ao Brasil em 1965, com a fundação da Miojo Produtos Alimentícios Ltda., no estado de São Paulo. A data aparece no comunicado oficial da Ajinomoto sobre a empresa, e é por isso que a Nissin comemorou 60 anos no Brasil em 2025, embora ela própria só tenha entrado no negócio dez anos depois.
A origem do nome tem uma história curiosa, contada em 2015 por Masaki Kato, ex-diretor de propriedade intelectual da Nissin, numa palestra em São Paulo. Segundo ele, a fábrica brasileira foi aberta pelo taiwanês Ko Kim Pyo, que registrou a empresa como “Myojo”. Só que já existia no Japão uma fabricante de massas chamada Myojo Foods, que entrou na Justiça contra ele. A saída foi trocar uma letra: Myojo virou Miojo. Outras versões falam em três imigrantes chineses como fundadores; não há documento público que resolva a dúvida.
A história ganhou um final irônico. Entre 2006 e 2007, a própria Nissin comprou a japonesa Myojo Foods, depois de uma disputa com um fundo americano. Hoje, as duas marcas, a Myojo do Japão e a Miojo do Brasil, estão no mesmo grupo.

1972 a 2015: os 40 anos de sociedade com a Ajinomoto
A Miojo não ficou muito tempo nas mãos dos fundadores. Segundo a Ajinomoto, ela própria entrou no capital da empresa em 1972, e a Nissin, em 1975. As duas japonesas viraram sócias meio a meio, e a companhia passou a se chamar Nissin-Ajinomoto Alimentos. Em 1981, abriu a fábrica de Ibiúna, no interior paulista, que funciona até hoje.
A sociedade durou 40 anos. Em 27 de agosto de 2015, a Ajinomoto anunciou a venda da sua metade para a Nissin. A explicação oficial foi que a Ajinomoto preferia concentrar seus recursos no Brasil em temperos, como o próprio Ajinomoto e o Sazón, em vez de manter um negócio de macarrão que levava a marca da sócia. Em 2014, a empresa brasileira tinha faturado cerca de R$ 695 milhões e empregava 1.732 pessoas.
A venda foi concluída em 30 de outubro de 2015, por meio de uma subsidiária brasileira da Nissin. Hoje, a operação usa o nome Nissin Foods do Brasil.

As fábricas da Nissin no Brasil
A fábrica do Paraná foi anunciada em dezembro de 2023 e escolhida pela proximidade com Argentina, Paraguai e Uruguai. Segundo a empresa, a Nissin brasileira fabrica 55 produtos para o mercado nacional e 25 para exportação, 12 deles feitos só para fora. O Brasil é o 11º maior consumidor de macarrão instantâneo do mundo, segundo a Associação Mundial de Macarrão Instantâneo (WINA), citada pela Nissin em 2025.
Resumo: de quem é o Miojo
O Miojo é da Nissin Foods do Brasil, que pertence 100% à japonesa Nissin Foods Holdings, que tem entre os maiores acionistas entidades da família Ando, do inventor do macarrão instantâneo. O nome, porém, é brasileiro: vem da Miojo Produtos Alimentícios, fundada em 1965 em São Paulo, que teve a Ajinomoto e a Nissin como sócias a partir dos anos 1970 e ficou só com a Nissin em 2015.
Para outras marcas que o brasileiro trata como nacionais, leia sobre o Toddy, da PepsiCo, e a Kibon, da Magnum. E, para uma gigante de alimentos que continua com a família fundadora brasileira, veja a Piracanjuba.
Perguntas frequentes sobre o Miojo e a Nissin
O Miojo é japonês?
Sim e não. A dona é a japonesa Nissin Foods, e o macarrão instantâneo foi inventado no Japão em 1958. Mas o nome Miojo nasceu no Brasil: era o nome de uma empresa fundada em São Paulo em 1965, que depois virou a Nissin brasileira. O produto vendido aqui é fabricado no Brasil.
Quem é o dono da Nissin?
A Nissin Foods do Brasil pertence 100% à japonesa Nissin Foods Holdings, empresa com ações na bolsa de Tóquio. Entidades da família Ando, do inventor do macarrão instantâneo, estão entre os maiores acionistas, e o presidente do grupo é Koki Ando, filho do fundador.
A Nissin é da Ajinomoto?
Não mais. A Nissin e a Ajinomoto foram sócias meio a meio na empresa brasileira, chamada Nissin-Ajinomoto Alimentos, de 1975 a 2015. Em outubro de 2015, a Nissin comprou a metade da Ajinomoto por 32,5 bilhões de ienes e ficou com 100%.
Por que o macarrão instantâneo se chama miojo?
Por causa da Miojo Produtos Alimentícios, a empresa que começou a fabricar macarrão instantâneo no Brasil em 1965. A marca ficou tão conhecida que virou sinônimo do produto e entrou no dicionário Houaiss. Segundo um ex-diretor da Nissin, o nome original era Myojo e foi mudado depois de uma ação de uma empresa japonesa homônima.
Onde o Miojo é fabricado?
No Brasil, a Nissin tem fábricas em Ibiúna (SP), desde 1981, e em Glória do Goitá (PE), desde 2012. Uma terceira fábrica, de R$ 1,05 bilhão, está sendo construída em Ponta Grossa (PR), com início das operações previsto para o começo de 2027.
Fontes: Ajinomoto — venda da participação na Nissin-Ajinomoto Alimentos (27/08/2015), Nissin Foods Holdings — conclusão da compra (bolsa de Tóquio, 30/10/2015), Nissin Foods Holdings — resultados do ano fiscal de 2007 (compra da Myojo Foods), Times Brasil — fábrica no Paraná (20/08/2026), Mundo do Marketing — 60 anos de Miojo no Brasil (25/08/2025), Made in Japan — por que o macarrão instantâneo é chamado de miojo (13/03/2015) e GiroNews — negociação bilionária (2015).