IRDM11: o que aconteceu com o Iridium Recebíveis, a fusão com o IRIM11 e o relatório gerencial
O IRDM11 foi incorporado pelo IRIM11 e saiu da bolsa em 2025. Veja a história, por que a fusão foi polêmica, o que os cotistas receberam e o IRIM11 hoje.

Atualizado em: 21 de outubro de 2026
O IRDM11 não existe mais: o fundo Iridium Recebíveis Imobiliários foi incorporado pelo IRIM11, outro fundo da mesma gestora, e saiu da bolsa no fim de 2025. O último dia de negociação foi 23 de outubro de 2025. Em 2 de dezembro, cada cotista recebeu cerca de 88 cotas do IRIM11 para cada 100 cotas do IRDM11, além de um valor em dinheiro.
Se você chegou aqui procurando o relatório gerencial do IRDM11, ele deixou de ser publicado: os ativos do fundo agora fazem parte do IRIM11, e é o relatório deste que importa. Nesta página você encontra a história completa do IRDM11, de 2018 ao fim, com os bons momentos e as crises, por que a fusão foi polêmica, o que mudou para os cotistas (inclusive no Imposto de Renda) e como está o IRIM11 em 2026.
Fundo: Iridium Recebíveis Imobiliários (IRDM11), de CRIs.
Gestora: Iridium Gestão de Recursos. Administrador: BTG Pactual.
Vida na bolsa: de março de 2018 a 23 de outubro de 2025.
Destino: incorporado pelo IRIM11 (Iridium Fundo de Investimento Imobiliário).
Troca: cerca de 0,88 cota do IRIM11 por cota do IRDM11, mais dinheiro.
Entrega das novas cotas: 2 de dezembro de 2025.
Cotistas no fim: cerca de 259 mil (outubro de 2025).
O que era o IRDM11?
O IRDM11 era um fundo imobiliário de papel. Em vez de comprar prédios, emprestava dinheiro ao setor imobiliário por meio de CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), títulos de dívida de incorporadoras, loteadoras, shoppings e outras empresas, com garantias em imóveis e recebíveis. Os juros desses títulos, a maioria corrigida pelo IPCA, eram repassados aos cotistas todo mês.
A gestão era da Iridium Gestão de Recursos, e a administração, do BTG Pactual. O fundo estreou na bolsa em março de 2018 e fez 13 ofertas de cotas ao longo da vida, segundo a página oficial do fundo. Para entender a diferença entre fundos de papel e de tijolo, veja FII de papel, tijolo ou híbrido.

A história do IRDM11
Os números de cotistas e patrimônio abaixo vêm dos informes mensais do fundo entregues à CVM.
- 2018, a estreia: o IRDM11 começou com pouco mais de 2 mil cotistas e R$ 100 milhões de patrimônio. A cota valia cerca de R$ 95 pelo valor patrimonial.
- 2019 a 2021, a explosão: com os juros baixos e a onda de novos investidores na bolsa, os fundos de CRI viraram febre por pagarem rendimentos altos e isentos. O IRDM11 passou de 29 mil cotistas em 2019 para 121 mil em 2020 e 222 mil em 2021. O patrimônio saltou para R$ 3,2 bilhões. O valor patrimonial da cota atingiu o pico em novembro de 2019, R$ 101,40.
- 2023, o caso Gramado Parks: em março, o grupo de parques temáticos de Gramado (RS), dono do Snowland, conseguiu na Justiça suspender por 60 dias os pagamentos de CRIs que tinha com vários fundos imobiliários. O IRDM11 estava exposto direta e indiretamente: tinha 2,96% do fundo Serra Verde (SRVD11), também afetado, segundo o InfoMoney. As cotas caíram, e o grupo depois entrou em recuperação judicial.
- Outubro de 2023, o auge em cotistas: o fundo chegou a 295.299 investidores, o maior número da sua história.
- 2024 e 2025, a conta dos CRIs problemáticos: a gestão passou a guardar parte do resultado como reserva para inadimplências e chegou a ter execuções de garantias em andamento. O valor patrimonial da cota caiu de R$ 87,37 no fim de 2023 para R$ 80,30 no fim de 2024 e R$ 78,62 em outubro de 2025, 22% abaixo do pico.
- Julho de 2025, a proposta de fusão: a Iridium anunciou, em fato relevante de 15 de julho, o plano de extinguir o IRDM11 e transferir tudo para o IRIM11. A proposta gerou críticas, como explicamos abaixo.
- Outubro a dezembro de 2025, o fim: os cotistas aprovaram a operação em assembleia. O IRDM11 teve seu último pregão em 23 de outubro e pagou seu último rendimento, de R$ 1,25 por cota. Os ativos foram transferidos ao IRIM11 em 18 de novembro, e as novas cotas chegaram às contas dos investidores em 2 de dezembro.

Por que a fusão com o IRIM11 foi polêmica?
Na proposta original, apresentada em julho de 2025, a Iridium defendia que juntar os dois fundos daria mais escala, liquidez e diversificação. Mas a operação recebeu críticas de analistas e cotistas, reunidas pela Nord Investimentos:
- Um prédio vazio no pacote: a proposta previa uma nova emissão de até R$ 120 milhões para comprar um fundo dono de um prédio corporativo na região da Avenida Chucri Zaidan, em São Paulo, que estava vago e sem gerar renda, com a meta de “valorização futura”.
- Mudança de perfil: o IRDM11 atraía quem buscava renda mensal previsível. O novo mandato era mais flexível, com espaço para buscar ganho de capital.
- Taxa de performance: o regulamento original do IRIM11 previa taxa de performance. Depois da reação dos cotistas, a gestora a retirou.
- Quórum difícil: a aprovação exigia votos de pelo menos 25% das cotas, um desafio num fundo com mais de 275 mil cotistas, quase todos pessoas físicas.
- Imposto de Renda: para a Receita, a operação equivale a uma venda das cotas do IRDM11. Quem não informasse o custo médio de compra poderia pagar imposto sobre um lucro que não teve.

O que os cotistas do IRDM11 receberam?
Quem ainda tinha cotas do IRDM11 ao fim das negociações recebeu cerca de 0,88 cota do IRIM11 para cada cota do IRDM11. Na prática, 100 cotas viraram 88 cotas inteiras, e a fração restante foi vendida em leilão na B3, com o dinheiro depositado depois. Também houve repasse de valores em caixa. As novas cotas apareceram primeiro como recibos (com códigos como IRIM15) e depois viraram IRIM11.
As cotas do IRIM11 foram emitidas pelo valor patrimonial, e o do IRIM11 era de R$ 83,39 em 31 de outubro de 2025, segundo o relatório da Iridium. Para o IR, os cotistas precisavam informar o custo médio entre 28 de outubro e 26 de novembro de 2025, segundo a Nord. Quem vendeu as cotas com lucro, ou recebeu a amortização acima do custo, pode ter imposto de 20% sobre o ganho a pagar.
Confira o informe de rendimentos da corretora e do administrador (BTG Pactual) de 2025. Na declaração, as cotas do IRDM11 saem da lista de bens, e as do IRIM11 entram com o custo indicado. Se o custo usado estiver errado, procure a corretora e o administrador. Em caso de dúvida, consulte um contador.
Como está o IRIM11 depois da fusão?
O IRIM11 nasceu em maio de 2021 como um fundo pequeno, com cerca de 2,5 mil cotistas e R$ 160 milhões de patrimônio. Com a incorporação, virou um fundo de R$ 3 bilhões. Os dados da CVM mostram o salto: de 3.668 cotistas em novembro para 226.197 em dezembro de 2025.
Desde então, porém, muitos ex-cotistas do IRDM11 saíram. Em setembro de 2026, eram 195.004 cotistas, cerca de 31 mil a menos que em dezembro. O patrimônio era de R$ 2,92 bilhões, e o valor patrimonial, de R$ 82,79 por cota, segundo os dados abertos da CVM.
Fevereiro de 2026
Junho de 2026
Julho a setembro de 2026
Em julho de 2026, a cota era negociada a R$ 66,04, cerca de 18% abaixo do valor patrimonial de R$ 83,83, segundo a Forbes. Ou seja: quem recebeu as cotas pelo valor patrimonial de R$ 83,39 via, meses depois, o preço de mercado bem abaixo disso. A carteira tinha 73,9% em CRIs, 18,6% em cotas de outros fundos imobiliários e 7,9% em caixa. Os maiores setores dos CRIs eram geração distribuída de energia (20%), shoppings (13%) e loteamentos residenciais (13%). As taxas somam 0,98% ao ano (0,15% de administração e 0,83% de gestão).

O que o caso IRDM11 ensina?
- Fundos podem acabar: um FII pode ser incorporado, liquidado ou mudar de estratégia por decisão em assembleia. Ler os fatos relevantes e votar faz diferença.
- Rendimento alto tem preço: CRIs que pagam mais costumam ter devedores mais arriscados. Inadimplências como a da Gramado Parks corroeram o valor patrimonial do fundo ao longo dos anos.
- Guarde o custo médio: em fusões e incorporações, a Receita pode tratar a troca como venda. Manter o preço médio de compra atualizado evita pagar imposto a mais.
- Desconto não é sinônimo de barganha: a cota abaixo do valor patrimonial pode refletir dúvidas reais do mercado sobre a carteira.
Para comparar com fundos que seguem na bolsa, veja as páginas do MXRF11, o maior fundo de papel do país em cotistas, e do KNRI11, um fundo de tijolo. E, para entender os números dos relatórios, veja como ler um relatório gerencial de FII.

Dados mais recentes do IRIM11 (sucessor do IRDM11)
Rendimento: R$ 0,75 por cota (setembro), pago em 19/10/2026.
Valor patrimonial: R$ 82,79 por cota (setembro).
Patrimônio líquido: R$ 2,92 bilhões.
Cotistas: 195.004 (eram 226.197 em dezembro de 2025).
Cotas: 35.225.947.
Taxas: 0,98% ao ano, somando administração e gestão.
Fontes: informe mensal de setembro de 2026 entregue à CVM e notícias sobre os comunicados do fundo.
Esta página não traz recomendação de compra ou venda.
Perguntas frequentes sobre o IRDM11
O IRDM11 ainda existe?
Não. O IRDM11 foi incorporado pelo IRIM11, da mesma gestora, a Iridium. O último dia de negociação foi 23 de outubro de 2025, e as novas cotas foram entregues em 2 de dezembro de 2025.
Quantas cotas do IRIM11 recebi por cota do IRDM11?
Cerca de 0,88 cota do IRIM11 por cota do IRDM11. Quem tinha 100 cotas recebeu 88 cotas inteiras, e a fração foi vendida em leilão, com o valor depositado depois, além de eventuais valores em caixa.
Onde está o relatório gerencial do IRDM11?
Os relatórios antigos ficam no site da Iridium, mas não há relatórios novos. Desde novembro de 2025, os ativos do IRDM11 aparecem no relatório mensal do IRIM11.
Por que o IRDM11 foi incorporado?
A gestora Iridium defendeu que unir as carteiras daria mais escala, liquidez e diversificação. A proposta foi criticada por incluir a compra de um prédio vago e mudar o perfil do fundo, mas foi aprovada em assembleia.
Preciso declarar a troca no Imposto de Renda?
Sim. Para a Receita, a operação equivale a uma venda das cotas do IRDM11. As cotas do IRDM11 saem da declaração e as do IRIM11 entram. Se houve ganho, pode haver imposto de 20%. Em caso de dúvida, consulte um contador.
Quanto o IRIM11 paga de dividendos?
Em 2026, o IRIM11 pagou de R$ 0,69 a R$ 1,18 por cota por mês. O rendimento de setembro foi de R$ 0,75, pago em 19 de outubro de 2026.
O que foi o caso Gramado Parks?
Em 2023, o grupo de parques de Gramado (RS) suspendeu na Justiça os pagamentos de CRIs que tinha com vários fundos imobiliários, entre eles o IRDM11, e depois entrou em recuperação judicial.
Quem é a gestora do IRIM11?
A Iridium Gestão de Recursos, a mesma que geria o IRDM11. O administrador é o BTG Pactual Serviços Financeiros.