A história da WEG: de uma oficina em Jaraguá do Sul à 3ª maior empresa da B3

Conheça a história da WEG, fundada em 1961 por um eletricista, um administrador e um mecânico, e como ela virou a 3ª maior empresa da bolsa brasileira.

A história da WEG: de uma oficina em Jaraguá do Sul à 3ª maior empresa da B3

Atualizado em: 21 de julho de 2026

Em 16 de setembro de 1961, um eletricista, um administrador e um mecânico se juntaram em Jaraguá do Sul, no interior de Santa Catarina, com um investimento equivalente ao preço de um Fusca para abrir uma pequena fábrica de motores elétricos. Mais de sessenta anos depois, a empresa que eles batizaram de Eletromotores Jaraguá — e que logo passaria a se chamar WEG, em referência às iniciais dos três fundadores — se tornou uma das maiores fabricantes de equipamentos elétricos do mundo e, em 2025, ultrapassou a Vale para virar a terceira maior empresa listada da B3.

Os três sócios por trás do nome WEG

Werner Ricardo Voigt (eletricista), Eggon João da Silva (administrador) e Geraldo Werninghaus (mecânico) uniram habilidades complementares para fundar a empresa. O nome “WEG” nasceu simplesmente das iniciais dos três: Werner, Eggon e Geraldo. É um detalhe simples, mas que resume bem o espírito da fundação: uma sociedade equilibrada entre quem entendia de engenharia elétrica, quem sabia administrar o negócio e quem sabia colocar a mão na massa para fabricar.

Vista aérea de Jaraguá do Sul (SC), cidade onde a WEG foi fundada em 1961
Jaraguá do Sul (SC): de sede de uma pequena oficina em 1961 a polo industrial que ainda concentra parte da produção da WEG. Foto: Giro720/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

Da oficina à bolsa de valores em uma década

O crescimento inicial foi rápido para os padrões da época. Em 1970, menos de dez anos após a fundação, a WEG já exportava motores elétricos para outros países da América Latina. Em 1971, a empresa abriu capital na Bolsa de Valores de São Paulo — um passo raro para uma indústria do interior catarinense naquele momento, e que ajudaria a financiar as próximas décadas de expansão.

De motores elétricos a um portfólio industrial completo

Durante os anos 1980, a WEG deixou de ser apenas uma fabricante de motores e passou a diversificar o portfólio: entrou em componentes eletrônicos, automação industrial, transformadores de potência e, de forma menos óbvia para uma empresa de eletromecânica, também em tintas e vernizes industriais — um negócio de revestimentos que se conecta tecnicamente à proteção de motores e equipamentos contra corrosão. Essa diversificação deu à empresa um portfólio mais resiliente, menos dependente de um único produto ou ciclo de demanda.

Uma multinacional brasileira pouco comum

Hoje a WEG vende para cerca de 140 países e mantém produção própria em 15 deles, com fábricas em lugares como Índia, México, Portugal, China, Argentina e Estados Unidos, além do polo original em Santa Catarina. São aproximadamente 40 mil funcionários no mundo todo. É um perfil raro entre as empresas brasileiras: a maioria das multinacionais do país cresceu por meio de commodities (Vale, Petrobras) ou serviços financeiros (Itaú, Nubank); a WEG construiu escala internacional vendendo bens de capital — equipamentos que outras indústrias usam para produzir.

Parte dessa expansão recente veio por aquisição: em 2024, a WEG comprou a divisão de motores e geradores elétricos industriais da americana Regal Rexnord, incorporando marcas como Marathon, Cemp e Rotor ao grupo — um movimento que reforça a presença da empresa no mercado americano e europeu.

A aposta em energia renovável e eletrificação

Nos últimos anos, a WEG também passou a fornecer geradores para turbinas eólicas — tecnologia essencial em parques como os do litoral do Rio Grande do Norte, um dos berços da energia eólica no Brasil — e ampliou a presença em soluções de armazenamento de energia e eletrificação. Em 2019, a empresa fechou parceria com a Embraer para desenvolver motores elétricos aplicados à aviação, movimento que também aproximou a WEG do projeto de “carros voadores” elétricos (eVTOL) da Eve Air Mobility, braço da Embraer. Antes disso, em 2012, já havia firmado parceria com a canadense Ballard Power Systems para avançar em células de combustível a hidrogênio.

Parque eólico de Rio do Fogo, no Rio Grande do Norte, com dezenas de turbinas eólicas em operação
Parques eólicos como o de Rio do Fogo (RN) fazem parte da frente de energia renovável que a WEG passou a atender com geradores para turbinas eólicas. Foto: Marcos Elias de Oliveira Júnior/Wikimedia Commons (CC0).

Como a WEG virou a 3ª maior empresa da B3

Em janeiro de 2025, a WEG (WEGE3) ultrapassou a Vale (VALE3) em valor de mercado pela primeira vez de forma consistente, consolidando-se como a terceira maior empresa listada da B3. O contraste entre as duas companhias naquele ano foi marcante: enquanto as ações da Vale caíram 22,8% em 2024, pressionadas pela retração no mercado de commodities, as ações da WEG subiram 45,53% no mesmo período, refletindo o crescimento consistente em mercados internacionais e resultados financeiros sólidos.

Isso não significa que a trajetória seja sempre em linha reta. No primeiro trimestre de 2026, a WEG reportou receita líquida de R$ 9,46 bilhões, queda de 6,1% na comparação anual, e lucro líquido de R$ 1,45 bilhão, recuo de 5,7% — resultado abaixo do consenso de mercado. A empresa citou um ciclo de demanda mais fraco e o efeito do câmbio como fatores da desaceleração: a receita no mercado doméstico caiu 19,5%, enquanto a receita no mercado externo ainda cresceu 4,5%. Analistas têm apontado a retomada do segmento de transmissão e distribuição de energia, esperada a partir de 2027, como o principal gatilho para reacelerar o crescimento.

Operadores acompanham painéis de cotações no pregão da B3 (Bolsa de Valores de São Paulo)
A WEG (WEGE3) hoje figura entre as maiores empresas listadas na B3. Foto: Rafael Matsunaga/Wikimedia Commons (CC BY 2.0).

O que explica o sucesso de longo prazo da WEG

  • Crescimento predominantemente orgânico: ao contrário de boa parte das grandes empresas brasileiras, a WEG cresceu majoritariamente reinvestindo lucro e abrindo fábricas próprias, recorrendo a aquisições de forma mais pontual — como a compra da divisão da Regal Rexnord em 2024;
  • Diversificação de produtos e geografias: motores, geradores, transformadores, automação, tintas e, mais recentemente, energia renovável e eletrificação reduzem a dependência de um único mercado;
  • Presença global equilibrada: com receita relevante tanto no Brasil quanto no exterior, a empresa consegue compensar parcialmente ciclos fracos domésticos com demanda internacional — como mostrou o próprio resultado do 1T26;
  • Décadas de histórico na bolsa: capital aberto desde 1971 deu à WEG acesso a capital de longo prazo para financiar expansão sem depender só de dívida.

Leitura prática para quem acompanha WEGE3

  • a WEG é hoje uma tese de exposição à eletrificação industrial global, não só ao mercado brasileiro — mais da metade da receita já vem do exterior;
  • resultados trimestrais mais fracos, como o do 1T26, não necessariamente mudam a tese de longo prazo — vale acompanhar se a desaceleração é conjuntural (câmbio, ciclo de demanda) ou estrutural;
  • o segmento de transmissão e distribuição de energia é um catalisador citado por analistas para a retomada de crescimento a partir de 2027 — bom tema para monitorar em resultados futuros;
  • comparar a trajetória de WEGE3 com a de VALE3 é um exercício didático sobre como setores diferentes (indústria de valor agregado vs. commodities) reagem de forma distinta a ciclos econômicos.

Conclusão

A história da WEG é, antes de tudo, uma história de continuidade: uma empresa fundada por três sócios com um investimento modesto em 1961 que, décadas depois, ainda opera sob a mesma lógica de crescimento gradual, diversificação de produtos e disciplina financeira. Virar a terceira maior empresa da B3 não veio de um único evento, mas do acúmulo de décadas de expansão — da primeira exportação em 1970 à aquisição da divisão da Regal Rexnord em 2024.

Para o investidor brasileiro, a WEG segue como um dos poucos exemplos domésticos de multinacional industrial de capital aberto, com uma trajetória que vale acompanhar tanto pelo que já construiu quanto pelos próximos capítulos — eletrificação, energia renovável e a retomada esperada em transmissão e distribuição de energia.

FAQ

Quando a WEG foi fundada?

Em 16 de setembro de 1961, em Jaraguá do Sul (SC), por Werner Ricardo Voigt, Eggon João da Silva e Geraldo Werninghaus. A empresa se chamava originalmente Eletromotores Jaraguá.

De onde vem o nome WEG?

Das iniciais dos três fundadores: Werner, Eggon e Geraldo.

A WEG realmente ultrapassou a Vale em valor de mercado?

Sim. Em janeiro de 2025, a WEG (WEGE3) passou a ter valor de mercado consistentemente maior que o da Vale (VALE3), tornando-se a 3ª maior empresa listada da B3.

O que a WEG produz hoje, além de motores elétricos?

Geradores, transformadores, automação industrial, tintas e vernizes, além de soluções para energia renovável (como geradores para turbinas eólicas), armazenamento de energia e motores elétricos aplicados à aviação, em parceria com a Embraer.

Por que os resultados da WEG desaceleraram no 1T26?

A empresa citou um ciclo de demanda mais fraco e o efeito do câmbio. A receita caiu 19,5% no mercado doméstico, mas ainda cresceu 4,5% no mercado externo — mostrando que a diversificação internacional amorteceu parte do impacto.

Fontes: WEG — Nossos Fundadores, Wikipedia (WEG S.A.), Diário da Jaraguá, Seu Dinheiro e cobertura de mercado sobre a ultrapassagem da Vale em valor de mercado (Suno, CNN Brasil, SpaceMoney).

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