A história da Gerdau: da fábrica de pregos ao gigante global do aço

Conheça a história da Gerdau, comprada em 1901 por um imigrante alemão como fábrica de pregos, e como ela virou a maior siderúrgica das Américas.

A história da Gerdau: da fábrica de pregos ao gigante global do aço

Atualizado em: 21 de julho de 2026

Em 1900, o comerciante alemão João Gerdau comprou uma fábrica de pregos à beira da falência em Porto Alegre. No dia 16 de janeiro de 1901, registrou o negócio sob o nome “João Gerdau & Filho”. Mais de 120 anos depois, a empresa que começou vendendo pregos virou a maior produtora de aços longos das Américas, com operações em 7 países, ações negociadas na B3 e na Bolsa de Nova York (NYSE), e ainda sob controle da família fundadora.

Um comerciante alemão e uma fábrica quase falida

João Gerdau chegou ao Brasil em 1869, aos 20 anos, vindo de Hamburgo, na Alemanha. Trabalhou como comerciante em cidades do interior do Rio Grande do Sul — Santo Ângelo, Agudo, Cachoeira do Sul — antes de se mudar para Porto Alegre em busca de oportunidades industriais. Em dezembro de 1900, comprou a Pontas de Paris, fábrica de pregos fundada em 1891 por cerca de 70 investidores que não resistiu às dificuldades financeiras. A aquisição foi oficializada em 16 de janeiro de 1901, dando início ao que se tornaria a Gerdau.

Vista do skyline de Porto Alegre (RS), cidade onde a Gerdau foi fundada
Porto Alegre (RS): a capital gaúcha onde João Gerdau se estabeleceu e comprou a fábrica de pregos que daria origem à companhia. Foto: Ricardo Rmx/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).

Hugo Gerdau e a segunda geração

Hugo, filho de João, assumiu o comando da empresa aos 25 anos, ainda em 1901. Ficou conhecido por um detalhe que hoje soaria banal, mas que na época construiu a reputação da marca: cada saco de pregos vendido pela fábrica pesava exatamente 1 quilo, sem margem de erro. Num mercado onde pesagem imprecisa era comum, a precisão da Gerdau virou sinônimo de confiança — um ativo que a empresa carregaria pelas décadas seguintes.

A virada para o aço

A transformação de fabricante de pregos em siderúrgica veio com a geração seguinte. Curt Johannpeter, casado com Helga Gerdau (filha de Hugo), assumiu a liderança e, em 1947, abriu o capital da empresa na bolsa de valores de Porto Alegre. Em 1948, a Gerdau adquiriu a Siderúrgica Riograndense, passando a produzir aço internamente em vez de depender de fornecedores externos — o passo que a transformou de fabricante de produtos de aço em produtora de aço.

Nas décadas seguintes, a Gerdau foi pioneira no Brasil nas chamadas mini-usinas: um modelo de produção de aço a partir de sucata reciclada, mais barato e flexível que os altos-fornos tradicionais. A tecnologia, então uma aposta relativamente arriscada, acabou se tornando padrão global — hoje responde por quase 30% da produção mundial de aço.

Vergalhões de aço empilhados, o principal produto da linha de aços longos da Gerdau
Vergalhões e outros aços longos são o núcleo do negócio da Gerdau desde a virada para a siderurgia. Foto: W.carter/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

A expansão para fora do Brasil

A internacionalização começou em dezembro de 1980, com a compra da Siderúrgica Laisa, no Uruguai — a primeira operação da Gerdau fora do país. Seguiram-se aquisições no Canadá (Courtice Steel, 1989, e MRM, 1995) e na Argentina (Sipsa, 1997, e Sipar, 1998). Em 1999, a compra da AmeriSteel marcou a entrada da Gerdau no mercado americano, que se tornaria o principal destino de investimentos da empresa nas décadas seguintes.

A maior aquisição da história da empresa

O negócio mais importante da expansão internacional veio em 2007, quando a Gerdau anunciou a compra da Chaparral Steel, então a segunda maior produtora de aços estruturais dos Estados Unidos, por US$ 4,22 bilhões — a maior aquisição da história da companhia, concluída em 2010. Com a Chaparral, a Gerdau passou a produzir mais aço nos Estados Unidos do que no próprio Brasil, consolidando o braço americano do grupo como peça central da operação global. As ações da companhia são negociadas na B3, na Bolsa de Nova York (NYSE) e na Latibex, em Madri.

Fachada da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), onde a Gerdau tem ações listadas
A Gerdau é uma das poucas siderúrgicas brasileiras com ações listadas na Bolsa de Nova York (NYSE), reflexo do peso da operação americana desde a compra da Chaparral Steel. Foto: Arild Vågen/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

A Gerdau hoje: números e controle familiar

Mais de 120 anos após a fundação, a Gerdau opera 29 unidades produtoras de aço e duas minas de minério de ferro em 7 países das Américas, emprega mais de 30 mil pessoas e mantém uma base florestal de 250 mil hectares para abastecer parte da produção com carvão vegetal renovável. A empresa recicla cerca de 11 milhões de toneladas de sucata por ano — hoje responsável por 73% de tudo o que produz, um dos maiores índices de reciclagem do setor siderúrgico mundial.

Diferente de boa parte das grandes empresas brasileiras que trocaram de controlador ao longo das décadas, a Gerdau segue sob comando da família fundadora: Jorge Gerdau Johannpeter preside o conselho de administração, com Klaus e Frederico Johannpeter como vice-presidentes — a quarta e quinta gerações à frente do negócio iniciado por João Gerdau em 1901.

Como a Gerdau (GGBR4) tem performado

O ano de 2025 fechou com receita líquida de R$ 69,9 bilhões (alta de 4,2% sobre os R$ 67,0 bilhões de 2024), EBITDA ajustado de R$ 10,1 bilhões (margem de 14,4%) e lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões — queda de 21,1% frente a 2024, refletindo margens mais apertadas no ano.

O primeiro trimestre de 2026 mostrou sinais de recuperação de rentabilidade: receita líquida de R$ 16,7 bilhões (queda de 3,8% na comparação anual), mas EBITDA ajustado de R$ 2,95 bilhões (alta de 23,2%) e lucro líquido ajustado de R$ 1 bilhão (alta de 33,6% no ano e 51,2% no trimestre). A própria Gerdau atribuiu o trimestre a um “cenário global volátil”, marcado por tensões geopolíticas no Oriente Médio que pressionaram cadeias de suprimento, encareceram a logística e ajudaram a elevar a penetração de aço importado — que chegou a 34% do segmento de aços planos em fevereiro. Ainda assim, a ação GGBR4 acumulou alta de mais de 50% em 12 meses.

Leitura prática para quem acompanha GGBR4

  • a Gerdau é hoje uma tese ligada tanto ao ciclo da construção civil e da indústria no Brasil quanto ao mercado americano, que responde por parcela relevante da receita desde a compra da Chaparral Steel;
  • fique de olho na penetração de aço importado no Brasil — um fator que pressiona preço e volume das siderúrgicas domésticas, incluindo a Gerdau;
  • o alto índice de reciclagem (73% da produção via sucata) torna a empresa menos exposta a oscilações no preço do minério de ferro do que mineradoras puras como a Vale;
  • o controle familiar concentrado desde 1901 é incomum entre companhias abertas desse porte — pode significar mais estabilidade estratégica de longo prazo, mas também menos pressão de mercado por mudanças rápidas de rumo.

Conclusão

A trajetória da Gerdau resume um padrão raro: mais de 120 anos de história, cinco gerações de uma mesma família no comando, e uma transformação completa de negócio — de fábrica de pregos a maior produtora de aços longos das Américas — sem nunca trocar de controlador. A virada para o aço em 1948, a aposta pioneira nas mini-usinas e a expansão internacional iniciada no Uruguai em 1980 formam os alicerces de uma empresa que hoje compete de igual para igual com as maiores siderúrgicas do mundo.

Para o investidor, a Gerdau oferece uma combinação pouco comum: exposição a dois mercados (Brasil e Estados Unidos), um modelo de produção mais sustentável que a média do setor, e a estabilidade — para o bem e para o mal — de uma gestão familiar centenária.

FAQ

Quando a Gerdau foi fundada?

A empresa nasceu em 16 de janeiro de 1901, quando João Gerdau registrou oficialmente a fábrica de pregos Pontas de Paris, comprada em dezembro de 1900, sob o nome “João Gerdau & Filho”.

Quando a Gerdau passou a produzir aço?

Em 1948, com a aquisição da Siderúrgica Riograndense, sob a liderança de Curt Johannpeter. Até então, a empresa fabricava produtos de aço (como pregos) sem produzir o aço internamente.

A Gerdau ainda é controlada pela família fundadora?

Sim. Mais de 120 anos após a fundação, a companhia segue sob comando da família Gerdau/Johannpeter, hoje na quarta e quinta gerações.

Por que a Gerdau tem ações na Bolsa de Nova York?

Porque a operação americana ganhou peso relevante depois da compra da Chaparral Steel em 2007/2010, por US$ 4,22 bilhões — a maior aquisição da história da empresa. Hoje a Gerdau produz mais aço nos Estados Unidos do que no Brasil.

A Gerdau é uma siderúrgica sustentável?

Em comparação com o padrão do setor, sim: cerca de 73% da produção da Gerdau vem de aço reciclado a partir de sucata, um dos maiores índices de reciclagem entre as grandes siderúrgicas do mundo.

Fontes: Gerdau — Sobre nós, Eu Quero Investir — história da Gerdau, ABQ Qualidade, Seu Dinheiro (resultados 1T26) e cobertura dos resultados anuais de 2025 (O Tempo, DiviNews, Poder360).

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