A história da Bombril: da lã de aço que virou sinônimo de limpeza à disputa com um italiano que levou a empresa à Justiça

A Bombril nasceu em 1948 de uma dificuldade doméstica – limpar panelas de alumínio – e virou sinônimo de lã de aço no Brasil. Décadas depois, uma venda a um empresário italiano gerou uma disputa societária que parou na Justiça, e em 2025 a empresa entrou em recuperação judicial por uma dívida tributária herdada dessa mesma fase.

A história da Bombril: da lã de aço que virou sinônimo de limpeza à disputa com um italiano que levou a empresa à Justiça

A Bombril nasceu de um problema doméstico bem simples: como limpar uma panela de alumínio suja. Em 1948, Roberto Sampaio Ferreira criou uma lã de aço para resolver essa dificuldade das donas de casa e, sem imaginar, deu início a uma marca que se tornaria sinônimo do próprio produto no Brasil. Décadas depois, a mesma empresa se veria no centro de uma disputa societária com um empresário italiano que terminou com ele preso — e, quase trinta anos mais tarde, ainda geraria uma recuperação judicial bilionária.

1948: a lã de aço que virou “1001 utilidades”

Roberto Sampaio Ferreira fundou a Bombril em 14 de janeiro de 1948, em São Paulo, depois de se deparar com a dificuldade das donas de casa para limpar panelas de alumínio. A lã de aço criada por ele se mostrou útil muito além disso — servia também para limpar vidros, louças, azulejos e ferragens, dando origem ao slogan que acompanha a marca até hoje: “1001 utilidades”. No primeiro ano de vendas, a empresa comercializou 48 mil pacotes do produto.

Lã de aço fina em detalhe, o produto que deu origem à Bombril em 1948
A lã de aço que resolvia a limpeza de panelas de alumínio se tornou sinônimo do próprio produto no Brasil.

Expansão e diversificação: de aquisições ao capital aberto

Nos anos seguintes, a Bombril cresceu por meio de aquisições: incorporou a Companhia de Produtos Químicos-Fábrica Belém, dona das marcas Sapólio e Radium, em 1961, e a Q’Lustro, que já controlava 25% do mercado nacional de lã de aço, em 1962. Em 1978, a empresa lançou o detergente Limpol e criou o mascote “Garoto Bombril”, reforçando a presença da marca no dia a dia dos brasileiros. Roberto Sampaio Ferreira morreu em 1981, e três anos depois, em 1984, a Bombril abriu capital na bolsa de valores.

A venda para os italianos e a crise que virou prisão

Em 1990, o grupo Ferruzzi comprou dois terços das ações da Bombril. Cinco anos depois, em 1995, o controle passou para a Cirio Finanziaria, veículo do empresário italiano Sergio Cragnotti, numa operação de US$ 200 milhões — negócio que incluiu a venda das participações de dois dos três filhos do fundador. O terceiro herdeiro, Ronaldo Sampaio Ferreira, alegou não ter recebido o valor combinado por sua fatia e processou a Cirio na Justiça brasileira em 2002, cobrando uma dívida de cerca de R$ 600 milhões. Em 2003, a Justiça colocou a Bombril sob administração judicial; a Cirio entrou em falência na Itália, e Cragnotti foi preso em 2004, acusado de fraude no controle da companhia. Somente em 2006 a família Sampaio Ferreira retomou o controle da empresa.

Esponja de lã de aço com sabão, usada para limpar panelas de alumínio
Décadas de disputa societária não mudaram o uso mais básico do produto que deu origem à empresa.

2025: a herança tributária que virou recuperação judicial

Quase vinte anos depois de retomar o controle da empresa, a família Sampaio Ferreira se viu diante de uma nova crise — desta vez, uma cobrança tributária herdada do período em que a Bombril esteve nas mãos do grupo de Cragnotti. Em fevereiro de 2025, o Grupo Bombril entrou com pedido de recuperação judicial citando uma dívida de R$ 2,3 bilhões cobrada pela Receita Federal, referente a operações de aquisição de títulos da dívida americana (T-Bills) e títulos argentinos realizadas entre 1998 e 2001 por veículos ligados ao grupo Cragnotti & Partners, que controlava a companhia na época. Hoje comandada por Ronaldo Sampaio Ferreira, a Bombril opera três fábricas — em São Bernardo do Campo (SP), Sete Lagoas (MG) e Abreu e Lima (PE) — e segue vendendo o produto que a tornou sinônimo de limpeza no Brasil, mesmo enquanto lida na Justiça com uma conta deixada por um capítulo societário encerrado quase duas décadas antes.

Logotipo oficial da Bombril
Quase 80 anos depois de nascer para resolver a limpeza de uma panela, a Bombril segue sinônimo do próprio produto que criou.

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Fontes: Wikipédia — Bombril, Jornal de Brasília — “Conheça a história da Bombril, que foi de sonho de casal a pedido de recuperação judicial”, IstoÉ Dinheiro — “Crise da Bombril: veja as razões listadas pela empresa ao pedir recuperação judicial” e Exame — “Por que a Bombril pediu recuperação judicial e quem são os maiores credores”.

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