A história do Habib’s: do médico que virou dono de rede de esfirras ao maior fast-food árabe do mundo
Criado em 1988 por um médico paulistano depois de conversar com um cozinheiro árabe em busca de emprego, o Habib's virou a maior rede de fast-food árabe do mundo, com centenas de lojas — hoje reunida com Ragazzo e Tendall no Grupo Gennius.

O Habib’s nasceu de uma conversa de emprego que deu errado — ou melhor, deu certo demais. Em 1988, um médico formado pela Santa Casa de São Paulo entrevistou um senhor de origem árabe para trabalhar em sua padaria; ao descobrir que o candidato tinha sido cozinheiro no país de origem, decidiu abrir um pequeno restaurante de comida árabe em vez de contratá-lo para a padaria. Décadas depois, aquele restaurante se tornou a maior rede de fast-food árabe do mundo. Veja como uma esfirra barata na Lapa virou um império de franquias.
1988: o restaurante que nasceu de uma entrevista de emprego
Antônio Alberto Saraiva, médico formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, era dono de uma padaria quando um senhor de origem árabe se candidatou a uma vaga. Ao saber que o homem havia trabalhado como cozinheiro em seu país natal, Saraiva teve uma ideia diferente: em vez de colocá-lo na padaria, abriu um pequeno restaurante de comida árabe na Rua Cerro Corá, no bairro da Lapa, em São Paulo. A aposta era simples — vender a melhor esfirra pelo menor preço do país.

Preço baixo e volume alto: a fórmula do crescimento
A estratégia de Saraiva era clara: preços populares e alto volume de vendas para compensar as margens apertadas — a mesma lógica que sustentou, ao longo dos anos, promoções como esfirras, pastéis e pizzas a poucos reais. Essa fórmula, combinada com o sistema de franquias, transformou o Habib’s na maior rede de fast-food de comida árabe do mundo e na primeira rede de fast-food de capital nacional do Brasil. Por volta de 2010, a rede já somava cerca de 600 lojas em funcionamento e um faturamento anual próximo de R$ 3 bilhões.

Diversificação: nasce o Grupo Gennius
Com o negócio consolidado, o grupo por trás do Habib’s expandiu o portfólio para além das esfirras: criou o Ragazzo, especializado em coxinhas e salgados, e a Tendall, rede de churrascarias com rodízio de carnes. As três marcas passaram a operar sob o mesmo grupo, hoje chamado Grupo Gennius, presente no Brasil há quase 40 anos.
2026: recuperação judicial, mas as lojas seguem abertas
Em agosto de 2026, o Grupo Gennius — dono do Habib’s, Ragazzo e Tendall — teve aceito pela Justiça de São Paulo um pedido de recuperação judicial, com dívida de R$ 265,2 milhões. As 119 lojas próprias do Habib’s, as 26 do Ragazzo e as 6 da Tendall seguem funcionando normalmente, assim como toda a rede de franquias, que não faz parte do processo (veja os detalhes completos da recuperação judicial e o contexto do setor no artigo “Recuperação judicial x extrajudicial”, linkado abaixo). Quase 40 anos depois de nascer de uma entrevista de emprego na Lapa, a marca que virou sinônimo de esfirra barata no Brasil enfrenta agora o desafio de se reestruturar financeiramente sem perder a presença que construiu em centenas de cidades.

Leia também: Recuperação judicial x extrajudicial: por que tantas empresas pediram em 2026, A história de sucesso do Nubank, Panvel: como uma farmácia de 1907 chegou a mil lojas e A história da Riachuelo: da loja de tecidos em Natal ao grupo que deu seu nome à própria holding.
Fontes: Wikipédia — Antônio Alberto Saraiva, Museu da Pessoa — A história de vida de Antônio Alberto Saraiva e Seu Dinheiro — Dona do Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill entra em recuperação judicial com dívida de R$ 265,2 milhões.
