A história da Randon: da oficina que pegou fogo à maior fabricante de implementos rodoviários da América Latina

A Randon nasceu em 1949 numa oficina de Caxias do Sul, sobreviveu a um incêndio dois anos depois e hoje é a maior fabricante de implementos rodoviários da América Latina, com receita anual de R$ 13 bilhões.

A história da Randon: da oficina que pegou fogo à maior fabricante de implementos rodoviários da América Latina

Um incêndio destruiu o galpão da empresa dois anos depois de fundada — e quase acabou com tudo antes de começar. A história da Randon passa pela reconstrução após esse incêndio, a aposta pioneira no freio a ar comprimido, a criação de marcas como Fras-le e Suspensys, e os desafios recentes de um mercado doméstico mais fraco. Veja como a empresa se tornou a maior fabricante de implementos rodoviários da América Latina.

De uma oficina de conserto ao incêndio que quase acabou tudo

Em 1949, os irmãos Hercílio e Raul Randon abriram uma pequena oficina mecânica em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, dedicada a consertar motores. Dois anos depois, em 1951, um incêndio destruiu o galpão da empresa, quase encerrando a história antes mesmo de ela decolar. Forçados a recomeçar do zero, os irmãos apostaram numa tecnologia ainda inédita no Brasil: o freio a ar comprimido para caminhões. Em 1952, a empresa lançou seu primeiro semirreboque, marcando a entrada definitiva no setor de implementos rodoviários — reboques, semirreboques e carrocerias que ampliam a capacidade de carga dos caminhões. O freio a ar comprimido, praticamente desconhecido no país até então, se tornaria décadas depois o ponto de partida para outro dos principais negócios do grupo.

Close-up de chassi, eixo e pneus de caminhão, ilustrando os implementos rodoviários fabricados pela Randon
Reboques, semirreboques e carrocerias: a Randon nasceu para ampliar a capacidade de carga dos caminhões brasileiros.

Abertura de capital e a criação da Fras-le

Nos anos 1970, a Randon abriu capital na bolsa e fundou a Randon Veículos, voltada a veículos fora de estrada — o início de sua trajetória como companhia de capital aberto, ainda hoje fortemente controlada pela família fundadora. Em 1996, a Randon assumiu o controle acionário da Fras-le (hoje Frasle Mobility), fabricante de pastilhas, lonas e discos de freio — um passo natural para quem já apostava em sistemas de frenagem desde a reconstrução pós-incêndio. Com o tempo, o grupo também desenvolveu a Suspensys, dedicada a eixos e suspensões, consolidando um modelo de negócio que vai muito além dos implementos originais — hoje a companhia reúne mais de 460 mil unidades fabricadas ao longo de sua história, entre reboques, semirreboques e carrocerias.

Randoncorp: a maior fabricante de implementos da América Latina

Sob a holding familiar Dramd Participações — dividida entre os três filhos de Raul Randon, com David e Daniel já tendo ocupado a presidência do grupo —, a Randon se consolidou como a maior fabricante de equipamentos de transporte rodoviário da América Latina. A expansão internacional ganhou força com aquisições como Dacomsa, EBS e AXN Automotive Systems, esta última ampliando a produção de eixos e suspensões nos Estados Unidos. Em 2026, a Suspensys inaugurou uma fábrica em Mogi Guaçu (SP) para fornecer eixos dianteiros à Mercedes-Benz Brasil, gerando R$ 132,7 milhões em receita só no quarto trimestre daquele ano fiscal.

Close-up de disco e pinça de freio automotivo sendo inspecionados, ilustrando o negócio de sistemas de frenagem da Fras-le
Desde 1996, a Fras-le (hoje Frasle Mobility) fabrica sistemas de frenagem sob o guarda-chuva da Randon.

Exportações em alta, mercado doméstico em baixa

A Randoncorp fechou 2025 com receita líquida consolidada de R$ 13,1 bilhões, queda de 1,5% sobre o ano anterior — resultado da forte desaceleração nas vendas de autopeças para montadoras e de semirreboques no mercado doméstico. A queda foi parcialmente compensada pelas exportações, que avançaram 41,1% no quarto trimestre, impulsionadas pelas aquisições recentes, que adicionaram R$ 428,3 milhões à receita do período. No primeiro trimestre de 2026, a receita consolidada somou R$ 3,1 bilhões, com receita internacional crescendo cerca de 8% na comparação anual. Para 2026 inteiro, a companhia projeta receita líquida entre R$ 12,5 bilhões e R$ 14 bilhões — um sinal de que, mesmo com o mercado brasileiro mais fraco, a Randon aposta na diversificação internacional para sustentar o crescimento que começou numa pequena oficina há mais de sete décadas.

Logotipo oficial das Empresas Randon
A Randon fechou 2025 com R$ 13,1 bilhões em receita, mesmo com o mercado doméstico mais fraco.

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Fontes: Wikipédia — Randon, Click Petróleo e Gás — A Randon nasceu em uma oficina em 1949, sobreviveu a um incêndio, Randoncorp — Randoncorp fecha 2025 com receita líquida de R$ 13,1 bilhões e Canal Diesel — Randoncorp consolida R$ 3,1 bi de receita no 1T26.

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