A história da Suzano: do imigrante que virou pioneiro do eucalipto à maior produtora de celulose do mundo

A Suzano nasceu em 1924 como uma pequena empresa de papel fundada por um imigrante ucraniano. Hoje é a maior produtora de celulose do mundo, dona da maior fábrica do setor, mas enfrenta dívida alta e celulose em baixa.

A história da Suzano: do imigrante que virou pioneiro do eucalipto à maior produtora de celulose do mundo

A maior produtora de celulose do mundo começou como uma pequena empresa de papel fundada por um imigrante que via no eucalipto uma alternativa viável à madeira importada. A história da Suzano passa pela pioneira produção de celulose de eucalipto no Brasil, a fusão que a tornou líder mundial, a construção da maior fábrica do setor já erguida, e os desafios recentes de dívida alta e preço de celulose em queda. Veja como isso aconteceu.

Um imigrante, o papel e o pioneirismo no eucalipto

Leon Feffer, imigrante ucraniano que chegou ao Brasil em 1921, fundou a Leon Feffer & Cia em janeiro de 1924, em São Paulo, inicialmente como uma empresa de comércio de papel. Em 1929, passou a fabricar sacos de papel. A Segunda Guerra Mundial dificultou a importação de papel e, em 1939, a empresa decidiu montar fábrica própria — o que levou ao desenvolvimento de uma alternativa à celulose de pinus, então predominante: a celulose de eucalipto, árvore de crescimento rápido e abundante no Brasil. Em 1955, a empresa comprou a Indústria de Papel Euclides Damiani, na cidade de Suzano (SP), montando ali uma unidade piloto. No ano seguinte, a companhia passou a se chamar Companhia Suzano de Papel e Celulose e iniciou a produção de celulose a partir da fibra de eucalipto — um marco que revolucionaria a indústria no Brasil e no mundo.

Rolos de papel empilhados numa fábrica, ilustrando a origem da Suzano como empresa produtora de papel
Antes de virar sinônimo de celulose de eucalipto, a Suzano começou como uma pequena fábrica de papel.

A fusão que criou a maior produtora de celulose do mundo

Em 2018, a Suzano anunciou a fusão com a Fibria — até então, a maior produtora mundial de celulose branqueada de eucalipto, enquanto a própria Suzano já era a maior produtora de celulose de eucalipto do planeta. A operação foi aprovada pelo Cade em outubro daquele ano e pelo órgão regulador de concorrência da União Europeia em novembro; a fusão foi concluída em 2019. Juntas, as duas empresas formaram uma gigante com capacidade para 11 milhões de toneladas de celulose e 1,4 milhão de toneladas de papel por ano, distribuídas por 11 fábricas espalhadas pelo Brasil — consolidando de vez a Suzano como a maior produtora de celulose do mundo.

O Projeto Cerrado: a maior fábrica de celulose já construída

Em 5 de dezembro de 2024, a Suzano inaugurou em Ribas do Rio Pardo (MS) o Projeto Cerrado, batizado em referência ao bioma predominante na região: a maior fábrica de linha única de celulose do mundo. O investimento somou R$ 22,2 bilhões — R$ 15,9 bilhões em capital industrial e R$ 6,3 bilhões em atividades florestais, logística e outras frentes —, com capacidade para produzir 2,55 milhões de toneladas de celulose por ano. A obra gerou 10 mil empregos diretos no pico da construção, e a inauguração contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e da ministra do Planejamento, Simone Tebet.

Logotipo oficial da Suzano, maior produtora de celulose do mundo
A Suzano hoje reúne 14 fábricas, incluindo a maior unidade de celulose de linha única do mundo.

Dívida alta e celulose em baixa: os desafios de 2026

Nem tudo são boas notícias para a gigante da celulose. No segundo trimestre de 2026, a Suzano registrou lucro líquido de R$ 1,8 bilhão, queda de 64% na comparação anual, com EBITDA de cerca de R$ 4,7 bilhões (-23% a/a). A alavancagem chegou a 3,4 vezes a relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado em dólares — nível que levou a própria diretoria a reafirmar que a prioridade agora é reduzir o endividamento, sem planos de novas fusões ou aquisições no radar. Os preços da celulose seguem pressionados, embora a empresa veja sinais de recuperação na demanda da China e da Europa para o segundo semestre. Cem anos depois de Leon Feffer decidir investir numa alternativa nacional ao papel importado, a Suzano segue sendo a maior do mundo no seu setor — mas precisa provar que consegue pagar a conta da fábrica mais ambiciosa que já construiu.

Pilhas de madeira processada num pátio industrial, ilustrando a base florestal da indústria de papel e celulose
Apesar do tamanho da operação, a Suzano enfrenta dívida alta e preços de celulose pressionados em 2026.

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Fontes: O Liberal — Fundada por imigrante em 1924, Suzano se tornou gigante da celulose, Suno — Suzano e Fibria concluem fusão, Portal Celulose — Suzano inaugura maior investimento de sua história e InfoMoney — Suzano lucra R$ 1,8 bilhão no 2º trimestre, queda anual de 64%.

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