A história da GOL: do voo que democratizou o avião ao fechamento de capital

A GOL nasceu em 2001 prometendo "baixo custo, baixa tarifa" e populares viagens aéreas no Brasil. Chegou a comprar a Varig, entrou em recuperação judicial nos EUA e hoje caminha para sair da bolsa que ajudou a inaugurar em 2004.

A história da GOL: do voo que democratizou o avião ao fechamento de capital

A empresa que ensinou o brasileiro a voar com passagem barata pode estar perto de deixar a bolsa de valores que ajudou a inaugurar com pompa em 2004. A história da GOL passa pela criação do conceito de “baixo custo, baixa tarifa” no país, pela compra da tradicional Varig, por uma recuperação judicial nos Estados Unidos e por uma queda de 60% nas ações em um único pregão. Veja como a companhia chegou até aqui.

O nascimento do “baixo custo, baixa tarifa” no Brasil

A GOL foi fundada em 1º de agosto de 2000 por Constantino de Oliveira Júnior, herdeiro do grupo de transportes rodoviários Comporte. Após receber autorização do Departamento de Aviação Civil em dezembro daquele ano, a companhia decolou comercialmente em 15 de janeiro de 2001, ligando Brasília a Congonhas com aviões Boeing 737. O modelo era inédito no país: frota padronizada para reduzir custos de manutenção, venda de passagens pela internet e corte de serviços considerados supérfluos — a primeira aposta de baixo custo da aviação brasileira. O crescimento foi rápido o suficiente para levar a empresa à bolsa: em 2004, a GOL fez seu IPO simultâneo na Bovespa e na Bolsa de Nova York.

Balcão de check-in da GOL em aeroporto com passageiros na fila, ilustrando a popularização das viagens aéreas no Brasil a partir de 2001
Com tarifas mais baixas, a GOL ajudou a levar a viagem de avião a um público que antes viajava de ônibus.

A compra da Varig e a era de consolidação

Em 28 de março de 2007, a GOL comprou a marca Varig — então em crise, após décadas como a principal companhia aérea do país — por cerca de US$ 275 milhões, formando a VRG Linhas Aéreas. A tradicional bandeira voltou a voar sob o guarda-chuva do grupo GOL, agora como sua marca internacional, enquanto a GOL seguia concentrada nos voos domésticos de baixo custo. Nos anos seguintes, a companhia ampliou ainda mais sua fatia do mercado doméstico ao incorporar a Webjet, outra rival de baixo custo, consolidando-se como uma das duas maiores companhias aéreas do Brasil.

Avião com a pintura da Varig decolando, marca comprada pela GOL em 2007 por cerca de US$ 275 milhões
A compra da Varig, em 2007, marcou a entrada da GOL na era de consolidação do setor aéreo brasileiro.

A recuperação judicial nos Estados Unidos

Anos de dívida acumulada — mais de R$ 20 bilhões, em grande parte dolarizada —, os efeitos prolongados da pandemia, a crise de entregas de aeronaves da Boeing e a disparada do câmbio em 2023-2024 levaram a GOL a pedir recuperação judicial nos Estados Unidos (Chapter 11) em 25 de janeiro de 2024. A reestruturação foi concluída 498 dias depois, em 6 de junho de 2025: cerca de US$ 1,7 bilhão em dívidas foram convertidos em ações, e o Grupo Abra — já a maior credora da companhia — passou a deter cerca de 80% do capital reorganizado. Os acionistas que já estavam na bolsa antes do processo viram sua participação diluída em quase 80%.

Ação despenca 60% e a saída da bolsa

A recuperação nos Estados Unidos não trouxe alívio imediato ao papel negociado no Brasil: em julho de 2025, as ações da GOL despencaram 60% em um único pregão. Em outubro de 2025, a empresa anunciou a decisão de fechar capital, tirando a GOL da B3. Em 12 de janeiro de 2026 veio o laudo de avaliação da operação, fixando o valor em R$ 10,13 por lote de mil ações preferenciais; uma assembleia foi marcada para 4 de novembro para deliberar sobre o fechamento definitivo. Doze dias depois da divulgação do laudo, em 24 de janeiro de 2026, morreu Constantino Júnior, o fundador que via a empresa se afastar da bolsa que ele mesmo ajudara a abrir com tanto alarde em 2004 — vítima de um câncer enfrentado havia anos, aos 57 anos. A companhia que ensinou o brasileiro a voar por um preço menor caminha agora para deixar de ser uma empresa de capital aberto.

Operadores acompanhando painel de cotações em pregão da B3, ilustrando a queda das ações da GOL e o processo de fechamento de capital
Depois de sair do Chapter 11, a GOL viu suas ações despencarem na B3 e caminha agora para o fechamento de capital.

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Fontes: Wikipédia — Gol Linhas Aéreas Inteligentes, PANROTAS — Gol conclui reestruturação e deixa o Chapter 11, Exame — Da liderança ao fechamento de capital: entenda a crise que tira a Gol da B3 e Bloomberg Línea — Constantino Jr., fundador da Gol, morre aos 57 anos.

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