Quem é o dono da JBS? A história por trás de Friboi e Seara

Conheça os donos da JBS, a origem do grupo em Goiás, a compra da Seara e a sucessão anunciada para janeiro de 2027.

Caminhão da Friboi, marca do grupo JBS, em rodovia brasileira

Atualizado em: 10 de outubro de 2026

A JBS é controlada pela família Batista, por meio dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Criado em 1953 por José Batista Sobrinho, em Anápolis (GO), o negócio cresceu com aquisições e reúne marcas como Friboi, Swift e Seara. O controle acionário e a presidência executiva são funções diferentes: em outubro de 2026, Gilberto Tomazoni continua como CEO global, com sucessão anunciada para janeiro de 2027.

Quem é o dono da JBS?

A JBS tem ações negociadas em bolsa e vários acionistas, mas o controle permanece com a família fundadora. Segundo o relatório anual 20-F da JBS N.V., com posição em 18 de março de 2026, Joesley e Wesley Batista controlavam indiretamente 50,20% das ações e 85,68% dos votos. A diferença decorre de duas classes de ações, com direitos de voto distintos.

Esses percentuais representam a participação controlada pelos dois irmãos, e não uma fatia de 50,20% para cada um. O documento identifica a estrutura de controle por meio da holding LuxCo, ligada à J&F. Os números têm uma data de referência.

1953: o açougue de Zé Mineiro em Anápolis

A história começa em 1953, em Anápolis, interior de Goiás, quando José Batista Sobrinho — conhecido como “Zé Mineiro” — abriu um pequeno açougue com capacidade para abater cinco cabeças de gado por dia. O primeiro grande salto veio com a construção de Brasília, no fim daquela década: o pequeno negócio passou a fornecer carne para os canteiros de obras da nova capital, ganhando escala pela primeira vez.

Em 1970, a aquisição de uma unidade em Formosa (GO) deu origem à marca Friboi, e a operação seguiu crescendo dentro do Brasil ao longo das décadas seguintes, sob comando da família Batista.

Foto histórica em preto e branco de José Batista Sobrinho, o Zé Mineiro, fundador da JBS, entregando um prêmio em 1973
José Batista Sobrinho, o “Zé Mineiro”, fundou a JBS em 1953 com um pequeno açougue em Anápolis (GO). Foto de 1973, poucos anos após a criação da marca Friboi.

Dos anos 1990 ao IPO: a virada internacional

A partir dos anos 1990, já com os filhos de Zé Mineiro à frente dos negócios, a empresa passou a mirar mercados internacionais. Em 1996, a aquisição de uma planta do grupo Anglo em Goiânia abriu caminho para as primeiras exportações relevantes. O marco seguinte veio em 2007: a JBS abriu capital na Bolsa de Valores de São Paulo.

O capital captado financiou uma sequência de aquisições que mudou de patamar a companhia:

  • Swift & Company (2007): por US$ 1,4 bilhão, a JBS entrou nos Estados Unidos comprando uma das maiores processadoras de carne bovina e suína do país.
  • Bertin (2009): a fusão com o grupo brasileiro Bertin tornou a JBS a maior produtora de carne bovina do mundo, além de abrir a porta para o setor de couro.
  • Pilgrim’s Pride (2009): por US$ 800 milhões, a JBS assumiu participação majoritária numa das maiores produtoras de frango do mundo, entrando de vez no segmento de aves.

O resultado dessa onda de aquisições foi uma companhia global, com atuação na América do Norte e do Sul, África, Europa, Rússia, China e Austrália — hoje somando mais de 250 unidades produtivas em cerca de 20 países e um portfólio com mais de 150 marcas.

Quando a Seara passou a ser da JBS?

A Seara passou a integrar a JBS em 2013. O relatório anual daquele ano registra a aquisição da Seara Brasil e das operações de couro da Zenda por R$ 5,85 bilhões. O valor abrangia os dois negócios, e não apenas a marca Seara.

A compra ampliou a presença do grupo em aves, suínos e alimentos processados. Friboi e Seara pertencem ao mesmo grupo: a primeira é ligada à carne bovina, enquanto a Seara reúne também produtos de aves, suínos e alimentos preparados.

2017: o “Joesley Day” que parou a bolsa brasileira

Em 17 de maio de 2017, veio à tona o episódio que ficaria conhecido como “Joesley Day”. Joesley Batista, um dos donos da JBS, havia gravado secretamente uma conversa com o então presidente Michel Temer como parte de um acordo de delação premiada firmado com o Ministério Público — a estratégia da família Batista para reduzir penas em investigações de corrupção e lavagem de dinheiro.

No áudio divulgado, Temer teria dado aval para a compra do silêncio do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, sobre irregularidades que envolviam aliados do governo — segundo a delação de Joesley, ao comentar sobre a boa relação entre os dois, Temer teria dito “tem que manter isso” em referência a Cunha. A revelação do áudio gerou uma crise política que colocou em xeque a permanência do próprio presidente e travou, naquele momento, a votação da reforma da Previdência então em curso no Congresso.

No pregão seguinte, o pânico tomou conta dos investidores: o Ibovespa chegou a cair mais de 10% no dia, acionando o circuit breaker da B3 — mecanismo que ficou quase 10 anos sem ser utilizado até aquele momento. Foi um dos dias mais voláteis da história recente do mercado brasileiro, e o nome do próprio dono da JBS batizou o episódio.

2025: a JBS chega à Bolsa de Nova York

Quase uma década depois do Joesley Day, a JBS deu um novo passo histórico: a dupla listagem em Nova York. O processo passou por aprovações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que autorizou o registro da JBS N.V. como emissora estrangeira e o programa de BDRs de Nível 2, e da própria B3. Acionistas minoritários aprovaram a proposta em assembleia extraordinária em 23 de maio de 2025, e a implementação ocorreu em 13 de junho daquele ano — data em que as ações da JBS estrearam oficialmente na New York Stock Exchange (NYSE).

O processo não foi isento de resistência: o BNDES, acionista da companhia e que vinha reduzindo sua participação ao longo dos anos, se posicionou contra a operação em alguns momentos. Ainda assim, a estrutura final manteve a JBS listada no Brasil via BDRs na B3, com as ações propriamente ditas passando a negociar também em Nova York — um movimento que buscava aproximar a companhia de índices americanos de maior peso, como o S&P 500.

Fachada da New York Stock Exchange (NYSE) em Wall Street, Nova York, onde as ações da JBS passaram a ser negociadas a partir de junho de 2025
Em 13 de junho de 2025, a JBS se tornou a primeira grande processadora de carnes brasileira a ter ações negociadas na NYSE, mantendo também a listagem via BDRs na B3.

Quem comanda a JBS e o que muda em 2027?

Em outubro de 2026, o CEO global da JBS é Gilberto Tomazoni. Em comunicado de 10 de agosto de 2026, a companhia anunciou que Wesley Batista Filho assumirá o cargo em janeiro de 2027. Até lá, Tomazoni conduz a transição. A nomeação anunciada não significa que o sucessor já esteja no comando global.

Wesley Batista Filho lidera a JBS USA desde 2023 e já comandou a JBS Brasil e a Seara. Tomazoni passará a vice-presidente do conselho de administração e conselheiro sênior, mantendo também a presidência do conselho da Pilgrim’s Pride.

Erros comuns sobre a história da JBS

  • Achar que Friboi e JBS são marcas diferentes e sem relação: Friboi é a marca de carne bovina no varejo brasileiro, nascida em 1970 — a JBS é o grupo controlador, hoje dono de mais de 150 marcas ao redor do mundo.
  • Confundir o “Joesley Day” com um problema exclusivo da JBS: o episódio de 2017 foi, antes de tudo, uma crise política nacional — a JBS foi o ponto de origem, mas o impacto de mercado (circuit breaker, queda do Ibovespa) atingiu a bolsa como um todo, não só as ações da própria companhia.
  • Achar que a JBS saiu da B3 ao listar na NYSE: a companhia manteve a listagem no Brasil via BDRs — a dupla listagem soma um mercado ao outro, não substitui.

Perguntas frequentes sobre a JBS

Quem é o dono da JBS?

A JBS é controlada pela família Batista. Segundo o relatório anual 20-F, em 18 de março de 2026 Joesley e Wesley Batista controlavam indiretamente 50,20% das ações e 85,68% dos votos.

Quando e onde a JBS foi fundada?

A JBS teve origem em 1953, em Anápolis, Goiás, com o negócio de carnes criado por José Batista Sobrinho, conhecido como Zé Mineiro.

A Seara é da JBS?

Sim. A Seara passou a integrar a JBS em 2013. O valor de R$ 5,85 bilhões registrado para a aquisição incluía a Seara Brasil e as operações de couro da Zenda.

Friboi e JBS são a mesma empresa?

Friboi é uma marca de carne bovina do grupo JBS. O grupo também reúne Seara, Swift e outros negócios de alimentos.

Quem é o CEO da JBS hoje?

Em outubro de 2026, Gilberto Tomazoni é o CEO global. A JBS anunciou que Wesley Batista Filho assumirá em janeiro de 2027; Tomazoni passará a vice-presidente do conselho e conselheiro sênior.

Quando a JBS estreou na Bolsa de Nova York?

As ações da JBS começaram a ser negociadas na NYSE em 13 de junho de 2025. A companhia também manteve negociação no Brasil por meio de BDRs na B3.

Leia também: Circuit breaker, after market e leilão: como funcionam e A história da CSN: a siderúrgica que disputou o controle com a Vale.

Fontes: JBS N.V. — relatório anual 20-F (2026), JBS — anúncio de sucessão de 10/08/2026, JBS — relatório anual de 2013, Migalhas — de açougue a líder global multiproteínas, Metrópoles — 70 anos: como a JBS se tornou uma das maiores empresas do mundo, Suno — o que aconteceu no Joesley Day, JBS — dupla listagem aprovada em assembleia e Seu Dinheiro — o desafio de Wesley Batista Filho na liderança global da JBS.

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