A história da Hapvida: de hospital em Fortaleza à maior operadora de saúde do Brasil

A Hapvida nasceu de um hospital fundado em Fortaleza em 1979. A fusão com a NotreDame Intermédica, em 2022, criou o maior grupo de saúde do Brasil — que hoje enfrenta uma crise de sinistralidade e lucro em queda.

A história da Hapvida: de hospital em Fortaleza à maior operadora de saúde do Brasil

O maior grupo de saúde suplementar do Brasil nasceu da união de dois caminhos separados: um hospital fundado em Fortaleza e uma operadora paulista pioneira em medicina preventiva. A história da Hapvida passa por décadas de expansão regional, um modelo de negócio verticalizado que virou referência no setor, a fusão de 2022 que criou a maior operadora de saúde do país, e uma crise recente de custos médicos que derrubou o lucro da empresa. Veja como isso aconteceu.

Dois caminhos separados até os anos 1990

A NotreDame Intermédica nasceu em 1968, pioneira em levar medicina preventiva a diferentes regiões do país. Em Fortaleza, a história começou de outra forma: em 1979, o médico oncologista Cândido Pinheiro de Lima fundou o Hospital Antônio Prudente. Anos depois, o médico criou um plano de saúde próprio para sustentar a operação do hospital — o Hapvida, lançado em 1993. O plano cresceu rápido pelo Ceará e, na sequência, por todo o Norte e Nordeste do país, até a empresa se tornar a maior operadora de saúde dessas regiões e a terceira maior do Brasil em número de beneficiários — uma trajetória construída à base de aquisições de operadoras regionais menores, ainda antes da fusão que a levaria ao topo do setor.

IPOs simultâneos e o modelo verticalizado

Em abril de 2018, Hapvida e NotreDame Intermédica estrearam na B3 quase ao mesmo tempo, somando juntas mais de R$ 16 bilhões captados, com alta de cerca de 20% nas ações logo na largada. O que atraiu os investidores foi o modelo de negócio verticalizado: em vez de apenas reembolsar consultas e exames feitos em terceiros, as duas empresas atendem boa parte de seus beneficiários na própria rede de hospitais, clínicas e centros de diagnóstico — reduzindo custos e dando mais controle sobre a chamada inflação médica. Com o dinheiro do IPO, as duas companhias investiram mais de R$ 10 bilhões em aquisições nos anos seguintes, incluindo a compra do Grupo Smile, de odontologia, por R$ 300 milhões.

Mãos de profissional de saúde segurando um estetoscópio, ilustrando o atendimento médico oferecido pela rede própria da Hapvida
A rede própria de hospitais e clínicas é o principal diferencial do modelo de negócio da Hapvida.

A fusão de 2022 e o maior grupo de saúde do Brasil

Em 2022, Hapvida e NotreDame Intermédica concluíram a fusão que criou o Hapvida NotreDame Intermédica — o maior grupo de saúde suplementar do Brasil e do hemisfério sul, com cerca de 15 milhões de beneficiários entre planos de saúde e odontológicos, mais de 60 mil funcionários e 7 mil leitos hospitalares. As duas marcas seguiram operando separadamente no dia a dia, mas passaram a integrar gradualmente suas estruturas sob um mesmo grupo controlador — a Intermédica historicamente menos verticalizada que a Hapvida, com cerca de 60% dos atendimentos feitos em rede própria contra uma fatia ainda maior do lado cearense.

Logotipo oficial da Hapvida
A fusão com a NotreDame Intermédica, em 2022, criou o maior grupo de saúde suplementar do Brasil.

A crise de sinistralidade e o tombo nos resultados

O ano de 2025 marcou uma virada de humor no mercado: a receita da companhia até cresceu 7%, mas o Ebitda caiu 11% e o lucro recuou 32%, pressionados pelo aumento da sinistralidade — a proporção de custos médicos sobre a receita, que passou a subir a partir do quarto trimestre de 2024. No quarto trimestre de 2025, o lucro ajustado somou R$ 180,6 milhões, queda de 64,9% sobre o ano anterior, com prejuízo contábil de R$ 29,1 milhões no período. A situação piorou no segundo trimestre de 2026: o lucro ajustado desabou 95,8%, para apenas R$ 12,5 milhões, e a empresa registrou prejuízo contábil de R$ 217,1 milhões — as ações caíram cerca de 17% na sequência do balanço. A companhia aposta em reajustes de preço e no controle de custos da própria rede para reverter o quadro ao longo de 2026, mas o mesmo modelo verticalizado que a tornou gigante agora enfrenta seu maior teste desde a fusão.

Operadores acompanhando painel de cotações em pregão da B3, ilustrando a queda das ações da Hapvida após resultados fracos em 2026
A alta da sinistralidade derrubou o lucro e pressionou as ações da Hapvida em 2025 e 2026.

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Fontes: Wikipédia — Hapvida NotreDame Intermédica, Brazil Journal — IPOs de Hapvida e Intermédica esbanjam saúde, Nord Investimentos — Lucro da Hapvida soma R$ 180,6 mi no 4T25, queda de 65% e InfoMoney — Hapvida: lucro cai 96% no 2º tri, para R$ 12,5 mi.

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