A história da BRF: de Sadia e Perdigão à fusão bilionária com a Marfrig
A BRF nasceu em 2009 da fusão entre Sadia e Perdigão, duas rivais catarinenses centenárias, depois que perdas bilionárias com derivativos quase quebraram a Sadia. Em 2025, a empresa se fundiu de novo, agora com a Marfrig, formando a MBRF Global Foods.

A marca que ocupa a geladeira e o freezer de boa parte dos brasileiros nasceu de uma fusão forçada por uma crise quase fatal — e, quase duas décadas depois, se fundiu de novo. A BRF é filha de duas rivais catarinenses centenárias, Sadia e Perdigão, unidas em 2009 depois que apostas malsucedidas em derivativos cambiais quase quebraram a Sadia durante a crise financeira global. Em 2025, a história ganhou mais um capítulo: a BRF se fundiu com a Marfrig, formando um dos maiores grupos de alimentos do mundo. Veja como duas fábricas do interior de Santa Catarina chegaram até aqui.
Duas rivais nascidas em Santa Catarina
Em 1944, o imigrante ítalo-brasileiro Attilio Fontana fundou a Sadia em Concórdia (SC) — o nome vem da sigla da empresa que a originou, a S.A. Indústria e Comércio Concórdia (SA + Concórdia = Sadia). Dez anos antes, em 1934, as famílias Brandalise e Ponzoni já haviam fundado a Perdigão, na cidade vizinha de Videira (SC). Durante décadas, as duas cresceram como concorrentes diretas na produção de carnes e alimentos processados, disputando espaço nas prateleiras e nas mesas dos brasileiros.
2008: a crise que quase quebrou a Sadia
Em 2008, a Sadia apostou pesado em derivativos cambiais para proteger suas exportações contra oscilações do dólar — mas, em vez de apenas se proteger, passou também a especular com esses instrumentos financeiros. Quando a crise financeira global derrubou o Lehman Brothers e o dólar disparou, a aposta se transformou em desastre: a empresa fechou 2008 com prejuízo líquido de R$ 2,48 bilhões, o primeiro da sua história, revertendo um lucro de R$ 768 milhões do ano anterior. O rombo colocou a sobrevivência da Sadia em risco.

2009: nasce a BRF
Para não quebrar, a Sadia se uniu à sua rival histórica: em 19 de maio de 2009, foi anunciada oficialmente a fusão entre Sadia e Perdigão, dando origem à Brasil Foods — BRF. A nova companhia nasceu como líder do mercado brasileiro de alimentos processados e uma das maiores processadoras de proteína do mundo, reunindo marcas queridas em praticamente todo lar brasileiro, como a própria Sadia e a Perdigão, mantidas como bandeiras distintas sob o mesmo grupo.

2025: uma nova fusão, agora com a Marfrig
Dezesseis anos depois, a história se repetiu: em 2025, a BRF se fundiu com a Marfrig, formando a MBRF Global Foods, uma plataforma multiproteína totalmente integrada e uma das maiores empresas de alimentos do planeta. O ano de estreia trouxe números robustos, mas também os custos da reestruturação: a receita consolidada somou quase R$ 164 bilhões, alta de 12% sobre 2024, enquanto o lucro líquido caiu 78%, para R$ 358 milhões, e o Ebitda recuou 3%, para R$ 13,15 bilhões. Só no quarto trimestre, o lucro despencou 91,9%, para R$ 91 milhões, em meio às despesas financeiras e aos custos da fusão — um lembrete de que, mesmo depois de mais de 80 anos de história, a companhia que hoje ocupa geladeiras em todo o Brasil continua sendo moldada por fusões nascidas da necessidade de sobreviver e crescer.

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Fontes: BRF — Nos 87 anos de Concórdia, BRF exalta a relação com a comunidade e a história da marca Sadia, InfoMoney — Perdas cambiais pesam e Sadia reporta prejuízo de R$ 2,48 bilhões em 2008, Forbes — MBRF tem lucro de R$ 358 milhões em 2025 e projeta vantagem logística no Oriente Médio e Exame — No primeiro balanço após fusão, MBRF tem receita trimestral de R$ 42 bi.
