A história da Porto Seguro: da seguradora criada pelo Bradesco ao banco digital chamado apenas Porto
Fundada em 1945 por diretores do Bradesco e comprada pela família Garfinkel em 1972, a Porto Seguro virou sinônimo de guincho e assistência 24 horas — e em 2021 se reinventou como Porto, banco e seguradora com lucro recorde de R$ 3,4 bilhões em 2025.

A seguradora que virou sinônimo de guincho no Brasil nasceu, ironicamente, dentro de outro gigante financeiro: o Bradesco. A trajetória da Porto Seguro passa pela compra da empresa por uma família de imigrantes ucranianos em plena ditadura, pela construção de uma das marcas mais lembradas do país em assistência 24 horas e por um reposicionamento que simplificou o nome para apenas “Porto” — hoje um conglomerado de seguros e banco digital com lucro recorde. Veja como uma seguradora nascida dentro do Bradesco chegou até aqui.
1945: uma seguradora criada por diretores do Bradesco
A Porto Seguro Companhia de Seguros Gerais foi fundada em 1945 por diretores e acionistas do Bradesco — um vínculo de origem que poucos associam à marca hoje independente. A empresa seguiu como uma seguradora de porte modesto nas décadas seguintes, sem o protagonismo que viria a ter depois de trocar de dono.
1972: a família Garfinkel assume o comando
Em 1972, Abrahão Garfinkel — imigrante que chegou da Ucrânia ao Brasil aos seis anos, em 1921, e que já atuava no mercado de seguros desde 1933 — comprou a Porto Seguro. Seu filho Jayme Garfinkel, nascido no mesmo ano da fundação da empresa (1945), começou a trabalhar na companhia logo após a compra do pai, como assistente de diretoria, e assumiu o comando poucos anos depois, com a morte de Abrahão. Sob a liderança de Jayme, a Porto Seguro cresceu e se tornou uma das marcas mais reconhecidas do país, associada sobretudo ao serviço de guincho e assistência 24 horas — um dos primeiros diferenciais que a popularizaram entre motoristas brasileiros.

Expansão: de seguro de carro a banco digital
Ao longo das décadas seguintes, a Porto Seguro deixou de ser apenas uma seguradora de automóveis e passou a oferecer seguro residencial, de vida, saúde odontológica e, mais recentemente, serviços bancários completos, com conta digital e cartão de crédito próprio. Em 2021, a empresa anunciou um reposicionamento de marca: o nome “Porto Seguro” deu lugar a simplesmente “Porto”, guarda-chuva para verticais como Porto Bank, Porto Saúde e Porto Seguros — um movimento que buscava refletir a diversificação do negócio para muito além do seguro tradicional. Hoje o aplicativo do grupo já passa de 5,6 milhões de usuários.

2025: lucro recorde, mas o banco pesa no resultado
Em 2025, a Porto fechou o ano com lucro líquido recorde de R$ 3,4 bilhões, alta de 28% sobre 2024, receita anual de R$ 41 bilhões (+12%) e retorno sobre patrimônio (ROE) de 22,7%, atendendo a 19 milhões de clientes. No primeiro trimestre de 2026, o lucro somou R$ 1,13 bilhão (+36,3% a/a); no segundo trimestre, o lucro recorrente bateu recorde de R$ 888,6 milhões, mas o resultado positivo do braço de seguros — que sozinho lucrou R$ 455,8 milhões, com ROE de 32,9% e sinistralidade em queda — foi parcialmente ofuscado pela deterioração da qualidade de crédito no Porto Bank. Oitenta anos depois de nascer dentro do Bradesco, a empresa hoje enfrenta um desafio conhecido de quem também virou banco: administrar o risco de crédito.

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Fontes: Wikipédia (EN) — Porto Seguro S.A., Brazil Journal — Porto Seguro escolhe novo CEO; Jayme Garfinkel deixará conselho, Nosso Meio — Rebranding: Porto Seguro agora é Porto e Sonho Seguro — Porto registra lucro líquido recorde de R$ 3,4 bilhões e amplia rentabilidade para 22,7%.
