A história da Caixa: de decreto de Dom Pedro II ao maior banco público da América Latina
Criada em 1861 por decreto de Dom Pedro II para incentivar a poupança popular, a Caixa Econômica Federal se tornou administradora do FGTS, da Loteria Federal e do crédito imobiliário, com lucro recorde de R$ 15,5 bilhões em 2025.

A Caixa Econômica Federal nasceu em 1861 por decreto assinado por Dom Pedro II, com um objetivo bem específico: incentivar o hábito de poupar entre a população mais pobre do país. Da fundação como uma pequena caixa de poupança popular à administração do FGTS, da Loteria Federal e de boa parte do crédito imobiliário do país, a trajetória da Caixa se confunde com a própria história das políticas sociais brasileiras. Veja como um decreto imperial deu origem ao maior banco público da América Latina.
1861: a poupança popular por decreto imperial
Em 12 de janeiro de 1861, Dom Pedro II assinou o decreto que criou a Caixa Econômica e Monte de Socorro, no Rio de Janeiro. A instituição começou a funcionar dez meses depois, em 4 de novembro daquele ano, com uma missão clara: recolher os depósitos de poupança das classes menos abastadas e conceder empréstimos sob penhor. Entre os primeiros depositantes estavam pessoas escravizadas, que usavam a Caixa para guardar aos poucos o dinheiro necessário para comprar sua própria carta de alforria — um dos capítulos mais marcantes da história da instituição, ainda décadas antes da abolição da escravatura no Brasil.
Unificação federal e a administração da Loteria
Ao longo do século 20, as caixas econômicas estaduais foram se multiplicando pelo país, cada uma com sua própria estrutura. Em 1961, ainda no governo de Jânio Quadros, a administração da Loteria Federal foi transferida para o Conselho Superior das Caixas Econômicas — o início do papel da instituição como operadora oficial das loterias no Brasil, hoje reunidas sob a marca Loterias Caixa. Em 1969, o Decreto-Lei nº 759 unificou definitivamente as caixas estaduais numa única instituição, a Caixa Econômica Federal, vinculada ao Ministério da Fazenda.

1986: a incorporação do BNH e o crédito habitacional
Em 1986, a Caixa incorporou o extinto Banco Nacional de Habitação (BNH), tornando-se a administradora completa do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e do Sistema Financeiro de Habitação. Essa mudança transformou a Caixa na principal financiadora da casa própria no Brasil, papel que se estenderia décadas depois a programas como o Minha Casa Minha Vida e que, até hoje, é um dos pilares do resultado financeiro do banco.

Hoje: o maior banco público da América Latina
Mais de 160 anos depois de sua fundação, a Caixa é hoje o principal agente de políticas públicas do país: administra o FGTS, o abono salarial do PIS/Pasep, o seguro-desemprego, boa parte dos programas sociais do governo federal e a Loteria Federal, além de manter uma robusta carteira de crédito imobiliário. Em 2025, a instituição registrou lucro líquido recorrente recorde de R$ 15,5 bilhões, alta de 10,4% sobre 2024, com carteira de crédito de R$ 1,378 trilhão — um avanço de 11,5%, puxado principalmente pelo financiamento imobiliário, que cresceu 13% no período. No segundo trimestre de 2026, o lucro recorrente somou R$ 3,9 bilhões, avanço de 5,9% sobre o mesmo período do ano anterior — números que mostram uma instituição que, apesar de nascida para atender aos mais pobres do Império, hoje figura entre os maiores bancos da América Latina.

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Fontes: Caixa Econômica Federal — Apresentação institucional, Wikipédia — Caixa Econômica Federal, Agência Brasil — Caixa tem lucro de R$ 15,5 bilhões em 2025, alta de 10,4% e iMirante — Lucro da Caixa sobe 5,9% e chega a R$ 3,9 bi no 2º trimestre de 2026.
