Quem criou a Caixa Econômica Federal? A história do banco de Dom Pedro II e quem é o dono hoje
A Caixa foi criada por decreto de Dom Pedro II em 12 de janeiro de 1861 e hoje pertence 100% à União. Veja quem assinou o decreto, como ela virou a Caixa Econômica Federal e quem a comanda.

Atualizado em: 9 de outubro de 2026
Quem criou a Caixa Econômica Federal foi Dom Pedro II, por um decreto de 12 de janeiro de 1861. O banco nasceu no Rio de Janeiro com o nome de Caixa Econômica e Monte de Socorro, para guardar as pequenas economias de quem tinha pouco dinheiro. Mais de 160 anos depois, a Caixa pertence 100% à União e cuida do FGTS, das loterias e de dois terços do crédito imobiliário do país.
Quem criou a Caixa e quem é o dono hoje
O documento de origem é o Decreto nº 2.723, de 12 de janeiro de 1861. Ele começa com a fórmula do imperador, “Hei por bem autorisar a creação de uma Caixa Economica e um Monte de Soccorro nesta Côrte”, leva a rubrica de Dom Pedro II e a assinatura de Angelo Moniz da Silva Ferraz, então presidente do Conselho de Ministros e ministro da Fazenda.
A Caixa de hoje é uma empresa pública: o capital pertence inteiro à União, e a instituição é vinculada ao Ministério da Fazenda. Ela não tem ações na bolsa. Quem tem é uma subsidiária, a Caixa Seguridade (CXSE3), que continua controlada pelo banco. O presidente é Carlos Vieira, funcionário de carreira, no cargo desde novembro de 2023.
1861: uma caixa de poupança para quem tinha pouco
O regulamento aprovado junto com o decreto dizia, no artigo 1º, que a Caixa existia para receber, “a juro de 6%, as pequenas economias das classes menos abastadas” e garantir a devolução do dinheiro com o aval do governo imperial. Havia limites: cada depósito era de 1 mil-réis ou múltiplos, até 50 mil-réis por semana para a mesma pessoa.
Ao lado da poupança funcionava o Monte de Socorro, que emprestava dinheiro com uma joia ou outro objeto como garantia. É o avô do penhor que a Caixa oferece até hoje. A primeira agência abriu no Rio de Janeiro em 4 de novembro de 1861.
A poupança das pessoas escravizadas
O regulamento de 1861 proibia escravos apenas como clientes do Monte de Socorro, o setor de penhor. Na poupança, não havia regra expressa, e pessoas escravizadas abriram cadernetas para juntar, aos poucos, o valor da própria alforria. Com a Lei do Ventre Livre, de 28 de setembro de 1871, o direito de formar esse pecúlio e de comprar a liberdade com ele passou a estar na lei.
Esse capítulo voltou ao noticiário em 2026. Em um inquérito civil aberto pelo Ministério Público Federal no Rio de Janeiro, a Caixa informou ter localizado 158 cadernetas abertas por pessoas escravizadas, num acervo de cerca de 14 mil documentos do século 19. O MPF considerou o levantamento insuficiente e quer saber o que aconteceu com o dinheiro depois da abolição, em 1888. A Caixa diz que colabora com o MPF e que a pesquisa no acervo é contínua. Até a publicação deste texto, o destino desses valores não estava esclarecido.

Das loterias à Caixa Econômica Federal única
Por décadas, o Brasil teve várias caixas econômicas federais, uma em cada estado, coordenadas por um Conselho Superior. Em 14 de julho de 1961, o Decreto nº 50.954, assinado por Jânio Quadros, rescindiu o contrato de concessão da Loteria Federal e passou a administração às Caixas Econômicas Federais. É a origem das Loterias Caixa.
A unificação veio com o Decreto-Lei nº 759, de 12 de agosto de 1969, assinado por Costa e Silva. Ele autorizou a criação da Caixa Econômica Federal como empresa pública e determinou que o capital inicial, formado pelo patrimônio de todas as caixas federais existentes, pertenceria integralmente à União. As caixas dos estados e o Conselho Superior foram extintos em 31 de dezembro de 1970.

1986: o fim do BNH e a chegada do FGTS
O Decreto-Lei nº 2.291, de 21 de novembro de 1986, extinguiu o Banco Nacional da Habitação (BNH) e o incorporou à Caixa. Pelo texto, a Caixa sucedeu o BNH “em todos os seus direitos e obrigações”, incluindo a gestão do FGTS. Foi aí que ela virou o grande banco da casa própria, papel que mais tarde incluiu o Minha Casa, Minha Vida.
A Caixa hoje em números
Em 2025, a Caixa teve lucro líquido recorrente de R$ 15,5 bilhões, alta de 10,4% sobre 2024. No segundo trimestre de 2026, o lucro recorrente foi de R$ 3,9 bilhões, 5,9% acima do mesmo período de 2025. No semestre, porém, a soma ficou em R$ 7,4 bilhões, 17,6% abaixo do primeiro semestre de 2025, por causa do aumento das provisões para calotes.
Segundo o balanço de junho de 2026, a carteira de crédito chegou a R$ 1,448 trilhão. Só o crédito habitacional somou R$ 1,005 trilhão, e a Caixa respondia por 67,9% do crédito imobiliário do país. Além disso, o banco paga o FGTS, o seguro-desemprego, o abono do PIS e boa parte dos benefícios sociais do governo federal.

Resumo: quem criou a Caixa e de quem ela é
A Caixa foi criada por Dom Pedro II em 12 de janeiro de 1861 (Decreto nº 2.723, assinado também pelo ministro da Fazenda Angelo Moniz da Silva Ferraz) e abriu as portas no Rio em 4 de novembro daquele ano. Virou a Caixa Econômica Federal única em 1969, assumiu o FGTS com o fim do BNH em 1986 e hoje é uma empresa pública 100% da União, presidida por Carlos Vieira.
Para comparar com outros bancos, leia quem criou o Banco do Brasil, fundado por D. João em 1808, e a história do Banrisul, banco do governo gaúcho. Se o assunto é o FGTS, veja se o saque-aniversário vale a pena.
Perguntas frequentes sobre a Caixa
Quem criou a Caixa Econômica Federal?
A Caixa foi criada pelo imperador Dom Pedro II, pelo Decreto nº 2.723, de 12 de janeiro de 1861, assinado também pelo presidente do Conselho de Ministros e ministro da Fazenda, Angelo Moniz da Silva Ferraz. O nome da época era Caixa Econômica e Monte de Socorro da Corte, no Rio de Janeiro. A Caixa Econômica Federal, como empresa pública única, foi autorizada pelo Decreto-Lei nº 759, de 1969.
Quem é o dono da Caixa Econômica Federal?
A Caixa pertence integralmente à União, ou seja, ao governo federal. É uma empresa pública vinculada ao Ministério da Fazenda e não tem ações na bolsa. Desde novembro de 2023, o presidente é Carlos Vieira, funcionário de carreira do banco.
Quando a Caixa foi fundada?
O decreto de criação é de 12 de janeiro de 1861. A primeira agência, no Rio de Janeiro, começou a funcionar em 4 de novembro de 1861. Por isso, a Caixa completou 165 anos em 2026.
Pessoas escravizadas tinham poupança na Caixa?
Sim. Pessoas escravizadas abriram cadernetas na Caixa para juntar dinheiro e comprar a própria alforria, direito reconhecido pela Lei do Ventre Livre, de 1871. Em 2026, a Caixa informou ao Ministério Público Federal ter localizado 158 dessas cadernetas no acervo. O MPF considerou o levantamento insuficiente e apura o destino do dinheiro.
Desde quando a Caixa cuida do FGTS?
Desde 1986, quando o Banco Nacional da Habitação (BNH) foi extinto e incorporado à Caixa pelo Decreto-Lei nº 2.291, de 21 de novembro de 1986. A Caixa assumiu os direitos e obrigações do BNH, incluindo a gestão do FGTS e do crédito habitacional.
Fontes: Câmara dos Deputados — Decreto nº 2.723, de 12/01/1861, Planalto — Decreto-Lei nº 759, de 12/08/1969, Câmara dos Deputados — Decreto-Lei nº 2.291, de 21/11/1986, Caixa — resultado do 2º trimestre de 2026 (26/08/2026), Agência Brasil — lucro de 2025, Agência Brasil — cadernetas de pessoas escravizadas (17/05/2026) e Agência Gov — posse de Carlos Vieira (nov/2023).