A história da AliExpress: de vitrine dos vendedores do Taobao à multa recorde da União Europeia

O AliExpress nasceu em 2010 como ponte para pequenos vendedores chineses do Taobao alcançarem o mundo. No Brasil, rompeu o próprio padrão global ao integrar vendedores locais — e hoje enfrenta a maior multa já aplicada sob a lei digital da União Europeia.

A história da AliExpress: de vitrine dos vendedores do Taobao à multa recorde da União Europeia

O AliExpress não nasceu para vender produto nenhum — nasceu para ser a porta de saída dos pequenos vendedores chineses do Taobao para o resto do mundo. No Brasil, a plataforma rompeu seu próprio modelo global ao abrir espaço para vendedores locais. Hoje, no meio do maior sucesso de sua história, enfrenta também a multa mais alta já aplicada sob a lei digital da União Europeia.

2010: a vitrine internacional dos vendedores do Taobao

O AliExpress nasceu dentro do Alibaba Group, fundado em 1999 em Hangzhou por Jack Ma e outros 17 sócios. A empresa já tinha o Alibaba.com, uma plataforma de atacado business-to-business, e o Taobao, o maior mercado de varejo online da China — mas nenhum dos dois vendia diretamente para compradores fora do país. O AliExpress chegou para preencher essa lacuna: lançado em versão beta em 2009, foi ao ar oficialmente em 26 de abril de 2010 e começou a operar em ritmo pleno em 5 de maio do mesmo ano, como uma ponte para que pequenos vendedores do Taobao alcançassem clientes no mundo todo. A plataforma nunca fabricou nem estocou nada — é um mercado que conecta vendedores independentes, majoritariamente chineses, a compradores internacionais, cada um responsável pelo próprio produto.

Sede do Alibaba Group em Hangzhou, China, com fachada em treliça branca
A sede do Alibaba Group em Hangzhou — grupo fundado por Jack Ma em 1999, dentro do qual o AliExpress nasceu onze anos depois.

Dos 90 dias de navio aos 5 dias de avião: a corrida logística global

O crescimento foi rápido: em um ano, a plataforma já somava 5 milhões de produtos cadastrados; em dois, 2 milhões de consumidores registrados. Até 2016, o site já operava em mais de 18 idiomas. O maior obstáculo sempre foi a logística — nos primeiros anos, uma encomenda podia levar mais de 90 dias para chegar por via marítima. A solução veio com a Cainiao, a rede de logística do próprio Alibaba, que reorganizou rotas aéreas e centros de distribuição regionais até reduzir esse prazo para cerca de 5 dias em boa parte dos principais mercados. Em agosto de 2019, a marca deu um passo simbólico na direção oposta ao digital puro: abriu sua primeira loja física em Madri, na Espanha.

Logotipo oficial do AliExpress em vermelho, com o símbolo em formato de check amarelo
O logotipo atual do AliExpress, marca voltada ao comércio eletrônico internacional dentro do Alibaba Group.

Brasil: a ruptura do modelo global e a parceria com os Correios

O Brasil está hoje entre os cinco maiores mercados do AliExpress no mundo, segundo a própria empresa. Foi também aqui que a plataforma rompeu, pela primeira vez, seu modelo internacional puro: em 2021, passou a integrar vendedores brasileiros à própria plataforma, ao lado dos vendedores chineses — uma mudança de padrão que a empresa não havia feito em nenhum outro país até então. Essa guinada local se apoiou numa parceria de longo prazo com os Correios, que se tornaram o principal parceiro logístico da operação brasileira, hoje entregando a maioria dos pedidos de vendedores locais em cerca de 3 a 4 dias. Em 2025, o AliExpress fechou um acordo comercial com o Magalu para revenda cruzada de produtos — dois concorrentes diretos do e-commerce brasileiro virando parceiros. A chegada da chamada “taxa das blusinhas” em 2024 (tema já detalhado no artigo do site sobre a Shein) também atingiu o AliExpress: segundo a executiva à frente da operação brasileira, a cobrança mudou o comportamento do consumidor, mais seletivo na hora de comprar, e obrigou a empresa a reforçar descontos em categorias específicas para se adaptar.

Fachada de uma agência dos Correios em Brasília, com o logotipo amarelo e azul
Os Correios são hoje o principal parceiro logístico do AliExpress no Brasil, com entregas locais em cerca de 3 a 4 dias.

Hoje: sucesso global, escrutínio regulatório recorde

O mesmo crescimento que levou o AliExpress a um dos maiores mercados do e-commerce mundial também trouxe escrutínio crescente. A Índia baniu o aplicativo em 2020, dentro de uma lista de dezenas de apps chineses. Em 2022, o governo dos Estados Unidos incluiu o AliExpress em sua lista de “mercados notórios” por preocupações com pirataria e produtos falsificados. Na União Europeia, a Comissão Europeia abriu investigação formal em 2023 sob a Lei de Serviços Digitais (DSA) — e, em 20 de julho de 2026, aplicou à plataforma uma multa de € 550 milhões, a maior penalidade já registrada desde que a lei entrou em vigor. Segundo a Comissão, o AliExpress superestimou a capacidade dos próprios sistemas de identificar produtos ilegais e não avaliou de forma realista a proporção entre moderadores humanos e o volume de anúncios a verificar. A empresa tem até 20 de outubro de 2026 para apresentar um plano de correção às autoridades europeias.

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Fontes: Wikipédia (português e inglês) — AliExpress e Alibaba Group; Alizila e promossale.com — data de lançamento e primeiros anos; ES Hoje, Página 3 e Portal do Holanda — entrevista com a executiva à frente do AliExpress no Brasil (mercado top 5, vendedores locais desde 2021, taxa das blusinhas); Gazeta do Povo — impacto da taxa das blusinhas nos Correios; Exame e Forbes Brasil — multa recorde da União Europeia em julho de 2026.

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