A história da Shein: da revenda de vestidos de noiva chinesa ao fim da “taxa das blusinhas” no Brasil
A Shein nasceu em 2008 na China revendendo vestidos de noiva sem fábrica própria. Hoje é a maior varejista de moda rápida do mundo — e, no Brasil, foi diretamente afetada pela criação e depois pelo fim da "taxa das blusinhas", que a levou a acelerar a produção local.

A Shein não nasceu como fabricante de roupas — nasceu revendendo vestidos de noiva sem produzir nada. Fundada em 2008 na China, a empresa levou anos para se tornar a fabricante verticalizada que conhecemos hoje. No caminho, virou a maior varejista de moda rápida do mundo e, no Brasil, protagonizou uma das discussões fiscais mais recentes do país: a criação e, agora, o fim da chamada “taxa das blusinhas”.
2008: a revenda de vestidos de noiva sem fábrica própria
Chris Xu (também conhecido como Sky Xu) fundou a empresa em outubro de 2008, em Nanjing, na China, sob o nome ZZKKO. No início, o negócio funcionava por dropshipping: a empresa revendia produtos comprados no mercado atacadista de roupas de Guangzhou, sem desenhar ou fabricar nada próprio. Em março de 2011, a Shein lançou o site SheInside.com, posicionado inicialmente como especialista em vestidos de noiva — um nicho bem distante do que a marca se tornaria.

De revendedora a fabricante verticalizada
A virada começou em 2012, quando a empresa passou a investir pesado em marketing digital, com parcerias com blogueiras de moda nas redes sociais. Em 2014, a compra da varejista chinesa Romwe marcou a transição da Shein para um modelo de varejista verticalizado, com cadeia de suprimentos própria. O nome mudou de Sheinside para Shein em 2015, e, em 2016, a empresa já contava com uma equipe de 800 designers e criadores de protótipos — muito longe da simples revenda de 2008.
A explosão global e a mudança de sede
Durante a pandemia, a Shein faturou US$ 10 bilhões, com crescimento de vendas acima de 100% em anos consecutivos, e em outubro de 2020 se tornou a maior empresa de moda só-online do mundo. Em 2021, virou a maior varejista de fast fashion dos Estados Unidos, avaliada em US$ 30 bilhões — valor que saltaria para US$ 100 bilhões já em abril de 2022. No início daquele mesmo ano, a empresa mudou sua sede para Singapura, mantendo a cadeia de suprimentos na China, e em maio de 2022 lançou seu marketplace no Brasil.

O Brasil e o fim da “taxa das blusinhas”
Em 2023, a Shein já operava 100 fábricas no Brasil, com planos de chegar a 2.000. O movimento se acelerou depois de agosto de 2024, quando entrou em vigor a chamada “taxa das blusinhas” (Lei 14.902/2024, parte do programa Remessa Conforme), que passou a taxar em 20% as compras internacionais de até US$ 50 — mecanismo pensado para equilibrar a concorrência com o varejo nacional. Em fevereiro de 2025, a Shein já produzia localmente 85% dos itens de vestuário e calçados vendidos no Brasil, segundo a Forbes. Em 12 de maio de 2026, o governo brasileiro determinou o fim da taxa: compras internacionais de até US$ 50 deixaram de pagar o imposto federal, restando apenas o ICMS estadual. No plano societário, a empresa tentou abrir capital na Bolsa de Londres em 2024, sem sucesso, e mudou o alvo para a Bolsa de Hong Kong em 2026, com pedido de IPO de HK$ 13,86 bilhões — mesmo enfrentando questionamentos recorrentes sobre práticas trabalhistas, impacto ambiental e propriedade intelectual ao longo de sua trajetória.

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Fontes: Wikipédia (inglês) — Shein, Forbes — “Shein Acelera Produção no Brasil e Já Produz 85% das Vendas…” e Seu Dinheiro — “A ‘taxa das blusinhas’ já era! Como fica o valor final para…”.
