A história da Hering: de tecelagem de imigrantes alemães em Blumenau ao fim de 140 anos de controle familiar
Fundada em 1880 por dois irmãos imigrantes alemães em Blumenau, a Hering virou sinônimo de camiseta no Brasil e uma das empresas mais antigas do país ainda em atividade. Em 2021, depois de mais de 140 anos sob controle da família fundadora, a companhia foi vendida ao Grupo Soma — início de uma sequência de fusões que a levou à recém-anunciada cisão da Azzas 2154.

A Hering nasceu de uma tecelagem manual montada por dois irmãos imigrantes alemães e se tornou sinônimo da própria palavra “camiseta” no Brasil. Fundada em 1880 em Blumenau (SC), a empresa ficou sob o controle da mesma família fundadora por mais de 140 anos — uma raridade mesmo entre companhias centenárias — até ser vendida em 2021, movimento que a levaria, poucos anos depois, à fusão que criou a Azzas 2154 e à cisão anunciada em 2026.
1880: a tecelagem dos irmãos Hering em Blumenau
Hermann Hering chegou à colônia alemã de Blumenau, em Santa Catarina, em 1878. Dois anos depois, em 1880, seu irmão Bruno também se mudou para a cidade, e juntos os dois fundaram a empresa que levaria o nome da família. “Hering” é a palavra alemã para arenque, e o logotipo histórico da marca passou a ser composto por dois peixinhos — um representando cada irmão. A produção inicial, feita em tear manual, era de roupas de baixo masculinas (meias, ceroulas) e camisas de algodão brancas. Já em 1882, a qualidade das peças costuradas por Johanna e Nanny, filhas de Hermann, rendeu à empresa uma medalha de prata numa exposição no Rio Grande do Sul.

Expansão industrial e pioneirismo nas exportações
Em 1900, os irmãos Hering mudaram a fábrica para o bairro do Bom Retiro, em Blumenau, acompanhando o crescimento do negócio. Por volta de 1914, a operação já contava com cerca de 90 teares e 2.600 fusos — um salto e tanto frente à tecelagem manual dos primeiros anos. O pioneirismo da empresa se confirmaria décadas depois: em 1964, a Hering se tornou a primeira companhia têxtil brasileira a exportar seus produtos, um marco para o setor no país.
A camiseta que virou ícone cultural
Ao longo do século 20, a Hering se consolidou como a maior empregadora privada de Blumenau e construiu um portfólio de múltiplas marcas, incluindo Hering Kids, Hering Intimates, Dzarm e Hering for You/Sports. Mas foi nos anos 1980 que a empresa viveu seu momento de maior força simbólica: a camiseta Hering virou um ícone cultural para a juventude brasileira, a ponto de o próprio nome da marca se tornar, na fala popular, quase sinônimo de “camiseta”. A partir de 1994, a companhia acelerou a expansão física pelo país por meio de franquias, multiplicando pontos de venda em todas as regiões.

2021-2026: o fim do controle familiar e as fusões
Em 2021, depois de mais de 140 anos sob o comando da família fundadora, a Companhia Hering foi vendida ao Grupo Soma, do Rio de Janeiro — negócio que tornou o Soma um dos cinco maiores grupos de vestuário do Brasil e encerrou um dos ciclos de controle familiar mais longos da história empresarial brasileira. Três anos depois, em 2024, a fusão entre o Grupo Soma e a Arezzo&Co deu origem à Azzas 2154, com a Hering passando a operar como uma das marcas do novo conglomerado. Em 2 de setembro de 2026, a Azzas 2154 anunciou sua própria cisão — e a Hering permanece no bloco liderado por Alexandre Birman, junto com a Arezzo&Co (veja os detalhes completos da cisão no artigo “Leia também” abaixo). Quase 150 anos depois de nascer numa tecelagem manual em Blumenau, a marca que virou sinônimo de camiseta no Brasil segue mudando de mãos, mas sem perder a presença no dia a dia dos brasileiros.

Leia também: Azzas 2154 anuncia cisão: Arezzo e SOMA se separam menos de 2 anos após a fusão, A história da Arezzo: da sapataria de família à fusão que apagou o nome, A história da Riachuelo: da loja de tecidos em Natal ao grupo que deu seu nome à própria holding e A história do O Boticário: de farmácia de manipulação em Curitiba à disputa acirrada com a Natura.
Fontes: Wikipédia — Companhia Hering, Exame — “A longa história da Hering” e iPatrimônio — “Blumenau: fundação Hermann Hering”.
