A história da Arezzo: da sapataria de família à fusão que apagou o nome

A Arezzo nasceu numa garagem em Belo Horizonte em 1972, virou dona da Vans e da Reserva no Brasil, e em 2024 se fundiu com o Grupo Soma. Hoje o nome sobrevive só como uma de 34 marcas da Azzas 2154.

A história da Arezzo: da sapataria de família à fusão que apagou o nome

Atualizado em: 30 de agosto de 2026

Uma sapataria masculina fundada numa garagem de Belo Horizonte virou, meio século depois, uma das maiores companhias de moda da América Latina — mas perdeu o próprio nome pelo caminho. A história da Arezzo passa pela entrada de um fundo de private equity, um IPO na bolsa, a distribuição da Vans no Brasil e a compra da Reserva, até a fusão de 2024 que apagou “Arezzo” do balanço e deu lugar à Azzas 2154. Veja como isso aconteceu.

De uma sapataria em Belo Horizonte a uma marca nacional

Em 1972, Anderson Birman, com o apoio do irmão Jefferson, fundou a Arezzo em Belo Horizonte, produzindo sapatos masculinos. A produção começou de forma artesanal, na garagem da casa dos pais, e logo migrou para o público feminino, que se tornaria o foco da marca. Em 1978, um dos primeiros grandes sucessos da marca foi uma sandália plataforma revestida de juta com cabedal em camurça — modelo que ajudou a consolidar a Arezzo no mercado feminino. Em 1986, a empresa adotou o modelo de franquias — uma das pioneiras da moda brasileira nesse formato — e passou a se espalhar pelo país como rede.

Schutz, a Tarpon e a virada para o mercado de capitais

Em 1995, Alexandre Birman — filho de Anderson, então com 18 anos — criou a marca Schutz, de forma independente da Arezzo. A virada veio em novembro de 2007: o fundo de private equity Tarpon Investimentos comprou 25% da Arezzo e promoveu a fusão com a Schutz, dando origem à Arezzo&Co. Em 2011, a empresa fez seu IPO na B3, captando R$ 565,8 milhões — dinheiro que financiou a expansão da rede e, em 2012, a abertura da primeira loja própria em Nova York, na Madison Avenue.

Vitrine de loja com botas de couro femininas em exposição, ilustrando a expansão da Arezzo&Co no varejo de calçados após o IPO de 2011
Com o capital do IPO de 2011, a Arezzo&Co acelerou a expansão de lojas no Brasil e no exterior.

De marca de sapato a casa de marcas: Vans e Reserva

No fim de 2019, a Arezzo&Co assumiu a distribuição exclusiva da Vans no Brasil — a marca americana de tênis já estava no país desde 1998, mas sem rede própria. Só no primeiro ano da parceria, o número de lojas Vans saltou de 3 para 15. Em 2020, a Arezzo&Co deu um passo além dos calçados: comprou a Reserva — marca carioca de moda masculina fundada em 2004 por Rony Meisler e Fernando Sigal — por R$ 715 milhões (R$ 225 milhões em dinheiro, o restante em ações), passando a operar como AR&CO. Em fevereiro de 2023 veio a primeira aquisição internacional, a marca italiana Paris Texas, elevando o portfólio a 13 marcas.

Fachada de loja Vans com pessoas passando na calçada, marca que a Arezzo&Co passou a distribuir com exclusividade no Brasil a partir de 2019
A Vans foi o primeiro passo da Arezzo&Co rumo a se tornar uma “casa de marcas”, muito além dos próprios calçados.

A fusão que apagou o nome Arezzo: nasce a Azzas 2154

Em agosto de 2024, a Arezzo&Co se fundiu com o Grupo Soma — dono de marcas como Animale, Farm e Hering — dando origem à Azzas 2154, hoje negociada na B3 sob o ticker AZZA3. O nome é uma referência à antiga meta interna “Arezzo rumo a 2154”, brincadeira recorrente de Anderson Birman sobre a perpetuidade do grupo. A nova companhia reúne 34 marcas e cerca de 2 mil lojas. Em 2025, primeiro ano completo após a fusão, o lucro líquido somou R$ 770,7 milhões, alta de 30,5% sobre 2024. Mas o segundo trimestre de 2026 mostrou o quanto a integração ainda é difícil: lucro líquido recorrente de R$ 106,5 milhões, queda de 62,5% na comparação anual, e receita líquida de R$ 2,6 bilhões, 8,2% menor — reflexo de uma fusão entre culturas e estruturas mais complexa do que o previsto — o período pós-fusão também foi marcado por alta rotatividade em cargos de liderança, sinal de que a integração das duas companhias segue em curso. A sapataria que nasceu numa garagem de Belo Horizonte virou uma gigante da moda latino-americana, mas o próprio nome “Arezzo” não sobreviveu à jornada — segue vivo apenas como uma das 34 etiquetas dentro da Azzas 2154.

Logotipo oficial da Azzas 2154, empresa formada pela fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma em agosto de 2024
Desde agosto de 2024, o nome “Arezzo” não existe mais como companhia aberta — só como marca dentro da Azzas 2154.

Leia também: Havaianas: como um chinelo barato virou moda global, Grendene: quem criou a Melissa e a Ipanema, Lojas Renner: como uma gaúcha virou gigante do varejo e C&A Brasil: como uma marca holandesa dominou o varejo.

Fontes: Wikipédia — Azzas 2154, Exame — Como a Vans explodiu no Brasil depois da parceria com a Arezzo, Brazil Journal — Arezzo compra a Reserva, InfoMoney — Arezzo vai se chamar Azzas 2154 e CNN Brasil — Azzas tem queda de 62,5% no lucro do 2º tri.

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