Quem é o dono da Netflix? Dos DVDs ao streaming

Quem é o dono da Netflix? Conheça os fundadores, entenda quem são os acionistas e veja como a empresa passou dos DVDs ao streaming e chegou ao Brasil.

Escritório da Netflix em Los Gatos, Califórnia, em 2018
Escritório da Netflix em Los Gatos, Califórnia, fotografado em 2018. Foto: <a href="https://commons.wikimedia.org/wiki/File:101_Albright_Way.jpg">Coolcaesar/Wikimedia Commons</a>, <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0">CC BY-SA 4.0</a>.

A Netflix não tem um único dono: ela pertence aos acionistas da Netflix, Inc., empresa americana de capital aberto. Reed Hastings e Marc Randolph são os fundadores, mas criar uma companhia não significa continuar sendo seu proprietário exclusivo. Também é diferente de ocupar o cargo de CEO, responsável pela gestão.

A história ajuda a entender essa diferença. Antes de virar o aplicativo de filmes e séries, a Netflix recebia pedidos pela internet e enviava DVDs pelo correio nos Estados Unidos. Neste guia, você vai entender quem está por trás da empresa, como o negócio mudou e quando chegou ao Brasil.

Resposta rápida
Empresa: Netflix, Inc.
Origem: Estados Unidos.
Fundadores: Reed Hastings e Marc Randolph, em 1997.
Propriedade: dividida entre acionistas.
Gestão: Ted Sarandos e Greg Peters são os co-CEOs na consulta de 18/10/2026.

Quem é o dono da Netflix?

A resposta correta é o conjunto de seus acionistas. Em uma companhia de capital aberto, ações representam parcelas da propriedade. Essas participações podem estar com pessoas, fundos e outras instituições. Por isso, procurar apenas um nome pode produzir uma resposta enganosa.

Imagine uma empresa dividida em mil partes iguais: quem tem dez possui 1% do capital. Essa pessoa é sócia, mas não é proprietária de tudo. O exemplo é simplificado; a influência nas decisões também depende de direitos de voto e das regras de governança.

O documento para a assembleia de acionistas de 2026 apresenta a estrutura acionária e prevê um voto por ação ordinária. Na posição de referência de 6 de abril de 2026, a participação beneficiária atribuída a Reed Hastings, incluindo opções computadas no documento, era inferior a 1%. Portanto, não é correto apresentá-lo como dono de toda a Netflix.

Fundador, acionista e CEO: qual é a diferença?

Esses três papéis podem ser ocupados pela mesma pessoa, mas não são sinônimos. Separá-los é útil para entender a Netflix e outras empresas que cresceram depois de receber investimento ou entrar na bolsa.

  • Fundador: participa da criação do negócio. É uma condição histórica, mesmo que depois saia da empresa.
  • Acionista: possui ações. Pode aumentar, reduzir ou vender sua participação.
  • CEO: lidera a gestão executiva. O cargo não transforma automaticamente seu ocupante no maior acionista.
  • Conselho de administração: supervisiona a companhia e sua liderança dentro das regras de governança.

Uma comparação cotidiana ajuda: ser proprietário de um imóvel e administrá-lo são atividades diferentes. No mundo empresarial, a separação é mais complexa, mas a ideia central permanece: propriedade e gestão não precisam estar nas mesmas mãos.

Reed Hastings, um dos fundadores da Netflix, em fotografia de 2010.
Reed Hastings, um dos fundadores da Netflix, em fotografia de 2010. Foto: JD Lasica/Wikimedia Commons, CC BY 2.0.

Quem fundou a Netflix e como ela começou?

Reed Hastings e Marc Randolph fundaram a Netflix em 1997. A operação inicial tinha uma proposta bem diferente do streaming: usar a internet para escolher filmes e o correio para entregar os discos. A fundação da empresa e a abertura do serviço ao público aconteceram em momentos distintos.

Em seu relato sobre os 25 anos do lançamento, Randolph registra que o site entrou no ar em 14 de abril de 1998. O começo teve problemas de capacidade e trabalho manual para preparar os pedidos. Segundo ele, o primeiro dia terminou com cerca de 200 clientes.

Essa origem mostra um ponto interessante: a Netflix já era um negócio ligado à internet antes de transmitir vídeos. O site organizava a escolha e a relação com o consumidor; o conteúdo ainda percorria o caminho físico entre um centro de distribuição e a casa do cliente.

Marc Randolph, cofundador da Netflix, em evento de 2017.
Marc Randolph, cofundador da Netflix, em evento de 2017. Foto: Gage Skidmore/Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0.

Como funcionava a Netflix dos DVDs pelo correio?

No modelo de assinatura descrito no relatório anual de 2007, o assinante escolhia títulos no site, recebia os DVDs pelo correio e os devolvia em envelopes com postagem paga. Depois da devolução, a empresa enviava outro título disponível da fila do cliente.

Não era necessário ir até uma locadora. Por outro lado, havia espera pelo transporte e limites associados ao plano. A logística dos discos era parte essencial do serviço: o filme podia ser escolhido online, mas não aparecia imediatamente na tela.

Envelope do antigo serviço de DVDs da Netflix, registrado em 2008.
Envelope do antigo serviço de DVDs da Netflix, registrado em 2008. Foto: Marit & Toomas Hinnosaar/Wikimedia Commons, CC BY 2.0.

Essa operação continuou por muito mais tempo do que muita gente imagina. A Netflix confirmou o último envio de DVDs em 29 de setembro de 2023. Durante anos, portanto, o negócio físico e o streaming coexistiram. A mudança não foi uma troca instantânea de um formato por outro.

Quando a Netflix virou streaming?

O streaming começou em 2007. O relatório daquele ano descreve a introdução, em janeiro, de uma função para assistir pelo computador. Era o início de uma nova forma de entrega dentro de uma empresa que ainda tinha forte presença no aluguel de DVDs.

Em termos simples, streaming é a reprodução de conteúdo transmitido pela internet, sem depender da chegada de um disco. O usuário escolhe o que deseja assistir, e o serviço entrega os dados necessários à reprodução. A experiência passou a depender de conexão e dispositivos compatíveis, em vez de uma entrega postal.

A transformação foi tanto tecnológica quanto comercial. A promessa de conveniência permaneceu, mas a espera pelo correio deixou de fazer parte daquela experiência. A empresa passou a disputar a atenção do público em uma tela conectada.

Instalações da Netflix em Los Gatos em 2008, quando DVDs e streaming coexistiam.
Instalações da Netflix em Los Gatos em 2008, quando DVDs e streaming coexistiam. Foto: Coolcaesar at English Wikipedia/Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0.

Da distribuição de filmes às séries originais

Outro passo foi ampliar a aposta em conteúdo exclusivo. Um marco conhecido é House of Cards: a Netflix anunciou os 13 episódios da primeira temporada para 1º de fevereiro de 2013, disponíveis de uma vez.

O lançamento ajuda a explicar a associação da marca com a ideia de assistir a vários episódios em sequência. Ele deve ser entendido como um marco da estratégia de originais, sem confundir “série famosa que consolidou o modelo” com “primeira produção de toda a história da plataforma”.

Também vale separar duas relações: exibir uma obra não significa ser dono da empresa que a produziu. Plataformas podem adquirir direitos de distribuição por contrato. Um filme de determinado estúdio aparecer no catálogo, sozinho, não prova uma compra daquele estúdio.

Edifício de escritórios da Netflix em Los Angeles.
Edifício de escritórios da Netflix em Los Angeles. Foto: Kstanhope of Netflix/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

Quando a Netflix chegou ao Brasil?

A Netflix começou a operar no Brasil em 5 de setembro de 2011, já com streaming. O comunicado de lançamento anunciava acesso por computadores e dispositivos compatíveis, incluindo consoles de videogame.

Uma curiosidade é o preço divulgado naquele momento: R$ 14,99 por mês. Esse é um valor histórico de 2011, não uma oferta atual. O dado ajuda a situar a chegada da empresa, mas não deve ser usado para comparar planos sem considerar a época e as condições do serviço.

O público brasileiro conheceu, assim, uma etapa diferente daquela vivida pelos primeiros clientes americanos. Aqui, o ponto de partida era assistir pela conexão à internet; nos Estados Unidos, a marca já carregava anos de experiência com entregas físicas.

Quem comanda a Netflix?

Na página oficial de liderança consultada em 18 de outubro de 2026, Ted Sarandos e Greg Peters aparecem como co-CEOs. Isso significa que compartilham a liderança executiva da companhia.

O anúncio de sucessão de janeiro de 2023 registra a entrada de Peters na função ao lado de Sarandos e a saída de Hastings do cargo de CEO. A história do fundador continua ligada à marca, mas o comando operacional passou a outra configuração.

Ted Sarandos no SXSW de 2016; a foto antecede sua nomeação como co-CEO.
Ted Sarandos no SXSW de 2016; a foto antecede sua nomeação como co-CEO. Foto: Daniel Benavides from Austin, TX/Wikimedia Commons, CC BY 2.0.

Como conferir quem são os acionistas?

Para verificar participações, consulte os documentos na área de relações com investidores da Netflix e observe três informações: a data de referência, o tipo de participação e as notas explicativas. Uma tabela publicada em determinado ano pode usar dados de períodos anteriores.

O próprio documento de 2026 ilustra esse cuidado: a linha da Vanguard remete a uma posição antiga, enquanto uma nota registra uma reorganização e mudança na forma de reportar as participações em março de 2026. Copiar apenas o percentual da tabela pode distorcer a informação.

Por isso, “maior acionista”, “controlador” e “dono único” não são expressões intercambiáveis. Uma gestora aparecer em um documento também não significa que todo o investimento pertença a uma única pessoa. A resposta central permanece: a propriedade da Netflix é distribuída entre acionistas.

A história da Netflix em uma linha do tempo

  • 1997: fundação por Reed Hastings e Marc Randolph.
  • 1998: lançamento do site de aluguel de DVDs.
  • 2002: abertura de capital, registrada na retrospectiva do relatório anual de 2007.
  • 2007: início do streaming.
  • 2011: chegada ao Brasil.
  • 2013: estreia de House of Cards.
  • 2023: Greg Peters assume como co-CEO ao lado de Ted Sarandos; o serviço de DVDs realiza seu último envio.

A trajetória reúne mudanças de tecnologia, distribuição e gestão. Conhecer essas etapas evita reduzir uma empresa de capital aberto ao nome de seu fundador. Para explorar outras histórias, veja também os artigos do Dicionário News sobre a Uber e o iFood.

Perguntas frequentes sobre a Netflix

Quem é o dono da Netflix?

A Netflix pertence aos acionistas da Netflix, Inc., companhia americana de capital aberto. Ela não tem um único proprietário.

Quem criou a Netflix?

Reed Hastings e Marc Randolph fundaram a empresa em 1997. O site de aluguel de DVDs foi lançado em abril de 1998.

Reed Hastings é dono de toda a Netflix?

Não. Ele é cofundador. Ser fundador não significa possuir todas as ações de uma empresa de capital aberto.

A Netflix é brasileira?

Não. A Netflix é uma empresa americana. O serviço chegou ao Brasil em 5 de setembro de 2011.

Quando começou o streaming da Netflix?

Em 2007. Antes disso, o negócio era baseado no aluguel de DVDs enviados pelo correio nos Estados Unidos.

A Netflix ainda envia DVDs pelo correio?

Não. O último envio do serviço de DVDs ocorreu em 29 de setembro de 2023.

Quem são os CEOs da Netflix?

Ted Sarandos e Greg Peters são os co-CEOs apresentados na página oficial de liderança consultada em 18 de outubro de 2026.

Ter um filme no catálogo significa ser dono do estúdio?

Não. A exibição pode ocorrer por um contrato de distribuição ou licenciamento. A presença de um filme no catálogo não demonstra a aquisição do estúdio.

Apuração atualizada em 18/10/2026. Cargos e participações acionárias podem mudar. As fotografias históricas têm suas datas e créditos identificados nas legendas.

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