Keeta é chinesa? Quem é o dono do app de delivery que desafia o iFood

A Keeta é chinesa: pertence à Meituan, gigante de Pequim controlada pelo fundador Wang Xing. Veja a história, a chegada ao Brasil e a briga com o iFood.

Painel amarelo da Keeta em um cruzamento movimentado de Hong Kong
Painel da Keeta em um cruzamento movimentado de Hong Kong, em 2025. Foto: ShengyuH/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

Sim, a Keeta é chinesa: o aplicativo pertence à Meituan, gigante de Pequim que domina as entregas de comida na China. A Keeta é a marca que a Meituan usa fora do país. No Brasil, ela chegou em outubro de 2025 com a promessa de investir US$ 1 bilhão em cinco anos para disputar o mercado com o iFood e a 99Food.

Quem manda na Meituan é o fundador, Wang Xing. Ele tem cerca de 8% das ações, mas controla 45,30% dos votos graças a ações com direito a voto multiplicado, segundo o relatório semestral de 2026 da empresa. Neste guia, você vai entender quem é o dono da Keeta, de onde vem a Meituan, como a marca chegou ao Brasil e por que ela virou alvo do iFood no Cade.

Resposta rápida
Empresa: Keeta, marca internacional da Meituan.
Origem: China (sede em Pequim; empresa registrada nas Ilhas Cayman e listada na Bolsa de Hong Kong).
Fundador da Meituan: Wang Xing, em 2010.
Controle: Wang Xing, com 45,30% dos votos em agosto de 2026.
No Brasil: desde 30 de outubro de 2025, começando por Santos e São Vicente (SP).

Quem é o dono da Keeta?

A Keeta não é uma empresa independente. Ela é uma das operações da Meituan, que a lista entre as “novas iniciativas” em seus balanços, ao lado de supermercados, bicicletas compartilhadas e aluguel de carregadores portáteis. Quem compra pela Keeta em São Paulo, Hong Kong ou na Arábia Saudita usa um serviço da mesma companhia.

A Meituan tem ações negociadas na Bolsa de Hong Kong e milhares de acionistas. O controle, porém, é concentrado. A empresa tem duas classes de ações: as de classe A, que dão direito a 10 votos cada, e as de classe B, com um voto. Só os dois fundadores têm ações de classe A, segundo o relatório:

  • Wang Xing, fundador e presidente: 515,9 milhões de ações de classe A, com cerca de 45,30% dos votos. As ações estão em uma empresa ligada a um fundo da família e em outra empresa dele.
  • Mu Rongjun, cofundador: 63,3 milhões de ações de classe A, com cerca de 5,56% dos votos.
  • BlackRock, gestora americana: dona de 6,25% das ações de classe B, o que não dá controle.

Na prática, Wang Xing tem a palavra final na maior parte das decisões, mesmo sem ser dono da maioria do capital. O próprio relatório avisa os investidores que essa estrutura permite aos fundadores controlar a empresa “independentemente de como votem os demais acionistas”. Em alguns temas reservados, como mudanças no estatuto, cada ação tem apenas um voto.

Bonde de Hong Kong com propaganda da Keeta, em agosto de 2025.
Bonde de Hong Kong com propaganda da Keeta, em agosto de 2025. Foto: Wailundsm WORTPPOUA/Wikimedia Commons, CC0.

O que é a Meituan e quem é Wang Xing

A Meituan nasceu em 2010, quando Wang Xing fundou o site meituan.com, de compras coletivas, segundo o relatório anual de 2025. Com o tempo, a empresa virou um “superaplicativo” de serviços locais: entrega de comida e de mercado, reservas de hotéis e restaurantes, bicicletas e motos compartilhadas e até veículos de entrega autônomos.

Antes da Meituan, Wang Xing já tinha criado duas empresas de internet. Em 2005, cofundou o Xiaonei, primeira rede social universitária da China, vendido em 2006 e depois rebatizado de Renren. Em 2007, cofundou o Fanfou, um serviço de microblog. Mu Rongjun, o outro fundador com ações especiais, trabalhou no Baidu e esteve com Wang Xing no Fanfou.

A gigante chinesa de tecnologia Tencent, dona do WeChat, foi por anos uma das maiores acionistas da Meituan. Em 2022, a Tencent anunciou que distribuiria as ações da Meituan aos próprios acionistas, operação concluída em março de 2023, segundo o relatório da Meituan.

Wang Xing, fundador da Meituan, em foto de 2009, antes da criação da empresa.
Wang Xing, fundador da Meituan, em foto de 2009, antes da criação da empresa. Foto: X|Media|Lab/Wikimedia Commons, CC BY 2.0.

Como a Keeta começou

A Keeta estreou em 22 de maio de 2023, em Hong Kong, nos bairros de Mong Kok e Tai Kok Tsui, segundo a Caixin e a CNBC. Foi o primeiro passo da Meituan fora da China continental.

A estratégia foi agressiva, com descontos e cupons para ganhar clientes rapidamente. Em Hong Kong, a Keeta alcançou resultado positivo por pedido no quarto trimestre de 2025 e lucro estável em 2026, segundo os relatórios da empresa. Depois veio a Arábia Saudita e, no segundo semestre de 2025, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Brasil.

Adesivo da Keeta na porta de um restaurante em Hong Kong, em dezembro de 2024.
Adesivo da Keeta na porta de um restaurante em Hong Kong, em dezembro de 2024. Foto: Haelele Waimings MOA/Wikimedia Commons, CC0.

Quando a Keeta chegou ao Brasil

O anúncio foi feito em 12 de maio de 2025, em Pequim, durante um seminário empresarial China-Brasil na visita oficial do presidente Lula à China. A Meituan prometeu investir US$ 1 bilhão, cerca de R$ 5,6 bilhões, em cinco anos no país, segundo a InfoMoney.

A operação começou em 30 de outubro de 2025, em Santos e São Vicente, no litoral paulista, segundo o Startups. Depois, o aplicativo chegou à capital. No relatório semestral de 2026, a Meituan diz que, no Brasil, “manteve o foco no mercado de São Paulo”.

Em outubro de 2026, o vice-presidente da Keeta no Brasil, Danilo Mansano, disse que 20% do investimento prometido já foram aplicados e que a meta é chegar a 21 cidades até o fim do ano, com foco no interior, segundo o ND+.

Sacolas de pedidos da Keeta à espera de retirada em um shopping de Hong Kong, em janeiro de 2026.
Sacolas de pedidos da Keeta à espera de retirada em um shopping de Hong Kong, em janeiro de 2026. Foto: WenlAA LUwuasmn HOO26/Wikimedia Commons, CC0.

A briga com o iFood e a 99Food

A chegada da Keeta acirrou a disputa do delivery, um mercado em que o iFood é líder há anos. A 99, controlada pela também chinesa Didi, também voltou ao delivery com a 99Food. A disputa logo foi parar na Justiça e no órgão de defesa da concorrência:

  • Exclusividade: o Tribunal de Justiça de São Paulo considerou ilegais as cláusulas da 99Food que proibiam restaurantes de trabalhar com a Keeta, segundo o ND+.
  • Denúncia no Cade: em 31 de agosto de 2026, o iFood pediu ao Cade a abertura de processo contra a Keeta por preços predatórios. Para o iFood, a concorrente opera com prejuízo em cada pedido, bancada pelo dinheiro da matriz chinesa.

As acusações são do iFood e ainda precisam ser analisadas pelo Cade. A estratégia de crescer com subsídios, porém, é a mesma que a Keeta usou em Hong Kong. A história do líder do setor está no guia sobre o iFood, e a da concorrente da Didi, no da 99.

Entregador da Meituan, com o uniforme amarelo da marca, em uma rua da China em 2024.
Entregador da Meituan, com o uniforme amarelo da marca, em uma rua da China em 2024. Foto: TurnOnTheNight/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

Curiosidades sobre a Keeta e a Meituan

  • O amarelo é de família: a Keeta usa o mesmo amarelo da Meituan, presente nos uniformes, nas caixas térmicas e nos veículos de entrega na China.
  • Entrega sem motorista: a Meituan testa na China pequenos veículos autônomos de entrega, sem ninguém dentro.
  • Muito além da comida: no relatório anual, a Meituan diz que seu seguro contra acidentes de trabalho para entregadores chegou a 17 províncias e cidades chinesas, cobrindo mais de 16 milhões de entregadores.
  • Uma empresa de Cayman: apesar de chinesa, a Meituan é registrada nas Ilhas Cayman, estrutura comum entre gigantes chinesas de tecnologia listadas no exterior.
Veículo autônomo de entregas da Meituan em teste em Pequim, em 2021.
Veículo autônomo de entregas da Meituan em teste em Pequim, em 2021. Foto: Anonymousfox36/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

A Keeta não é a única chinesa que mudou hábitos de consumo no Brasil. Veja também quem são os donos da Shopee e da Temu, e a história da Uber.

Perguntas frequentes sobre a Keeta

A Keeta é chinesa?

Sim. A Keeta é a marca internacional da Meituan, empresa chinesa com sede em Pequim, registrada nas Ilhas Cayman e listada na Bolsa de Hong Kong.

Quem é o dono da Keeta?

A Keeta pertence à Meituan, que é controlada pelo fundador Wang Xing. Em agosto de 2026, ele detinha cerca de 45,30% dos votos da empresa, graças a ações com voto multiplicado.

Quem é Wang Xing?

É o fundador, presidente do conselho e executivo-chefe da Meituan. Antes, criou a rede social universitária Xiaonei, que virou o Renren, e o serviço de microblog Fanfou.

Quando a Keeta chegou ao Brasil?

A operação começou em 30 de outubro de 2025, em Santos e São Vicente, no litoral de São Paulo. O investimento havia sido anunciado em maio de 2025, em Pequim.

Quanto a Keeta vai investir no Brasil?

A Meituan anunciou US$ 1 bilhão em cinco anos, cerca de R$ 5,6 bilhões. Em outubro de 2026, a empresa disse que 20% desse valor já tinham sido aplicados.

Em quais cidades a Keeta funciona?

A operação começou na Baixada Santista e tem foco na cidade de São Paulo. A meta divulgada em outubro de 2026 é chegar a 21 cidades até o fim do ano.

Por que o iFood denunciou a Keeta ao Cade?

Em agosto de 2026, o iFood acusou a Keeta de praticar preços predatórios, operando com prejuízo por pedido para ganhar mercado. O caso depende de análise do Cade.

A Keeta tem relação com a 99Food?

Não. A 99Food pertence à 99, controlada pela chinesa Didi. As duas empresas são concorrentes e já disputaram na Justiça cláusulas de exclusividade com restaurantes.

Apuração atualizada em 20/10/2026. Participações e votos conforme o relatório semestral de 2026 da Meituan (posição de 28 de agosto de 2026). As fotos mostram a Keeta em Hong Kong e a Meituan na China.

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