Pandora é de qual país? Quem é o dono da joalheria dos berloques

A Pandora nasceu na Dinamarca e virou uma joalheria global. Conheça os fundadores, os acionistas, a chegada ao Brasil e os materiais das peças.

Loja principal da Pandora em Copenhague, na Dinamarca
Loja principal da Pandora em Copenhague, na Dinamarca. Foto: Pandora/divulgação. https://www.pandoragroup.com/media/media-library/images

A Pandora é uma marca dinamarquesa de joias, fundada em Copenhague em 1982 por Per Enevoldsen e Winnie Liljeborg. Conhecida pelas pulseiras com berloques, ela pertence à Pandora A/S, companhia de capital aberto negociada na bolsa de Copenhague. Hoje, portanto, a resposta para “quem é o dono da Pandora?” passa pelos seus acionistas, e não apenas pelo casal que abriu a primeira loja.

A história tem uma virada curiosa: a empresa já existia havia quase duas décadas quando lançou o conceito de pulseira que a tornaria conhecida internacionalmente. A combinação de lembranças pessoais, produção em escala e compras que podem continuar ao longo dos anos ajudou a transformar pequenos pingentes em um negócio global.

Pandora é de qual país?

A origem e a sede da Pandora ficam na Dinamarca. Mas a nacionalidade da marca não deve ser confundida com o local de fabricação de cada peça. A companhia mantém sua criação em Copenhague e desenvolveu sua estrutura industrial na Ásia, com fábricas na Tailândia e, desde outubro de 2026, também no Vietnã.

Essa divisão aparece na descrição oficial do processo de produção: o desenho começa no estúdio dinamarquês e se conecta ao desenvolvimento de produto e às equipes de fabricação. Assim, uma peça produzida na Tailândia pode ser uma Pandora original; o país asiático faz parte da trajetória da empresa há décadas.

Escritório global da Pandora em Copenhague.
Escritório global da Pandora em Copenhague. Foto: Pandora/divulgação.

Como uma pequena loja deu origem à Pandora

O ponto de partida foi uma joalheria de bairro. Per era ourives, e ele e Winnie abriram o negócio em Copenhague com o nome Populair Smykker, traduzido pela companhia como “Joias Populares”. Viagens à Tailândia abasteciam a loja com peças importadas. A procura cresceu e o casal passou a atender também outros comerciantes.

Segundo a cronologia da Pandora, em 1987 a empresa encerrou aquela atividade de varejo, mudou para instalações maiores e contratou seu primeiro designer interno. Em 1989 começou a fabricar na Tailândia. Era uma mudança de papel: de revendedora de joias para criadora e fabricante de seus próprios produtos.

Primeira loja da Pandora em Copenhague, em registro de 1982 do acervo da empresa.
Primeira loja da Pandora em Copenhague, em registro de 1982 do acervo da empresa. Foto: Pandora/divulgação.

Esse começo ajuda a entender por que a história não cabe na imagem de uma marca europeia que só mais tarde terceirizou a fabricação. A relação com a Tailândia precede o sucesso internacional das pulseiras. O conhecimento comercial e a estrutura produtiva foram sendo montados antes de o produto mais famoso ganhar as vitrines.

Os berloques chegaram depois: a virada das pulseiras

O conceito de pulseira com charms da Pandora foi lançado na Dinamarca em 2000. A história publicada pela marca registra a entrada nos Estados Unidos em 2003 e na Alemanha e na Austrália em 2004. Em 2005, a empresa abriu uma grande unidade própria de fabricação em Gemopolis, na Tailândia, para ampliar sua capacidade.

O berloque é o pequeno elemento decorativo que pode ser acrescentado a uma pulseira ou a outro suporte compatível. Na proposta da marca, ele também pode representar uma pessoa, uma viagem, uma comemoração ou um gosto particular. A peça deixa de ser apenas um enfeite escolhido de uma vez: a composição pode mudar e receber novos capítulos.

Brochura histórica da pulseira Pandora, preservada no acervo da marca.
Brochura histórica da pulseira Pandora, preservada no acervo da marca. Foto: Pandora/divulgação.

Do ponto de vista do negócio, essa lógica favorece compras em momentos diferentes. Uma pessoa pode começar pela pulseira e adquirir outros elementos depois; alguém que procura um presente pode escolher um berloque para uma coleção já iniciada. É uma leitura do modelo comercial, não uma promessa de que todo cliente se comportará assim.

A Pandora não precisa ser apresentada como inventora dos adornos pendurados em pulseiras para que sua contribuição seja compreendida. O marco documentado é o lançamento do seu conceito em 2000 e a construção de uma marca internacional em torno dele. Essa distinção evita transformar uma inovação comercial em uma alegação histórica ampla demais.

Quem é o dono da Pandora hoje?

A dona da marca é a Pandora A/S. Suas ações estão listadas na Nasdaq Copenhagen, e a propriedade da companhia está distribuída entre investidores. Fundador, acionista e presidente executivo são funções diferentes: criar uma empresa não significa continuar sendo seu único proprietário, assim como comandar a gestão não equivale a possuir o negócio.

Na página de informações aos acionistas, consultada em 3 de novembro de 2026, a Pandora destacava duas participações relevantes:

  • Parvus Asset Management Jersey Limited: 12,55% do capital e dos direitos de voto, conforme posição comunicada em 20 de agosto de 2026.
  • BlackRock Inc.: 9,97% do capital e dos direitos de voto, conforme posição comunicada em 18 de fevereiro de 2026.

São posições divulgadas em datas específicas, sujeitas a mudanças. Nenhuma delas, isoladamente, corresponde à maioria do capital. Também não seria correto dizer que “a BlackRock é a dona da Pandora” como se a gestora fosse proprietária exclusiva da joalheria.

A passagem pela Axcel e a abertura de capital

A história societária inclui a entrada da gestora Axcel, que adquiriu 60% da empresa em 2008. O IPO ocorreu em 5 de outubro de 2010. Em dezembro de 2014, a própria Axcel anunciou a venda final de sua participação, encerrando aquele investimento. Por isso, informações antigas sobre seu controle não descrevem a estrutura atual.

A gestão executiva é outra camada dessa organização. Na relação oficial de dirigentes consultada para esta matéria, Berta de Pablos-Barbier aparece como presidente e CEO. Peter A. Ruzicka preside o conselho de administração.

Quando a Pandora chegou ao Brasil?

As joias Pandora são vendidas no Brasil desde 2009. A operação direta da companhia ganhou outro formato em 2013, quando ela anunciou um acordo para comprar a City Time Brazil, incluindo os direitos de distribuição da marca no país.

O comunicado de 30 de agosto de 2013 descrevia nove lojas-conceito: cinco em São Paulo, duas no Rio de Janeiro, uma em Brasília e uma em Curitiba, além do comércio eletrônico. Esses números retratam a operação envolvida no acordo daquela época, não a rede brasileira atual.

A distinção entre 2009 e 2013 é útil: uma data marca a presença comercial dos produtos; a outra, o acordo para incorporar a distribuidora. Dizer simplesmente que a marca “chegou em 2013” apagaria os anos anteriores de vendas no país.

No varejo brasileiro, a Pandora divide a atenção do consumidor com outras joalherias, mas não deve ser confundida com a Vivara, cuja trajetória começou no Brasil com a família Kaufman. São empresas distintas, com histórias e estruturas societárias próprias.

Berloques de coração e pequenos adornos em imagem de divulgação da Pandora.
Berloques de coração e pequenos adornos em imagem de divulgação da Pandora. Foto: Pandora/divulgação.

Onde as joias são fabricadas?

A Tailândia foi a base industrial histórica da Pandora. Em 1º de outubro de 2026, a companhia inaugurou uma fábrica em Ho Chi Minh City, no Vietnã, sua primeira unidade de produção fora do território tailandês.

Segundo o anúncio da inauguração, o investimento foi de US$ 150 milhões e a unidade tem capacidade projetada para até 60 milhões de peças por ano. A empresa informa que poderá gerar 7 mil empregos quando estiver plenamente operacional. Esses são parâmetros de capacidade e expansão, não uma afirmação de que a fábrica já entregou esse volume.

Aplicação manual de acabamento em joias Pandora.
Aplicação manual de acabamento em joias Pandora. Foto: Pandora/divulgação.

“Acabamento manual” também não significa que toda a produção seja feita sem máquinas. A Pandora descreve uma combinação de tecnologia industrial com etapas executadas por profissionais, como aplicação de esmalte e cravação de pedras. É possível produzir em grande escala e ainda manter trabalho manual em partes do processo.

Pandora é prata, ouro ou joia banhada?

Depende da peça. Não é correto atribuir um único material a todo o catálogo. A prata de lei 925 é uma liga com 92,5% de prata, e a marca também trabalha com outras composições e revestimentos. A descrição técnica de cada produto é o que permite saber o que está sendo comprado.

A página oficial sobre marcações dos metais explica que o sinal S925 identifica a prata de lei. Ela também diferencia as marcações referentes ao metal da peça de seu eventual revestimento externo. Uma aparência dourada, por si só, não demonstra que o objeto seja de ouro maciço.

O que mudou com a platina em 2026

Em fevereiro de 2026, a Pandora anunciou peças banhadas a platina, usando um núcleo de liga metálica chamado PANDORA EVERSHINE. A empresa associou a estratégia à diversificação dos materiais e à redução de sua dependência da prata diante da volatilidade dos custos.

Banhado a platina não é sinônimo de platina maciça. A palavra “banhado” informa que o metal está no revestimento. Tampouco o anúncio permite concluir que todas as peças antigas de prata mudaram de composição: o material precisa ser conferido no produto específico.

O que significa usar prata e ouro reciclados

A Pandora informa que, desde agosto de 2024, a prata e o ouro utilizados na fabricação são de origem reciclada. Isso descreve a origem desses metais, não uma promessa de que todo componente de toda joia seja reciclado. Também não altera, por si só, a diferença entre uma liga de prata e um produto com banho.

Grãos de ouro e prata reciclados utilizados na fabricação de joias Pandora.
Grãos de ouro e prata reciclados utilizados na fabricação de joias Pandora. Foto: Pandora/divulgação.

Como a Pandora ganha dinheiro além das pulseiras

O catálogo inclui anéis, brincos, colares e outras joias. A expansão também alcança diamantes cultivados em laboratório: em junho de 2026, a companhia anunciou a entrada dessas coleções na Espanha e na Itália. A notícia mostra a ampliação do portfólio internacional, sem significar que todas as linhas estejam disponíveis em todos os países.

A empresa controla etapas que vão do desenho e da fabricação à distribuição e à venda. Essa integração permite coordenar produto, comunicação e presença nas lojas. No encerramento de 2025, a receita anual foi de 32,5 bilhões de coroas dinamarquesas, segundo o relatório anual. Receita é o valor das vendas contabilizadas; não equivale ao lucro que sobra depois dos custos e despesas.

Para quem conhece a marca principalmente pelos presentes, vale separar três perguntas: qual história o desenho representa, de que material a peça é feita e com qual pulseira ou suporte ela funciona. São dimensões diferentes do mesmo produto. A força da Pandora veio da associação entre elas, mas a escolha de um berloque continua dependendo do gosto e da coleção de quem vai usá-lo.

Perguntas frequentes sobre a Pandora

Pandora é de qual país?

A Pandora é dinamarquesa. Foi fundada em Copenhague em 1982 e mantém sua sede na cidade, embora fabrique joias na Ásia.

Quem fundou a Pandora?

O ourives Per Enevoldsen e Winnie Liljeborg abriram o negócio que deu origem à marca. A primeira loja se chamava Populair Smykker.

Quem é o dono da Pandora hoje?

A marca pertence à Pandora A/S, companhia de capital aberto listada na Nasdaq Copenhagen. Sua propriedade é distribuída entre acionistas; Parvus e BlackRock estão entre as participações relevantes divulgadas.

Quando surgiu a pulseira de berloques da Pandora?

A empresa lançou seu conceito de pulseira com charms na Dinamarca em 2000, anos depois da fundação da primeira loja.

Pandora e Vivara são a mesma empresa?

Não. A Pandora é uma companhia dinamarquesa, enquanto a Vivara tem origem brasileira e uma trajetória empresarial própria.

Quando a Pandora chegou ao Brasil?

As joias são vendidas no Brasil desde 2009. Em 2013, a Pandora anunciou o acordo para adquirir a distribuidora local e assumir diretamente aquela operação.

Toda joia Pandora é de prata 925?

Não. O material varia conforme o produto. Existem peças de prata de lei e outras composições e revestimentos; a descrição técnica deve ser consultada para cada modelo.

Pandora banhada a platina é platina maciça?

Não. Nas peças anunciadas em 2026, a platina é um revestimento sobre um núcleo de liga metálica. Banho e metal maciço são construções diferentes.

Imagem de abertura: loja da Pandora em Copenhague. Fotografias: Pandora/divulgação, acervo oficial disponibilizado para uso editorial. Informações societárias conferidas em 3 de novembro de 2026.

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