Pullman é de quem? O dono do pão de forma e as marcas da Bimbo no Brasil
A Pullman pertence ao Grupo Bimbo, do México, desde 2001. Veja a origem da marca, quem controla a Bimbo e o que mudou com Wickbold e Nutrella.

A Pullman pertence ao Grupo Bimbo, multinacional mexicana de panificação, desde 2001. A marca de pão de forma tem origem brasileira, nos anos 1950, e passou pelo grupo Bunge antes de chegar às mãos dos mexicanos. Hoje divide o mesmo dono com Plus Vita, Ana Maria, Rap10, Wickbold e Seven Boys — e acaba de ver a Nutrella, outra marca da casa, ser vendida por exigência do Cade.
Quem é o dono da Pullman?
A dona é a Bimbo do Brasil, subsidiária do Grupo Bimbo, com sede na Cidade do México. Na página oficial das marcas do grupo no Brasil, a Pullman aparece ao lado de Bimbo, Plusvita, Nutrella, Ana Maria, Rap 10, Croccantissimo, Pingüinos, Takis, Wickbold e Seven Boys.
O Grupo Bimbo é uma companhia de capital aberto, listada na Bolsa Mexicana de Valores com o código BIMBO, mas o controle continua com as famílias fundadoras. Segundo o relatório anual de 2024 da empresa, citado pela Bloomberg Línea, a principal acionista é a Normaciel, com 40,95% das ações, seguida da Promociones Monser, com 12,7%. Ainda segundo a Bloomberg Línea, o presidente executivo do conselho de administração é Daniel Servitje Montull, da família fundadora.
Portanto, a resposta para “Pullman é de quem?” não é um único empresário: é um grupo mexicano de capital aberto, controlado por uma família.

A Pullman é brasileira ou mexicana?
A marca nasceu no Brasil; a dona é mexicana. A Bimbo diz que a Pullman faz parte da rotina das famílias brasileiras desde 1950 e a apresenta como pioneira do pão de forma no país. O controle estrangeiro só veio meio século depois, com a compra de 2001.
A mesma distinção entre origem e propriedade aparece em outras marcas conhecidas, como a Elma Chips, nascida em Curitiba e hoje da PepsiCo, e a Nissin, dona do Miojo.
De onde vem o nome Pullman?
A origem mais difundida da marca, registrada pelo Guia dos Curiosos e reproduzida no verbete da Wikipédia, conta que o português Manoel Correa de Souza Filho voltou de uma viagem aos Estados Unidos nos anos 1950 e fundou a Pão Americano Indústria e Comércio. Com tecnologia importada, a empresa levou ao mercado brasileiro o pão de forma tradicional, conhecido lá fora como “pão pullman”.
O termo é anterior à marca. Nos Estados Unidos, pullman loaf é o pão branco assado em uma fôrma longa e estreita, com tampa, o que deixa as laterais retas e a fatia quadrada. Segundo o Tasting Table, fôrmas desse tipo já eram usadas por padeiros europeus; o nome veio depois, quando funcionários dos vagões-restaurante da companhia ferroviária Pullman perceberam como era fácil empilhar esses pães.

Da Bunge à Bimbo: a venda de 2001
Antes da Bimbo, a Pullman fazia parte da Plus Vita, negócio de pães da divisão Santista do grupo Bunge. Em 20 de março de 2001, a Bunge Alimentos anunciou a venda da Plus Vita S.A. ao Grupo Bimbo por R$ 132 milhões (US$ 63,5 milhões na época), segundo o Just Food. O presidente da divisão Santista, Julio Cardoso, justificou que o negócio de pães “sempre foi uma operação independente” e que o dinheiro seria investido em outras áreas.
Para a Bimbo, foi a porta de entrada no país. A história oficial do grupo registra que a chegada ao Brasil, em 2001, se deu por meio de dois nomes fortes do mercado: Pullman e Plusvita.
Depois vieram outras aquisições. Em 2008, a Bimbo comprou a Nutrella, marca local de pães. Em setembro de 2009, inaugurou uma fábrica em Salvador, a primeira do grupo na Bahia e a segunda no Nordeste, segundo o governo baiano.

Quem é o Grupo Bimbo?
O grupo nasceu em dezembro de 1945, na Cidade do México, quando seis empreendedores liderados por Lorenzo Servitje fundaram a Panificación Bimbo, com 34 funcionários, de acordo com o relatório anual de 2025 da empresa.
No mesmo relatório, a Bimbo se descreve como a maior empresa de panificação do mundo. Os números ajudam a dimensionar o grupo:
- presença em 93 países, com operação direta em 39;
- 249 padarias industriais e fábricas e mais de 1.700 centros de venda;
- vendas acima de US$ 22 bilhões;
- mais de 54 mil rotas de distribuição e mais de 153 mil funcionários.
Além de Pullman, o portfólio global inclui marcas como Bimbo, Marinela, Barcel e Sara Lee.

Wickbold e Seven Boys também são da Bimbo?
Sim, desde outubro de 2025. O acordo para comprar a Wickbold foi anunciado em 30 de agosto de 2024, segundo a Expansión. A empresa nasceu em 1938, em São Paulo, como uma pequena padaria. Segundo o Cade, a operação envolveu as marcas Wickbold, Seven Boys, Do Forno e Tá Pronto!.
O Cade aprovou o negócio em 17 de setembro de 2025 (processo 08700.009090/2024-02), mas com condições. A Bimbo teve de vender a Nutrella, de pães com apelo saudável, e a Wickbold, a Tá Pronto!, de tortilhas — concorrente direta do Rap10. Por três anos, a Bimbo também só pode usar marcas com o nome Rap10 para vender tortilhas no país.
Nas demonstrações financeiras de 2025, o Grupo Bimbo informa que concluiu a aquisição de 100% do Grupo Wickbold em 6 de outubro de 2025. Assim, Pullman, Wickbold e Seven Boys, que disputavam a mesma gôndola de pão de forma, passaram a ter o mesmo dono.

Por que a Nutrella foi vendida?
A venda foi uma exigência do Cade para aprovar a compra da Wickbold. Como a Bimbo não encontrou um comprador aceito, o acordo permitiu um leilão. Em 24 de julho de 2026, a marca foi arrematada por R$ 4,7 milhões na Mega Leilões, valor que chega a R$ 4,935 milhões com a comissão do leiloeiro, segundo a Exame. O pacote incluiu a marca, receitas, fórmulas, estoque e a carteira de clientes dos últimos 18 meses.
O comprador é a Panco (razão social Lua Nova Indústria e Comércio de Produtos Alimentícios). Segundo o InvestNews, o Cade considerou que a empresa cumpria os requisitos do acordo e orientou Bimbo e Panco a concluírem a transferência. Até a publicação deste texto, essa etapa final não havia sido anunciada como concluída.
Quais marcas são da Bimbo no Brasil?
Além da Pullman, o grupo reúne no país:
- Plusvita — pães; foi a porta de entrada da Bimbo junto com a Pullman;
- Ana Maria — bolinhos, marca que comemorou 50 anos em 2026, segundo o Propmark;
- Rap10 — tortilhas para wrap;
- Wickbold, Seven Boys e Do Forno — vindas da compra de 2025;
- Bimbo, Croccantissimo, Pingüinos e Takis — outras marcas do portfólio.
A Nutrella ainda aparece na lista oficial, mas está em processo de transferência para a Panco. Em outro segmento da padaria industrial, a Bauducco segue nas mãos de uma família brasileira.
Perguntas frequentes sobre a Pullman
Quem é o dono da Pullman?
A Pullman pertence ao Grupo Bimbo, multinacional mexicana de panificação, por meio da Bimbo do Brasil.
A Pullman é brasileira?
A marca nasceu no Brasil, nos anos 1950, como Pão Americano Indústria e Comércio. Desde 2001, pertence ao Grupo Bimbo, do México.
Quando a Bimbo comprou a Pullman?
Em 2001, quando o Grupo Bimbo comprou a Plus Vita, que reunia as marcas Plus Vita e Pullman, do grupo Bunge. A Plus Vita foi vendida por R$ 132 milhões.
Pullman e Wickbold são da mesma empresa?
Sim. A Bimbo concluiu a compra do Grupo Wickbold, dono das marcas Wickbold e Seven Boys, em 6 de outubro de 2025, após aprovação condicionada do Cade.
Quem comprou a Nutrella?
A Panco. A marca foi leiloada por R$ 4,7 milhões em julho de 2026, por exigência do Cade, e a compra foi aprovada pelo órgão em outubro de 2026.
Quem controla o Grupo Bimbo?
As famílias fundadoras. A principal acionista é a Normaciel, com 40,95% das ações, segundo o relatório anual de 2024. O conselho é presidido por Daniel Servitje Montull.
Foto de capa: embalagens do pão de forma Pullman Tradicional em gôndola de supermercado, em 2021. JCMA / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0. Recorte.