Vigor é de quem? Como a marca de laticínios de 1917 passou da JBS à mexicana Lala
A Vigor pertence ao mexicano Grupo Lala desde 2017. Veja a história da marca de 1917, a passagem pela família Mansur, pela Bertin e pela JBS.

A Vigor pertence ao Grupo Lala, empresa mexicana de laticínios, desde 2017. A marca de iogurtes, queijos e requeijão nasceu em 1917 e passou por várias mãos antes disso: a família Mansur, o frigorífico Bertin e a JBS, dos irmãos Batista. A venda para os mexicanos fez parte do plano da J&F de levantar dinheiro para pagar multas e acordos de leniência.
Quem é o dono da Vigor?
A dona é o Grupo Lala, do México. A compra foi anunciada em 3 de agosto de 2017, e o grupo mexicano concluiu a aquisição de 99,9% das ações da Vigor Alimentos no fim de outubro daquele ano, segundo o Money Times.
Com a operação, a Lala ficou com as marcas Vigor, Danúbio, Faixa Azul, Serrabella, Leco, Amélia e Carmelita, segundo a Exame. Foi a entrada do grupo mexicano no mercado brasileiro de laticínios.

A Vigor é brasileira ou mexicana?
A marca é brasileira; a dona é mexicana. A Vigor tem origem em 1917, data confirmada no comunicado da Lala sobre a compra. Segundo a Wikipédia, a empresa começou em Itanhandu, no sul de Minas Gerais, com o nome Oliva da Fonseca Indústria e Comércio, e logo transferiu a operação para São Paulo.
É o mesmo caminho de outras marcas conhecidas: a Pullman também nasceu no Brasil e hoje pertence a um grupo mexicano, o Bimbo.
De Mansur à JBS: as mãos por onde a Vigor passou
Durante décadas, a Vigor esteve sob controle do empresário Carlos Alberto Mansur. Em 2007, passou ao frigorífico Bertin. Dois anos depois, em 2009, a JBS incorporou o Bertin e herdou a fabricante de laticínios, que então saiu da bolsa valendo R$ 970 milhões. O histórico foi publicado pelo jornal Valor Econômico e reproduzido pela Abras.
Em fevereiro de 2012, a JBS anunciou a separação do negócio de lácteos: os acionistas poderiam trocar ações da JBS por ações da Vigor, que voltou à bolsa, no Novo Mercado. A empresa passou a fazer parte do grupo J&F, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista que também controla a JBS.

O iogurte grego e a compra da Itambé
Sob a J&F, a Vigor mudou de posicionamento. Gilberto Xandó, presidente de 2011 a 2019, contou à Exame que a empresa reformulou receitas, embalagens e preços. O marco foi o iogurte grego, lançado em 2013, quando, segundo ele, o produto ainda não existia no mercado brasileiro. Xandó descreve o lançamento como um divisor de águas para a companhia.
No mesmo ano, a Vigor comprou 50% da Itambé, de Minas Gerais, por R$ 410 milhões. Essa sociedade acabaria no centro de uma disputa judicial anos depois, contada no artigo Itambé é de quem?.
2017: por que a J&F vendeu a Vigor
A venda fez parte do plano da J&F de levantar cerca de R$ 8 bilhões com a venda de ativos para pagar multas e acordos de leniência, segundo a Exame. A Vigor era controlada pela holding, com cerca de 20% nas mãos da JBS.
Os números mudaram ao longo da negociação. A referência inicial era de R$ 5,7 bilhões. No fechamento, em outubro de 2017, a Lala pagou R$ 5,025 bilhões por 99,9% da Vigor, valor que incluía a fatia de 50% na Itambé: R$ 1,1 bilhão pela parte da JBS e R$ 3,9 bilhões pelas ações da J&F, segundo o Money Times. Se a cooperativa mineira CCPR exercesse o direito de preferência sobre a Itambé, o valor cairia para R$ 4,325 bilhões. A CCPR exerceu esse direito e, no dia seguinte, revendeu a Itambé à francesa Lactalis.
No comunicado da compra, a Lala descreveu a Vigor com 9 fábricas, 19 centros de distribuição, mais de 3.900 funcionários e vendas estimadas em R$ 2,4 bilhões em 2017, segundo a FoodNews Latam.
Quem é o Grupo Lala?
A Lala nasceu em 1950 como La Pasteurizadora Laguna, na região de La Laguna, no norte do México, e se fundiu em 1977 com a Pasteurizadora Nazas, segundo a Exame. Na época da compra da Vigor, o grupo faturava cerca de 53,5 bilhões de pesos e tinha 22 fábricas no México, nos Estados Unidos e na América Central.
O controle é de um grupo de acionistas liderado pelo empresário Eduardo Tricio Haro, presidente do conselho. Em 2021, esse grupo comprou as ações que estavam nas mãos de investidores na Bolsa Mexicana de Valores e passou a deter 99,6% do capital, para tirar a empresa da bolsa, segundo a Axis Negocios e o El Financiero.

Perguntas frequentes sobre a Vigor
Quem é o dono da Vigor?
O Grupo Lala, empresa mexicana de laticínios, que comprou 99,9% da Vigor Alimentos em 2017.
A Vigor é brasileira?
A marca nasceu no Brasil, em 1917. Desde 2017, pertence ao Grupo Lala, do México.
A Vigor era da JBS?
Sim. A JBS herdou a Vigor ao incorporar o frigorífico Bertin, em 2009. Em 2012, a Vigor foi separada da JBS e passou a ser controlada pela J&F, holding dos irmãos Batista, até a venda para a Lala.
Por quanto a Vigor foi vendida?
No fechamento, em outubro de 2017, a Lala pagou R$ 5,025 bilhões por 99,9% da Vigor, incluindo a fatia de 50% na Itambé. O valor cairia para R$ 4,325 bilhões com a saída da Itambé, que foi comprada pela cooperativa CCPR.
Quais marcas pertencem à Vigor?
Na compra, a Lala ficou com Vigor, Danúbio, Faixa Azul, Serrabella, Leco, Amélia e Carmelita.
Imagem de capa: logotipo da Vigor. Wikimedia Commons, domínio público (logotipo apenas tipográfico). Marca registrada da empresa.