Chester é que bicho? A história da ave criada pela Perdigão
O Chester é um frango de linhagem escocesa com 70% da carne no peito e nas coxas. Veja a origem, o nome, se tem hormônio e quem é o dono da marca.

O Chester é um frango. Não é peru, não é uma espécie à parte e não é transgênico. Trata-se de uma linhagem de frango comum (Gallus gallus domesticus) de origem escocesa, selecionada ao longo de décadas para concentrar cerca de 70% da carne no peito e nas coxas. “Chester” é o nome comercial dessa ave, uma marca registrada da Perdigão, que hoje pertence à BRF, controlada pela MBRF Global Foods.
O mistério em torno do bicho foi alimentado pela própria empresa durante décadas: por muito tempo, a Perdigão dizia não ter fotos do animal vivo. Isso deu origem a lendas de que o Chester não teria cabeça ou de que comeria tanto que não conseguiria andar. Veja o que se sabe de fato sobre a ave mais famosa do Natal brasileiro.
Chester é que bicho?
É um frango de uma linhagem específica, criada para ser maior e mais carnuda que o frango comum. Em 2020, quando a marca completou 40 anos no Brasil, a BRF divulgou pela primeira vez fotos do animal vivo, em reportagem da CNN Brasil. Na ocasião, a gerente executiva da Perdigão, Luciana Bulau, afirmou que o diferencial da ave é “uma genética que foi aperfeiçoada” e os cuidados nas granjas e na alimentação.

Segundo a empresa, as lendas não passam de invenção. A executiva reconheceu que a Perdigão “alimentou essa aura de mistério” no passado. O Chester tem cabeça, penas e anda normalmente, como qualquer frango. A diferença está no tamanho e na distribuição da carne.
Também segundo a Perdigão, a ave é abatida com cerca de 50 dias, 20 dias a mais que o frango convencional, e recebe uma dieta específica, com vitaminas e minerais. Embora a linhagem tenha origem escocesa, o produto Chester só é vendido no Brasil.
De onde vem o nome Chester?
Vem do inglês chest, que significa peito. Em 2022, o gerente executivo da Perdigão, Rafael Gonçalez, explicou ao jornal Hoje em Dia que o nome foi escolhido porque a ave tem grande concentração de carne no peito.
A marca está registrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A consulta à base pública do órgão mostra que a Perdigão Agroindustrial pediu o registro da marca Chester em 14 de agosto de 1980. O registro em vigor hoje, para produtos alimentícios, foi pedido em 1984 e está em nome da BRF S.A.
A mesma consulta mostra que a palavra “Chester” também já foi registrada por outras empresas em outras categorias, como roupas, móveis e cigarros. Ou seja: a BRF tem a exclusividade do nome para carnes e alimentos desse tipo, não para qualquer produto.
Como o Chester surgiu?
A ave chegou ao Brasil por volta de 1980. As versões da própria empresa variam em detalhe: em 2020, a Perdigão disse que a linhagem foi trazida da Escócia em 1980; em 2022, outro executivo contou que a ave, de origem escocesa, foi trazida pela empresa dos Estados Unidos no fim dos anos 1970. Nos dois relatos, a marca começou a ser vendida poucos anos depois.

O objetivo era competir com o peru de Natal da Sadia, a grande rival da Perdigão. A aposta deu certo: o Chester virou sinônimo de ceia de Natal no Brasil. Em 2009, as duas rivais se uniram na BRF, e hoje o peru da Sadia e o Chester da Perdigão pertencem ao mesmo grupo.
O tempo de preparação é longo. Segundo a empresa, a produção para o Natal começa em março. A Perdigão não divulga quantas aves vende por ano. Em 2022, a empresa disse apenas que são “milhões de unidades produzidas e consumidas a cada ano” e que o número exato é tratado como questão estratégica.
Chester tem hormônio ou é transgênico?
Não. O Chester não é um organismo geneticamente modificado. A linhagem foi formada pelo melhoramento genético tradicional: a cada geração, foram escolhidas para reprodução as aves com maior desenvolvimento de peito e coxa. É o mesmo princípio usado há séculos na criação de animais e no cultivo de plantas.
Hormônios também estão fora. A Instrução Normativa nº 17 de 2004 do Ministério da Agricultura proíbe usar substâncias com efeito hormonal para estimular o crescimento de aves no Brasil. A regra vale para o Chester e para qualquer frango produzido no país. O tamanho maior vem da genética, do tempo de criação mais longo e da alimentação.
Onde o Chester é criado e por que só os machos?
A produção se concentra em Mineiros, em Goiás, segundo a Perdigão. Só os machos viram o Chester inteiro vendido no Natal, porque crescem mais e têm a proporção de peito e coxa desejada. De acordo com a Embrapa, citada pela CNN Brasil, são escolhidos os machos sem defeitos, como contusões ou fraturas.
As fêmeas da linhagem são criadas, mas abatidas mais cedo, com peso e idade parecidos com os do frango convencional, e vendidas em cortes. Os machos que não atendem ao padrão do produto natalino são transformados em outros itens, como filé de peito, coxa e sobrecoxa e produtos processados. É por isso que hoje a linha inclui peito de Chester, coxas temperadas e até linguiça.

Chester, peru ou frango: qual é a diferença?
Na mesa, a Perdigão descreve o Chester como uma carne mais macia e de sabor mais suave que o de outras aves natalinas, com menos gordura que a do frango. Essas comparações são da própria fabricante. Na hora de calcular a ceia, a empresa informa que um Chester inteiro serve até oito pessoas.
Quem é o dono do Chester?
A marca Chester é da Perdigão, empresa fundada em 1934 pelas famílias Brandalise e Ponzoni em Videira, Santa Catarina. Em 2009, a Perdigão se uniu à Sadia e formou a BRF, dona das duas marcas. Em 2025, a BRF foi incorporada pela Marfrig: a operação foi concluída em 22 de setembro, e no dia seguinte a nova companhia, a MBRF Global Foods, estreou na B3, segundo a Forbes. O empresário Marcos Molina, controlador da Marfrig, comanda o grupo.

Ou seja, o Chester da ceia de Natal pertence hoje ao mesmo grupo que vende a carne bovina da Marfrig, o peru e os frios da Sadia e os produtos da Perdigão. A história completa dessas fusões está no nosso artigo sobre a BRF, de Sadia e Perdigão à fusão com a Marfrig. Para outro clássico do fim de ano, veja quem é o dono da Bauducco, a marca do panetone.
Perguntas frequentes sobre o Chester
Chester é frango ou peru?
É frango. O Chester é uma linhagem de frango comum (Gallus gallus domesticus) selecionada para ter mais carne no peito e nas coxas. O peru é outra espécie.
Chester existe de verdade?
Sim. É uma ave real, criada em granjas em Mineiros, Goiás. Em 2020, a BRF divulgou fotos do Chester vivo para acabar com o mistério sobre o animal.
Chester é transgênico?
Não. A linhagem foi formada por melhoramento genético tradicional, com a seleção das aves de maior desenvolvimento de peito e coxa a cada geração.
Chester tem hormônio?
Não. O uso de hormônios para estimular o crescimento de aves é proibido no Brasil pela Instrução Normativa nº 17 de 2004 do Ministério da Agricultura.
O que significa o nome Chester?
O nome vem do inglês “chest”, que significa peito, porque a ave concentra muita carne nessa parte do corpo.
Quem é o dono do Chester?
O Chester é uma marca registrada da Perdigão, que pertence à BRF. Desde 2025, a BRF faz parte da MBRF Global Foods, resultado da fusão com a Marfrig.
Por que só existe Chester no Natal?
A Perdigão concentra a venda do Chester inteiro no Natal por estratégia comercial, para torná-lo um símbolo da ceia. A produção começa em março, e cortes da ave são vendidos em outras épocas.
Quantas pessoas um Chester serve?
Segundo a Perdigão, um Chester inteiro serve até oito pessoas.
Imagem de abertura: <a href=”//commons.wikimedia.org/w/index.php?title=User:Almanaque_Lusofonista&action=edit&redlink=1″ class=”new” / Wikimedia Commons, Public domain. Carreta com a marca Perdigão em 2025. Redimensionamento e compressão; fotografia mantida sob a mesma licença.