A história da Kodak: a empresa que inventou a câmera digital e faliu por causa dela
A Kodak dominou a fotografia mundial por quase um século — até que seu próprio engenheiro inventou a câmera digital em 1975. A empresa engavetou a tecnologia por medo de canibalizar o filme, foi destruída por ela mesma décadas depois, e ainda protagonizou um capítulo bizarro em 2020, quando virou fabricante de remédios da noite para o dia.

A Kodak não foi destruída por um concorrente — foi destruída por sua própria invenção. Em 1975, um engenheiro da própria empresa construiu a primeira câmera digital do mundo dentro dos laboratórios da Kodak. A companhia engavetou o projeto para proteger o negócio de filme fotográfico — e décadas depois viu justamente a fotografia digital destruir esse mesmo negócio, levando-a à falência em 2012.
1888: “você aperta o botão, nós fazemos o resto”
George Eastman e Henry Strong fundaram a Kodak em 4 de setembro de 1888, com uma proposta revolucionária para a época: câmeras simples o bastante para qualquer pessoa usar, resumidas no slogan “você aperta o botão, nós fazemos o resto”. A ideia democratizou a fotografia, até então restrita a profissionais com equipamentos complexos, e lançou as bases de um império que dominaria o setor por quase um século.

O domínio absoluto do século 20
Ao longo do século 20, a Kodak chegou a controlar 90% das vendas de filme e 85% das vendas de câmeras nos Estados Unidos. Em 2000, ainda no auge, a empresa faturava US$ 19 bilhões por ano, com ações negociadas acima de US$ 70 — o filme fotográfico sozinho respondia por 72% da receita e 66% do lucro operacional da companhia, com margens de até 70 centavos de lucro por dólar vendido.
1975: a invenção que a própria Kodak engavetou
Em dezembro de 1975, o engenheiro Steven Sasson, então com 24 anos, construiu nos laboratórios da Kodak em Rochester a primeira câmera digital autônoma do mundo — um aparelho do tamanho de uma torradeira que registrava uma única imagem em preto e branco em 23 segundos. A empresa registrou a patente em 1977, mas engavetou o projeto: os executivos temiam que a tecnologia acabasse com o lucrativo negócio de filme, já que o digital rendia apenas 5 centavos de lucro por dólar, contra 70 centavos do filme. Um relatório interno de 1979 chegou a prever corretamente que o digital substituiria o filme até 2010 — mesmo assim, a Kodak não agiu de forma decisiva.

2012: a falência e o capítulo final bizarro
Mesmo liderando o mercado de câmeras digitais em 2005, com 21,3% de participação, a Kodak perdia dinheiro em cada aparelho vendido. A receita despencou de US$ 19 bilhões em 2000 para menos de US$ 6 bilhões em 2011, com as ações caindo para menos de US$ 1. Em janeiro de 2012, a Kodak entrou com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, encerrando sua presença no próprio mercado que havia inventado. A história ainda reservava um capítulo bizarro: em 2020, já uma sombra do que foi, a Kodak anunciou um empréstimo de US$ 765 milhões do governo americano para produzir insumos farmacêuticos contra a Covid-19 — as ações dispararam mais de 1.000% em dois dias, mas a SEC abriu investigação por suspeita de uso de informação privilegiada, e o empréstimo acabou suspenso.

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Fontes: Revista Oeste — “4 de setembro na História: a fundação da Kodak”, Hardware.com.br — “A história completa: como a Kodak inventou a câmera digital e…” e InfoMoney — “Ações da Kodak disparam mais de 1.000% com plano para produção de farmacêuticos no combate à pandemia”.
