A história da Xiaomi: de startup de celulares baratos ao carro elétrico que já vendeu mais de 100 mil unidades
A Xiaomi nasceu em 2010 com a proposta de vender celulares bons e baratos pela internet. A empresa chegou ao Brasil em 2015, saiu no ano seguinte e voltou em 2019 — hoje é a 3ª maior fabricante de smartphones do mundo e, desde 2024, também fabrica carros elétricos.

A Xiaomi nasceu com uma proposta simples: celulares bons e baratos, vendidos direto pela internet. A empresa chinesa cresceu tão rápido que se tornou a 4ª maior fabricante de smartphones do mundo em apenas oito anos — mas sua relação com o Brasil foi tudo menos linear: chegou, saiu, e só depois voltou para ficar. E o capítulo mais recente da história nem é sobre celular: é sobre um carro elétrico.
2010: celulares bons e baratos, vendidos pela internet
Lei Jun fundou a Xiaomi em 6 de abril de 2010, em Pequim, ao lado de outros seis cofundadores. A proposta era ousada para a época: smartphones de qualidade premium a preços acessíveis, vendidos diretamente pela internet, sem a margem das lojas físicas tradicionais. Curiosamente, a empresa lançou primeiro seu próprio sistema operacional, o MIUI, antes mesmo de ter um aparelho físico para rodá-lo. O primeiro smartphone da marca, o Xiaomi Mi 1, só chegou ao mercado em agosto de 2011.

Crescimento meteórico e IPO em Hong Kong
Em cerca de oito anos, a Xiaomi se tornou a 4ª maior fabricante de smartphones do mundo — um ritmo de crescimento raro mesmo para os padrões do setor de tecnologia. Em 2018, a empresa deu um passo decisivo ao abrir capital na Bolsa de Valores de Hong Kong, usando o capital captado para acelerar sua expansão internacional, primeiro para países vizinhos como Índia, Singapura e Tailândia, depois para mercados mais distantes, como Turquia e Brasil.
Brasil: a chegada, a saída e a volta
A Xiaomi chegou ao Brasil em 29 de junho de 2015 — o primeiro país fora do continente asiático a receber a marca oficialmente. A estratégia incluía fábrica própria via parceria com a Foxconn, vendendo o Redmi 2 por R$ 499 em redes como Lojas Americanas, Submarino e Walmart. O modelo, porém, não se sustentou: em 2016, a empresa encerrou a produção local e suspendeu novos lançamentos no país, movimento confirmado pelo executivo Hugo Barra como parte de uma reestruturação do negócio. A volta veio aos poucos: em 2018, uma parceria com a Amazon reintroduziu produtos da marca ao consumidor brasileiro; em fevereiro de 2019, a DL Eletrônicos assumiu como distribuidora oficial; em junho daquele ano, o Redmi Note 7 já era o smartphone mais vendido da Amazon Brasil. Só em 2021 a Xiaomi abriu sua primeira loja oficial no país, no Shopping Ibirapuera, em São Paulo.

2024: da fabricante de celulares à montadora de carros elétricos
O capítulo mais surpreendente da história recente da Xiaomi não tem nada a ver com smartphones. Em 28 de março de 2024, a empresa lançou oficialmente seu primeiro carro elétrico, o SU7 (Speed Ultra 7), com preço inicial de 215.900 yuans (cerca de US$ 29.636) na China. Em meados de novembro daquele ano, a Xiaomi anunciou ter ultrapassado a marca de 100 mil unidades do SU7 entregues no ano, superando sua própria meta — um desempenho que colocou a fabricante de celulares diretamente na disputa do setor automotivo elétrico, ao lado de nomes como Tesla e BYD. Hoje, a Xiaomi é a 3ª maior fabricante de smartphones do mundo, com um portfólio que já inclui tablets, smartwatches, fones de ouvido, patinetes e, agora, carros elétricos.

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Fontes: Mobile Time — “Nascimento da Xiaomi e sua chegada no Brasil”, Wikipédia (inglês) — Xiaomi SU7 e CNN — “China’s Xiaomi joins the crowded EV race with ‘dream car'”.
