Quem é o dono da Cimed? A família por trás do Carmed

A família Marques controla a Cimed, dona de Carmed, Lavitan e Cimegripe. Conheça a história, João Adibe, Karla Felmanas e a entrada do GIC.

Fachada da Cimed em imagem institucional divulgada pela empresa
Fachada da Cimed em imagem institucional divulgada pela empresa. Crédito: Cimed / divulgação institucional.

A Cimed é controlada pela família Marques, com João Adibe Marques e sua irmã, Karla Marques Felmanas, à frente do negócio. A farmacêutica brasileira, criada pelo pai deles em 1977, também tem o fundo soberano de Singapura GIC como acionista minoritário desde 2025. É a empresa por trás de marcas como Carmed, Lavitan e Cimegripe.

O hidratante labial que virou assunto nas redes sociais é a parte mais visível de uma história que começou muito antes do TikTok. Para entender a Cimed, é preciso olhar tanto para as campanhas que atraem consumidores quanto para as fábricas e a distribuição que colocam os produtos nas farmácias.

Quem é o dono da Cimed?

João Adibe é presidente e CEO; Karla é vice-presidente e uma das principais responsáveis pelo desenvolvimento do Carmed. Os dois são filhos do fundador, João de Castro Marques. Portanto, chamar João Adibe de “dono da Cimed” é uma simplificação: o controle é familiar e há outros acionistas.

Na posição de 31 de dezembro de 2025, o capital da Cimed & Co estava distribuído assim:

56,85%
J A Marques Holding
30,61%
KAR Veículos e Administração Patrimonial
12,54%
NY VII FIP Multiestratégia, veículo do investimento do GIC

As duas holdings da família somavam 87,46%. A composição consta da nota 19 das demonstrações financeiras de 2025. A ligação dessas holdings com João Adibe e Karla também foi detalhada pelo InvestNews.

Logotipo da Cimed, empresa controlada pela família Marques.
Logotipo da Cimed, empresa controlada pela família Marques. Crédito: Cimed / Wikimedia Commons, domínio público (PD-textlogo).

Ser acionista e administrar são papéis diferentes. O primeiro diz respeito à participação na empresa; o segundo, às decisões do dia a dia. Na Cimed, os irmãos acumulam a condição de controladores, por meio das holdings, com funções executivas. A presença de um investidor institucional acrescenta outro participante à sociedade.

A origem: uma empresa familiar fundada em 1977

A trajetória da Cimed começa em São Paulo, em 1977, com João de Castro Marques. Uma homenagem apresentada à Câmara Municipal de Pouso Alegre registra que ele nasceu em Belo Horizonte, iniciou a carreira como propagandista farmacêutico e depois se estabeleceu em São Paulo.

A origem tem uma ligação direta com a venda de medicamentos: antes de comandar uma indústria, o fundador conheceu o trabalho de apresentar produtos ao mercado. A expansão fabril viria depois. Segundo o mesmo documento, a primeira unidade em Pouso Alegre foi inaugurada em 1999.

João de Castro morreu em outubro de 2022. A continuidade do negócio ficou associada aos filhos João Adibe e Karla, mas a história não começa com a exposição dos dois nas redes sociais. Quando a Cimed se tornou conhecida por campanhas digitais, já carregava décadas de operação.

Vista aérea de unidade da Cimed, em fotografia do acervo institucional.
Vista aérea de unidade da Cimed, em fotografia do acervo institucional. Crédito: Cimed / divulgação institucional.

João Adibe e Karla: dois rostos para a mesma empresa

João Adibe se tornou o rosto mais frequente da Cimed em entrevistas sobre crescimento, distribuição e novos negócios. Karla construiu uma presença própria, especialmente ligada ao universo de beleza e ao Carmed. Essa divisão de visibilidade ajuda a explicar por que públicos diferentes chegam à mesma companhia por caminhos distintos.

A trajetória de Karla não começou na indústria farmacêutica. Formada em moda, ela teve uma confecção antes de passar a trabalhar na empresa do pai, como contou em perfil publicado pelo Universa. Sua atuação empresarial antecede a carreira como influenciadora.

Em entrevista à Forbes, Karla descreveu como passou a compartilhar a rotina profissional e aproximou sua imagem das consumidoras. Para uma empresa de produtos de uso cotidiano, essa exposição cria uma oportunidade: mostrar quem participa das decisões e acompanhar a reação do público aos lançamentos.

A leitura empresarial é que a comunicação deixa de depender apenas de anúncios. Os próprios executivos passam a funcionar como canais de apresentação das marcas. Isso amplia o alcance, mas também faz com que suas promessas sejam acompanhadas de perto.

O que a Cimed fabrica além do Carmed?

O portfólio institucional da Cimed reúne medicamentos, suplementos e produtos de cuidados pessoais. Algumas das marcas mais reconhecíveis são:

  • Cimed Genéricos: medicamentos identificados pela marca do laboratório.
  • Cimegripe: linha de antigripais.
  • Lavitan: suplementos vitamínicos e minerais.
  • Carmed: marca associada principalmente aos hidratantes labiais.
  • K-Med: produtos de cuidados íntimos.
  • João e Maria: produtos de cuidados infantis.

Esse conjunto permite atender necessidades diferentes dentro do mesmo ponto de venda. A pessoa que reconhece o Carmed pode não associá-lo, de imediato, ao fabricante de um medicamento ou de um suplemento que já tem em casa.

Atividade em laboratório apresentada pela Cimed em seu acervo institucional.
Atividade em laboratório apresentada pela Cimed em seu acervo institucional. Crédito: Cimed / divulgação institucional.

As categorias também têm regras e finalidades distintas. Um cosmético, um suplemento e um medicamento não são equivalentes só porque compartilham o fabricante. A popularidade de uma marca não substitui a indicação adequada de uso de cada produto.

Como o Carmed virou um fenômeno

O ponto de virada foi a parceria com a Fini, em 2023. Ela aproximou o hidratante labial de um repertório já conhecido pelo público: cores, aromas e referências às balas da marca. O produto passou a circular como assunto de entretenimento e desejo de compra, além de item de cuidado pessoal.

A Associação Brasileira de Licenciamento de Marcas e Personagens registrou, ainda em maio daquele ano, a repercussão do lançamento nas redes. A colaboração mostra como duas marcas podem combinar públicos sem que uma compre a outra: a Fini participou da parceria; a Cimed continuou sendo a fabricante por trás do Carmed.

Identidade visual do Carmed, marca de hidratantes labiais da Cimed.
Identidade visual do Carmed, marca de hidratantes labiais da Cimed. Crédito: Cimed / identidade de marca.

Segundo a Forbes, em reportagem de março de 2024, a marca Carmed faturou R$ 400 milhões em 2023. É um dado daquele período, não uma projeção para todos os anos seguintes.

A lição do episódio vai além de “viralizar”. Uma campanha desperta interesse, mas a venda depende de o produto chegar ao balcão. A rede de farmácias que já recebia medicamentos da Cimed também podia receber as novidades de consumo. Comunicação e distribuição se reforçaram.

Esse tipo de aproximação entre produto e identidade de marca também aparece, por outros caminhos, nas histórias da Natura e do Boticário.

As fábricas e a distribuição por trás da caixinha amarela

A base industrial no Sul de Minas é uma parte essencial dessa expansão. Em setembro de 2023, a Cimed inaugurou sua segunda fábrica em Pouso Alegre. A Agência Minas informou investimento de R$ 450 milhões em infraestrutura e modernização, com 44 mil metros quadrados de área construída.

A capacidade anunciada para a unidade era de 60 milhões de unidades de sólidos orais por mês. Capacidade instalada não significa produção efetivamente realizada: é o potencial informado para a estrutura, sujeito ao ritmo de operação e à demanda.

Estrutura de armazenagem da Cimed: distribuição acompanha a expansão das marcas.
Estrutura de armazenagem da Cimed: distribuição acompanha a expansão das marcas. Crédito: Cimed / divulgação institucional.

Na apresentação institucional, a empresa descreve dois complexos fabris em Pouso Alegre, além de centro de distribuição central e gráfica em São Sebastião da Bela Vista. Também informa outros 26 centros de distribuição pelo país.

Essa estrutura ajuda a entender o negócio fora das telas. Produzir, embalar, manter estoque e entregar são etapas que precisam acompanhar cada lançamento. Se a procura cresce mais rápido do que a capacidade de abastecimento, atenção nas redes não se converte automaticamente em venda.

O esporte já divulgava a Cimed antes das redes sociais

A associação com o esporte não começou com a febre do Carmed. Registros fotográficos de 2010 mostram o time de vôlei Cimed treinando no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. A marca já buscava visibilidade em um ambiente de competição e exposição pública.

Treino do time de vôlei Cimed no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, em 2010.
Treino do time de vôlei Cimed no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, em 2010. Crédito: Alexandre Vieira / Wikimedia Commons, CC BY 2.0. Licença CC BY 2.0.

Hoje, a página institucional de patrocínios apresenta a seleção brasileira, clubes de futebol e o programa de atletas Fly Now. A lógica de comunicação é fácil de reconhecer: colocar uma marca de farmácia em situações que as pessoas acompanham por interesse próprio.

Patrocinar um time, entretanto, não significa ser dono dele. É uma relação comercial distinta do controle de uma empresa ou de uma marca de produtos.

O que mudou com a entrada do GIC?

O anúncio oficial do GIC, publicado em março de 2025, confirmou sua entrada como investidor minoritário. O comunicado relacionou a parceria à expansão da Cimed, com inovação, tecnologia e novas oportunidades de negócio.

O GIC é um investidor ligado às reservas de Singapura, com atuação internacional. Sua entrada não transformou a Cimed em uma empresa controlada pelo governo daquele país: participação minoritária e controle são coisas diferentes.

Também não equivaleu a uma estreia na bolsa. A operação trouxe um investidor para o capital da companhia; não foi uma oferta de ações ao público na B3. O InvestNews registrou, em maio de 2026, que uma abertura de capital continuava sendo uma possibilidade sem data definida.

Quanto a Cimed fatura — e por que receita não é lucro

No balanço consolidado de 2025, auditado pela KPMG, a Cimed & Co registrou receita líquida de R$ 3,07 bilhões, ante R$ 2,73 bilhões em 2024. O lucro líquido caiu de R$ 280,9 milhões para R$ 196,7 milhões. O caixa das atividades operacionais ficou negativo em R$ 55,5 milhões.

Os números mostram que vender mais e lucrar mais não são a mesma coisa. Receita mede vendas; lucro considera custos e despesas; fluxo de caixa acompanha entradas e saídas de dinheiro.

Em entrevista ao InfoMoney em outubro de 2026, João Adibe defendeu a expansão para consumo e afirmou que a geração de caixa havia melhorado. Trata-se da avaliação do executivo durante o exercício, não de um balanço anual encerrado de 2026.

Carmed em Portugal: por que o nome virou Flavy?

Em outubro de 2026, a expansão internacional do hidratante ganhou uma marca diferente: Flavy. Portugal foi escolhido como porta de entrada dessa etapa, com distribuição pela rede Wells.

Em entrevista ao InfoMoney, Karla explicou que a mudança de nome foi pensada para outros mercados. A publicação portuguesa NiT apresentou a chegada à Wells e as primeiras versões.

A iniciativa acrescenta uma nova etapa à trajetória: levar uma marca construída no Brasil a consumidores que não necessariamente conhecem a Cimed ou seus executivos. O desafio passa a ser conquistar espaço e recompra em outro mercado, para além da curiosidade inicial.

Perguntas frequentes sobre a Cimed

A Cimed é brasileira?

Sim. A empresa foi criada no Brasil em 1977 e permanece sob controle da família Marques. Desde 2025, conta também com o GIC, de Singapura, como investidor minoritário.

Quem fundou a Cimed?

João de Castro Marques, pai de João Adibe Marques e Karla Marques Felmanas. A fundação ocorreu em 1977, em São Paulo.

João Adibe é o único dono da Cimed?

Não. O controle é compartilhado pela família por meio de holdings, e há participação minoritária do GIC. João Adibe também exerce o cargo de presidente e CEO.

Karla Felmanas é dona da Cimed?

Karla integra a família controladora, por meio de sua holding, e atua como vice-presidente. Também tem papel de destaque na condução do Carmed e da Flavy.

Carmed é da Cimed ou da Fini?

Carmed é uma marca da Cimed. A Fini participa de colaborações em produtos, o que não significa ser dona da farmacêutica.

Lavitan e Cimegripe são da mesma empresa?

Sim. As duas marcas fazem parte do portfólio da Cimed, assim como Carmed, K-Med e João e Maria.

Onde ficam as fábricas da Cimed?

A empresa informa dois complexos fabris em Pouso Alegre, no Sul de Minas Gerais. A estrutura também inclui gráfica e centro de distribuição central em São Sebastião da Bela Vista.

Flavy e Carmed têm relação?

Sim. Flavy é a marca lançada pela Cimed em Portugal para a expansão internacional da linha de hidratantes labiais conhecida no Brasil como Carmed.

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