Outback é australiano? A origem americana da marca e quem é o dono no Brasil

Não: o Outback é americano, criado em 1988 na Flórida com um tema australiano inspirado no filme Crocodilo Dundee. No Brasil desde 1997, hoje é controlado pela gestora brasileira Vinci Partners (67%), dona da Bold Hospitality Company.

Logotipo oficial do Outback Steakhouse

Atualizado em: 8 de outubro de 2026

Não, o Outback não é australiano: é americano. A rede nasceu em 15 de março de 1988 em Tampa, na Flórida, criada por quatro sócios que nunca tinham ido à Austrália. O tema “australiano” foi inspirado no sucesso do filme Crocodilo Dundee nos Estados Unidos. No Brasil, onde chegou em 1997, o Outback hoje é controlado por uma empresa brasileira: desde dezembro de 2024, a gestora Vinci Partners tem 67% da operação, e a americana Bloomin’ Brands ficou com 33%.

Veja abaixo quem manda no Outback no Brasil e como uma Austrália inventada por americanos virou um dos maiores negócios de restaurantes do país.

Quem é o dono do Outback no Brasil

Os restaurantes Outback, Abbraccio e Aussie no Brasil pertencem à Bold Hospitality Company, nome adotado em 2025 pela antiga Bloomin’ Brands do Brasil. A empresa é controlada pela gestora brasileira Vinci Partners, com 67%. A americana Bloomin’ Brands, dona da marca Outback no mundo, tem os outros 33%.

Desde a venda, concluída em 30 de dezembro de 2024, os restaurantes brasileiros funcionam como franquias da Bloomin’ Brands, que recebe royalties pelo uso da marca, segundo documento da empresa à SEC, a CVM americana. O CEO da operação brasileira é Pierre Berenstein.

1988: quatro americanos inventam uma Austrália

O Outback Steakhouse abriu as portas em 15 de março de 1988, em Tampa, na Flórida, fundado por Bob Basham, Chris Sullivan, Tim Gannon e Trudy Cooper. Nenhum dos quatro conhecia a Austrália. A ambientação foi escolhida porque Crocodilo Dundee (1986) fazia sucesso nos cinemas americanos. “Outback” é o nome dado ao interior remoto da Austrália.

Os sócios chegaram a cogitar uma viagem de pesquisa ao país, mas desistiram. Segundo Chris Sullivan, a ideia era servir “comida americana com diversão australiana”. O prato mais famoso da casa segue a mesma lógica: a Bloomin’ Onion, uma cebola cortada em pétalas e frita inteira, não é um prato australiano e, segundo a Wikipédia, não costuma ser vendida na Austrália fora da própria rede.

Prato de Bloomin' Onion, cebola cortada em pétalas e frita, ao lado de porção de batatas com queijo e bacon em uma mesa de restaurante Outback
A Bloomin’ Onion (à esquerda) virou sinônimo da marca no mundo todo, apesar de não ter nada de australiana.

1997: a “Casinha” da Barra da Tijuca

O Outback chegou ao Brasil em 1997, com a primeira loja na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A arquitetura de rancho fez os cariocas apelidarem o restaurante de “Casinha”. Em 2024, a unidade foi transformada em loja-conceito para comemorar os 27 anos da marca no país.

A operação brasileira nasceu como uma sociedade entre a dona americana e empresários brasileiros liderados por Peter Rodenbeck, presidente do Outback Brasil. A família Rodenbeck também esteve na chegada da Starbucks ao Brasil. Em novembro de 2013, depois de 16 anos de parceria, a Bloomin’ Brands comprou o controle: passou de 50% para 90% da operação, pagando R$ 240,8 milhões, segundo documentos entregues à SEC. Na época, eram 47 restaurantes no país.

Pão integral cortado ao meio com manteiga passada, sobre tábua de madeira vermelha, item tradicional servido gratuitamente nas mesas do Outback
O pão escuro adocicado servido em toda mesa é outro símbolo da marca que atravessou décadas sem mudar.

2015 e 2020: Abbraccio e Aussie

A operação brasileira também passou a trazer outras marcas do grupo. Em 2015, chegou a Abbraccio, de cozinha italiana, inspirada na americana Carrabba’s Italian Grill. Em 2020, veio a Aussie, focada em sanduíches de frango, lançada em São Paulo e depois levada ao Rio de Janeiro.

Em julho de 2022, o grupo dizia que o Brasil era o segundo maior mercado de suas marcas no mundo, atrás só dos Estados Unidos, e que o Distrito Federal era o terceiro maior mercado dentro do país, segundo o Correio Braziliense.

2024: a Vinci compra o controle

Em 6 de novembro de 2024, a Bloomin’ Brands assinou a venda de 67% da operação brasileira para a Vinci Partners por R$ 1,4 bilhão. O negócio avaliou a empresa inteira em R$ 2,06 bilhões, ou 6,5 vezes o seu Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Na época, eram 174 restaurantes Outback, 17 Abbraccio e 2 Aussie.

A venda foi concluída em 30 de dezembro de 2024. O pagamento ficou dividido em duas parcelas: 52% na conclusão e 48% um ano depois. A Bloomin’ Brands manteve 33% e tem a opção de vender essa fatia restante em 2028.

Fachada de uma loja Outback em Tamboré, Barueri, com o letreiro 'OUTBACK' iluminado
Loja do Outback em Tamboré, Barueri (SP). Foto: Victor de Andrade Lopes, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).

2025: nasce a Bold Hospitality Company

Em 2025, a dona das marcas no Brasil trocou de nome: a Bloomin’ Brands do Brasil passou a se chamar Bold Hospitality Company. A mudança veio com a volta ao país do CEO Pierre Berenstein, que estava nos Estados Unidos. O plano anunciado é chegar a 400 restaurantes até 2030, em todos os estados brasileiros.

Resumo: o Outback é australiano, americano ou brasileiro?

A marca Outback é americana, criada em 1988 na Flórida com um tema australiano inventado. No Brasil, a operação é controlada por brasileiros: a Vinci Partners tem 67% da Bold Hospitality Company desde dezembro de 2024, e a Bloomin’ Brands ficou com 33%, recebendo royalties pela marca.

Para comparar com outras redes de restaurante que mudaram de dono no Brasil, leia se o Burger King é brasileiro e quem é o dono e como a Arcos Dourados virou dona do McDonald’s na América Latina. A história do Spoleto mostra uma rede que nasceu brasileira.

Perguntas frequentes sobre o Outback

O Outback é australiano?

Não. O Outback Steakhouse é americano: nasceu em 15 de março de 1988 em Tampa, na Flórida, criado por quatro sócios que nunca tinham ido à Austrália. O tema australiano foi inspirado no sucesso do filme Crocodilo Dundee nos Estados Unidos.

O Outback é brasileiro?

A marca é americana, mas a operação no Brasil é controlada por uma empresa brasileira. Desde dezembro de 2024, a gestora Vinci Partners tem 67% da dona do Outback no país, hoje chamada Bold Hospitality Company. A americana Bloomin’ Brands ficou com 33%.

Quem é o dono do Outback no Brasil?

A Bold Hospitality Company, controlada pela gestora brasileira Vinci Partners, com 67%. A Bloomin’ Brands, dona da marca Outback no mundo, tem os outros 33% e pode vender essa fatia em 2028. A Vinci pagou R$ 1,4 bilhão pelo controle.

O Outback é franquia no Brasil?

Desde 30 de dezembro de 2024, sim: os restaurantes brasileiros passaram a operar como franquias da Bloomin’ Brands, que recebe royalties. Não há donos independentes por loja: todas as unidades são da Bold Hospitality Company, que tem o direito de usar a marca no país.

Quando o Outback chegou ao Brasil?

Em 1997, com a primeira loja na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, apelidada de Casinha pelos cariocas. A operação começou como uma sociedade entre a dona americana e empresários brasileiros liderados por Peter Rodenbeck.

Fontes: Bloomin’ Brands — 8-K da conclusão da venda à Vinci (30/12/2024), Bloomin’ Brands — resultado do 3º trimestre de 2024 (acordo de 06/11/2024), Bloomin’ Brands — 10-Q de 2013 (compra do controle da joint venture brasileira), Bloomin’ Brands — comunicado de 2013, Bloomberg Línea, Mercado & Consumo — Bold Hospitality Company (07/06/2025), Mercado & Consumo — a “Casinha” (29/05/2024), Correio Braziliense (20/07/2022), Mental Floss — fatos sobre o Outback, Chowhound — o Outback é australiano?, GiroNews — meta de 400 lojas até 2030 (30/05/2025) e Outback Steakhouse (Wikipédia em inglês).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *