A história da Starbucks: da lojinha de grãos em Seattle à crise da SouthRock no Brasil
A Starbucks nasceu em 1971 vendendo grãos de café torrado, não café pronto. Howard Schultz transformou a marca numa cafeteria global inspirada na Itália, e em 2006 ela chegou ao Brasil — onde, quase duas décadas depois, sua operadora entrou em recuperação judicial e foi vendida à Zamp.

A Starbucks não nasceu como cafeteria — nasceu como uma loja de grãos de café torrado, chá e especiarias, sem uma única xícara servida no balcão. A transformação em cafeteria global veio anos depois, puxada por um funcionário que se apaixonou pelos bares de espresso da Itália. Meio século depois, a marca chegou ao Brasil, um dos maiores produtores de café do mundo — e viveu ali um dos capítulos mais turbulentos de sua história recente. Esta é a trajetória completa.
1971: a loja de grãos que não vendia café pronto
A Starbucks foi fundada em 30 de março de 1971, em Seattle, por três sócios — Jerry Baldwin, Zev Siegl e Gordon Bowker —, dois deles professores e um escritor. A primeira loja abriu no Pike Place Market e vendia apenas grãos de café torrado, chá em folhas e especiarias, num modelo mais parecido com uma mercearia especializada do que com a cafeteria que a marca se tornaria. Não havia expresso, cappuccino ou qualquer bebida preparada na hora — a experiência de “tomar um café” na Starbucks simplesmente não existia ainda.

1987: Howard Schultz e a inspiração italiana
Howard Schultz entrou na empresa em 1982 e, após uma viagem a Milão, voltou fascinado pelos bares de expresso italianos — pequenos espaços onde as pessoas paravam para tomar café em pé, conversando com o barista. Os fundadores rejeitaram a ideia de transformar a Starbucks numa cafeteria nesses moldes, então Schultz saiu e fundou sua própria rede, a Il Giornale, em 1985. Dois anos depois, em 1987, ele comprou a Starbucks dos fundadores originais, aplicou a marca às lojas da Il Giornale e iniciou uma expansão acelerada — abrindo unidades em Vancouver e Chicago ainda naquele ano. A empresa abriu capital em 1992, com 165 lojas, e cresceu até se tornar a maior rede de cafeterias do mundo, com cerca de 34 mil lojas em dezenas de países.

2006: a chegada ao Brasil
A primeira loja da Starbucks no Brasil abriu em 1º de dezembro de 2006, no Shopping Morumbi, em São Paulo. A operação nasceu como uma joint venture: a Cafés Sereia do Brasil Participações, ligada à família Rodenbeck, detinha 51% do negócio, enquanto a Starbucks Internacional ficava com os outros 49% — um modelo de desenvolvimento exclusivo para o mercado brasileiro, sem outros franqueados envolvidos. Anos depois, a gestão das operações no país passou para a SouthRock Capital, grupo que também administrava outras marcas de alimentação no Brasil, formalizando um acordo de licenciamento com a Starbucks em 2018 para impulsionar a expansão da rede no país.
2023-2024: a crise da SouthRock e a venda para a Zamp
Em 31 de outubro de 2023, a SouthRock Capital pediu recuperação judicial no mesmo dia em que começou a demitir funcionários e fechar lojas Starbucks pelo país — o grupo acumulava uma dívida estimada em R$ 1,8 bilhão, com contas em atraso de aluguel, energia e outros custos operacionais. A Justiça de São Paulo aceitou o pedido em 12 de dezembro de 2023, suspendendo a abertura de novas unidades e deixando o futuro da marca no Brasil em suspenso. A solução veio em 2024: a Zamp, empresa que já operava o Burger King e o Popeyes no Brasil, fechou acordo para assumir a operação da Starbucks, concluindo a compra por R$ 101,8 milhões em 9 de outubro de 2024. Meses depois, em setembro de 2024, a Zamp também se tornou a master franqueada do Subway no país. O plano de recuperação judicial da SouthRock só foi homologado pela Justiça em abril de 2025. Hoje, a Starbucks opera cerca de 143 lojas no Brasil, em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Curitiba — sob uma gestão nova, depois de superar a pior crise de sua história no país.

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Fontes: Wikipédia (português) — Starbucks, Mercado&Consumo, Forbes Brasil e ConJur — reportagens sobre a recuperação judicial da SouthRock (2023-2025), e Exame/EuQueroInvestir/Meio&Mensagem — reportagens sobre a aquisição da Starbucks Brasil pela Zamp (2024).
