A história do TikTok: do agregador de notícias chinês ao “apagão” nos EUA e à joint venture com a Oracle

O TikTok nasceu dentro da ByteDance, empresa chinesa criada por Zhang Yiming em 2012 para um agregador de notícias. Depois de virar o app mais baixado do mundo, quase foi banido dos Estados Unidos — chegou a "apagar" da tela de milhões de americanos em janeiro de 2025 — até fechar, em janeiro de 2026, uma joint venture com Oracle, Silver Lake e o fundo de Abu Dhabi MGX.

A história do TikTok: do agregador de notícias chinês ao "apagão" nos EUA e à joint venture com a Oracle

O TikTok não nasceu como rede social de vídeos — nasceu como um agregador de notícias chinês. A tecnologia por trás do aplicativo mais baixado do mundo começou dentro da ByteDance, empresa fundada por Zhang Yiming em 2012. Anos depois, o mesmo app que conquistou bilhões de usuários chegou a “apagar” da tela de milhões de americanos por uma lei federal — e só teve seu futuro nos EUA resolvido em 2026, com a entrada da Oracle como sócia.

2012: o algoritmo nasceu num agregador de notícias

Zhang Yiming e Liang Rubo fundaram a ByteDance em Pequim, em março de 2012. Em agosto do mesmo ano, a empresa lançou seu primeiro grande produto: o Toutiao, um agregador de notícias que usava algoritmos de big data para recomendar conteúdo personalizado a cada usuário. Esse motor de recomendação — não qualquer vídeo específico — foi o verdadeiro ativo estratégico da ByteDance, reaplicado anos depois a um formato completamente diferente: vídeos curtos.

Logotipo oficial do aplicativo TikTok
O ícone que hoje é sinônimo de vídeos curtos nasceu de um algoritmo criado para notícias.

2017-2018: TikTok vira global com a compra do Musical.ly

Em setembro de 2017, a ByteDance lançou o TikTok — versão internacional do Douyin, seu aplicativo de vídeos curtos já popular na China. Dois meses depois, em novembro de 2017, a empresa deu um passo decisivo: comprou o Musical.ly, app americano de lip-sync que já somava 60 milhões de usuários ativos mensais nos Estados Unidos, por cerca de US$ 1 bilhão. Em 2 de agosto de 2018, o Musical.ly foi oficialmente fundido ao TikTok, dando à plataforma chinesa uma base instantânea de usuários no Ocidente — o empurrão que faltava para o app se tornar um fenômeno global.

2020-2025: a ameaça de banimento e o “apagão”

Em 2020, o presidente Donald Trump tentou, por decreto executivo, forçar a venda da operação americana do TikTok ou banir o aplicativo do país — a medida foi bloqueada pela Justiça e depois revogada pelo sucessor, Joe Biden. A pressão, porém, não desapareceu: em 24 de abril de 2024, Biden assinou a lei PAFACA (Protecting Americans from Foreign Adversary Controlled Applications Act), dando à ByteDance prazo até 19 de janeiro de 2025 para vender a operação americana do TikTok ou ver o app banido nos Estados Unidos. O prazo se esgotou: na noite de 18 de janeiro de 2025, o TikTok e outros aplicativos da ByteDance saíram do ar nos EUA — um “apagão” real, sentido por dezenas de milhões de usuários. Três dias depois, parte dos serviços foi restabelecida após Trump anunciar o adiamento da aplicação da lei.

Mensagem de bloqueio exibida no TikTok durante o apagão de janeiro de 2025 nos EUA
A mensagem que milhões de usuários americanos viram na tela durante o apagão de janeiro de 2025.

2026: a joint venture que resolveu a disputa

A saga só chegou ao fim em 22 de janeiro de 2026, quando fechou a joint venture TikTok USDS Joint Venture LLC — formada pela Oracle, pela gestora Silver Lake e pelo fundo soberano de Abu Dhabi MGX como investidores administradores, cada um com 15% de participação. A operação foi aprovada pelos governos dos Estados Unidos e da China, com a ByteDance mantendo participação abaixo dos 20% exigidos pela lei americana. A nova estrutura passou a operar de forma independente nos EUA, responsável pela proteção de dados, moderação de conteúdo e segurança do algoritmo no país — encerrando, ao menos por ora, uma das disputas geopolíticas mais longas já enfrentadas por uma empresa de tecnologia.

Campus da Oracle em Austin, Texas
A Oracle, com sede em Austin, virou uma das sócias administradoras da operação americana do TikTok.

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Fontes: Wikipédia (inglês) — ByteDance, Variety — “TikTok U.S. Joint Venture Deal Set to Close in January With Investors Including Oracle, Silver Lake, Abu Dhabi’s MGX” e Wikipédia (inglês) — TikTok USDS.

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