A história do Grupo DPSP: como Pacheco e Drogaria São Paulo criaram a rival que nunca abriu capital

Duas farmácias de família nascidas em cidades diferentes, um comprador discreto e uma fusão em 2011 que driblou a bolsa de valores. Conheça a história por trás do 2º maior grupo de farmácias do Brasil.

A história do Grupo DPSP: como Pacheco e Drogaria São Paulo criaram a rival que nunca abriu capital

Enquanto a maior concorrente do setor farmacêutico brasileiro apostava tudo na bolsa de valores, duas farmácias de família fizeram o caminho oposto. A Drogarias Pacheco nasceu no Rio de Janeiro em 1892; a Drogaria São Paulo, na capital paulista, 51 anos depois. Em 2011 as duas se fundiram, criando o Grupo DPSP — hoje o 2º maior grupo farmacêutico do país, ainda controlado por família e sem nenhuma intenção declarada de abrir capital.

1892 e 1943: duas farmácias de família em cidades diferentes

A Drogarias Pacheco abriu as portas em 1892, na esquina da rua dos Andradas com a Buenos Aires, no centro do Rio de Janeiro, fundada pelo comerciante José Magalhães Pacheco. A farmácia virou tão sinônimo de confiabilidade que ganhou um ditado popular carioca: “se não tem na Pacheco, não adianta procurar”. Em 1974, tornou-se a primeira rede farmacêutica do Rio a adotar o autosserviço, em vez do balcão tradicional. Do outro lado do país, em 1943, o farmacêutico Thomaz de Carvalho abriu a Drogaria São Paulo na rua José Bonifácio. Percebendo que muitos clientes queriam comprar no varejo numa loja pensada para vendas no atacado, dividiu o espaço com um balcão próprio — modelo que a rede repetiria em outras duas unidades no mesmo ano. A Drogaria São Paulo se tornaria pioneira no atendimento farmacêutico 24 horas do Brasil e nos descontos exclusivos para aposentados.

1974: o comprador discreto que passou décadas construindo um império sem alarde

No mesmo ano em que a Pacheco adotava o autosserviço, o empresário carioca Samuel Barata comprou a rede. Discreto — ao contrário de outros nomes conhecidos do empresariado do Rio —, Barata passou quase quatro décadas expandindo a Pacheco loja a loja: em 2011, a rede já somava 343 pontos de venda no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Enquanto isso, em São Paulo, a Drogaria São Paulo também crescia sob nova liderança: o fundador Thomaz de Carvalho passou a operação ao filho Ronaldo de Carvalho em 1973, e em junho de 2010 a rede comprou a Drogão, então a 4ª maior farmácia paulista, com cerca de 70 lojas — virando líder de mercado no estado.

Fachada de uma loja da rede Drogarias Pacheco em Copacabana, Rio de Janeiro
Samuel Barata comprou a Pacheco em 1974 e passou quase 40 anos expandindo a rede antes de articular a fusão que criou o Grupo DPSP.

Agosto de 2011: a fusão que criou o Grupo DPSP — três meses antes da rival ir para a bolsa

Em agosto de 2011, Samuel Barata articulou a fusão entre a Drogarias Pacheco e a Drogaria São Paulo, formando o Grupo DPSP: 691 lojas, R$ 4,4 bilhões em faturamento combinado e, de cara, a 2ª maior rede farmacêutica do Brasil. A coincidência é reveladora: três meses depois, em novembro de 2011, os dois maiores rivais do setor — Droga Raia e Drogasil — também se fundiram, formando a Raia Drogasil (RD), já contada aqui no site. As duas fusões nasceram da mesma pressão competitiva, mas escolheram caminhos opostos: a RD usou a fusão como trampolim para a bolsa, enquanto o Grupo DPSP permaneceu fechado, com o controle dividido entre as famílias Barata (54%) e Carvalho (38%), esta última descendente do fundador da Drogaria São Paulo.

Logotipo oficial do Grupo DPSP, formado pela fusão da Drogarias Pacheco com a Drogaria São Paulo em 2011
O Grupo DPSP nasceu em agosto de 2011 — três meses antes de a rival Raia Drogasil se formar pelo mesmo tipo de fusão, mas com destino de bolsa de valores.

2024-2025: a morte do fundador, um ex-Droga Raia no comando e a recusa deliberada de abrir capital

Samuel Barata morreu em 22 de abril de 2024, aos 93 anos, com fortuna estimada em R$ 5 bilhões — a 74ª maior do Brasil, segundo a Forbes em 2023. A família Barata segue com 54% do Grupo DPSP. Ainda em 2024, a presidência passou a Marcos Colares, que começou a carreira em 2001 justamente na Droga Raia — a concorrente que, poucos anos depois, viraria a Raia Drogasil. A distância entre as duas hoje é real: a RD Saúde lidera o faturamento nacional pelo 15º ano consecutivo, com mais de 200 lojas abertas por ano. O Grupo DPSP segue em 2º lugar, com R$ 16 bilhões em faturamento e cerca de 1.700 lojas em 2025 — sem pressa de alcançar a rival pelo mercado de capitais. “Somos uma empresa conservadora. Preferimos a constância ao crescimento acelerado”, disse Colares em julho de 2025. Sem private equity e sem IPO em discussão no conselho, a meta é dobrar o número de lojas na próxima década — no ritmo de uma empresa que, 133 anos depois de nascer numa esquina do centro do Rio, ainda pertence às mesmas duas famílias.

Logotipo oficial da Drogaria São Paulo, uma das duas marcas do Grupo DPSP
A Drogaria São Paulo, fundada em 1943 pelo farmacêutico Thomaz de Carvalho, segue como uma das duas marcas do grupo — hoje ainda sob controle da família do fundador.

Leia também: A história da Raia Drogasil: duas farmácias de família que viraram a maior rede do Brasil, A história do Carrefour: da encruzilhada francesa ao hipermercado que fechou o capital no Brasil, A história da Riachuelo: da loja de tecidos em Natal ao grupo que deu seu nome à própria holding e A história da Hering: de tecelagem de imigrantes alemães em Blumenau ao fim de 140 anos de controle familiar.

Fontes: Wikipédia (português e inglês) — Drogaria São Paulo e Grupo DPSP; Abrafarma — 130 anos da Drogarias Pacheco, troca de comando e estratégia de expansão do Grupo DPSP; Forbes Brasil — biografia de Samuel Barata; Giro News — sucessão de Marcos Colares na presidência; Brazil Journal e Mercado&Consumo — plano de expansão e ranking das maiores farmácias do Brasil.

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