Quem fundou as Casas Pernambucanas? A história dos Lundgren e quem é o dono hoje

A Pernambucanas foi fundada em 1908 pela família do sueco Herman Lundgren e continua com os herdeiros. Veja quem foi Arthur Lundgren, por que a loja se chama Pernambucanas e quem comanda a rede em 2026.

A história das Casas Pernambucanas: do imigrante sueco à briga de meio século entre herdeiros

Atualizado em: 9 de outubro de 2026

As Casas Pernambucanas foram fundadas em 1908 pela família do imigrante sueco Herman Theodor Lundgren, e continuam nas mãos dos herdeiros dele até hoje. Herman fez fortuna em Pernambuco com pólvora e tecidos, mas morreu em 1907, e foram os filhos, entre eles Frederico e Arthur Lundgren, que abriram as primeiras lojas. A rede chegou a ser a maior do país, quase se desfez numa briga entre herdeiros que durou meio século e hoje tenta sair de uma crise financeira sob um novo comando.

Quem é o dono da Pernambucanas hoje

A Pernambucanas é controlada pelos descendentes da família Lundgren, por meio da holding Arthur Lundgren Tecidos, empresa de capital fechado. O controle está dividido entre seis blocos familiares e 35 acionistas pessoa física. Em julho de 2024, um acordo encerrou décadas de disputa entre eles: cada bloco passou a ter o mesmo peso nas votações, independentemente do tamanho da sua participação.

A gestão está com executivos de mercado. Em 29 de julho de 2026, a empresa anunciou Marcelo Pimentel como novo CEO, com passagens por Walmart, Grupo DPSP, Marisa e GPA, e Ernane Abrahão como diretor financeiro. Pimentel substituiu Ricardo Doebeli, ex-consultor da McKinsey que conduzia a reestruturação desde 2024. O conselho de administração passou a ser presidido por Carlos Henrique Bandeira de Mello Júnior, o Caique Mello.

Quem fundou: Herman Lundgren, o sueco da pólvora e do tecido

Herman Theodor Lundgren chegou ao Brasil em 1855, aos 20 anos, vindo da Suécia e sem falar português. Desembarcou no Rio de Janeiro, mas seguiu para o Recife, onde trabalhou no porto como intérprete de comerciantes estrangeiros e entrou no comércio exterior. Em 1866, fundou a Pernambuco Powder Factory, fábrica de pólvora que lhe deu a primeira fortuna.

Em 1904, já com quase 70 anos, comprou a Companhia de Tecidos Paulista, em Paulista, então distrito de Olinda (PE), e transformou a cidade num polo têxtil. Herman morreu em 1907. A empresa o considera o fundador póstumo da rede.

1908: as “Lojas Paulista” que viraram Pernambucanas

A loja nasceu para vender ao consumidor os tecidos da fábrica da família. Em 1908, os filhos de Herman, Frederico e Arthur, abriram a primeira loja própria no Recife. A data mais citada é 25 de setembro de 1908. Curiosamente, em Pernambuco a rede começou com o nome de Lojas Paulista, por causa da cidade da fábrica.

O nome que ficou famoso veio de São Paulo. A firma Arthur Herman Lundgren & Cia. foi registrada na capital paulista em 1908, e lá a rede adotou o nome Pernambucanas, para deixar claro o vínculo com o estado de origem da família. Em 1910, abriu a loja da Praça da Sé, que a área de memória da empresa considera a primeira de todo o grupo.

Fachada histórica das Casas Pernambucanas no Largo da Sé, em São Paulo, em 1915, com pedestres e automóveis de época em frente à loja
A loja da Praça da Sé, em São Paulo, fotografada em 1915: a faixa na fachada já anunciava “filiais em todo o Brasil”. Autor desconhecido, via Wikimedia Commons (domínio público).

Quem foi Arthur Lundgren

Arthur Herman Lundgren foi um dos filhos de Herman e um dos responsáveis pela abertura das lojas. O nome dele está na firma registrada em São Paulo em 1908 e na holding que controla a Pernambucanas até hoje, a Arthur Lundgren Tecidos. Foi justamente esse braço paulista da família que sobreviveu à divisão do grupo, décadas depois.

Uma descendente de Arthur, Anita Harley, presidiu a empresa por muitos anos. Em 2008, ano do centenário, o Correio Braziliense a descreveu como neta do fundador e informou que ela revezava o comando da Arthur Lundgren Tecidos com Frederico Axel Lundgren.

Retrato em preto e branco do comendador Arthur Herman Lundgren, um dos filhos do fundador das Casas Pernambucanas, por volta de 1940
Arthur Herman Lundgren, um dos filhos do fundador, retratado por volta de 1940. Via Wikimedia Commons (domínio público).

O crediário e a maior rede de lojas do país

O motor do crescimento foi o crédito. A Pernambucanas esteve entre as primeiras redes do país a vender com carnê de crediário, e a empresa se descreve como pioneira na democratização do crédito ao consumidor. A marca também ficou famosa pela propaganda: em 1962, um filme publicitário consagrou o bordão “Quem bate? É o frio!”.

Em 1970, a Pernambucanas era a maior rede de lojas do Brasil. O número máximo de lojas varia conforme a fonte: a Wikipédia fala em mais de 700 na década de 1970, e o Correio Braziliense, em 800.

A briga entre herdeiros que tirou a marca de Pernambuco

Entre as décadas de 1970 e 1990, uma disputa entre ramos da família Lundgren dividiu o grupo. As lojas desapareceram do Nordeste, inclusive de Pernambuco, e as operações do Rio de Janeiro faliram. Só a operação paulista, a Arthur Lundgren Tecidos, sobreviveu e cresceu. A marca só voltou ao Recife em dezembro de 2021, com duas lojas e investimento de R$ 8,5 milhões.

A briga societária só terminou oficialmente em julho de 2024, com o acordo que igualou o voto dos seis blocos familiares, depois do que a imprensa especializada chamou de “briga de meio século”.

A crise financeira e o plano para voltar ao lucro

Resolver a governança não resolveu o caixa. Em 2025, a Pernambucanas faturou R$ 4,98 bilhões, alta de 3,1%, mas teve o terceiro prejuízo anual seguido, de R$ 464,9 milhões. A auditoria PwC apontou “incerteza relevante” sobre a continuidade das operações, citando capital circulante líquido negativo de R$ 698 milhões.

No primeiro trimestre de 2026, a receita líquida foi de R$ 1,07 bilhão, alta de 5%, mas o prejuízo subiu para R$ 242,7 milhões. A rede tem 471 lojas em 15 estados e no Distrito Federal. Segundo a SpaceMoney, a meta da nova gestão é voltar ao lucro até 2028, quando a Pernambucanas completa 120 anos.

Logotipo oficial das Casas Pernambucanas, em azul e amarelo
Logotipo da Pernambucanas: 118 anos depois, a rede continua com a família Lundgren. Via Wikimedia Commons (domínio público).

Resumo: quem fundou e quem é o dono da Pernambucanas

A Pernambucanas foi fundada em 1908 pelos filhos do sueco Herman Theodor Lundgren, que chegou ao Brasil em 1855 e fez fortuna em Pernambuco com pólvora e tecidos. As lojas começaram no Recife como Lojas Paulista e ganharam o nome Pernambucanas em São Paulo. A empresa segue com os descendentes da família, divididos em seis blocos, e é comandada desde julho de 2026 pelo executivo Marcelo Pimentel.

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Perguntas frequentes sobre a Pernambucanas

Quem fundou as Casas Pernambucanas?

A Pernambucanas foi fundada em 1908 pelos filhos do imigrante sueco Herman Theodor Lundgren, entre eles Frederico e Arthur Lundgren. Herman, que tinha comprado uma fábrica de tecidos em Paulista (PE), morreu em 1907, antes da abertura das lojas, e é considerado pela empresa o fundador póstumo.

Quem é o dono da Pernambucanas hoje?

A Pernambucanas continua com os descendentes da família Lundgren. A empresa tem capital fechado, e o controle está dividido entre seis blocos familiares, que desde um acordo de julho de 2024 têm o mesmo peso nas votações. A gestão é profissional: o CEO desde julho de 2026 é Marcelo Pimentel.

Quem foi Arthur Lundgren?

Arthur Herman Lundgren foi um dos filhos do fundador Herman Lundgren e um dos responsáveis por abrir as primeiras lojas em 1908. A firma Arthur Herman Lundgren & Cia. foi registrada em São Paulo naquele ano, e a holding que controla a Pernambucanas até hoje se chama Arthur Lundgren Tecidos.

Por que a loja se chama Pernambucanas?

Por causa da origem da família em Pernambuco, onde os Lundgren tinham uma fábrica de tecidos. Curiosamente, as primeiras lojas no Recife se chamavam Lojas Paulista, por causa da cidade de Paulista (PE). O nome Pernambucanas foi adotado quando a rede se estabeleceu em São Paulo, para manter o vínculo com o estado.

Quem é o CEO da Pernambucanas?

Marcelo Pimentel, executivo com passagens por Walmart, Grupo DPSP, Marisa e GPA, anunciado em julho de 2026. Ele substituiu Ricardo Doebeli, que comandou a reestruturação da rede desde 2024. O diretor financeiro é Ernane Abrahão.

Fontes: Times Brasil — aos 117 anos, a Pernambucanas (10/08/2025), Gazeta Mercantil — a história dos Lundgren, Correio Braziliense — Pernambucanas faz 100 anos (26/11/2008), Wikipédia — Pernambucanas, Brazil Journal — “Acionistas da Pernambucanas fecham acordo e encerram briga de meio século” (2024), GBLJeans — Pernambucanas troca comando (30/07/2026), SpaceMoney — nova cúpula visa lucro até 2028 e Televendas & Cobrança — alerta de continuidade da PwC.

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