A história da Nike: do porta-malas de Phil Knight ao Swoosh de US$ 35 e à crise bilionária de hoje

A Nike nasceu revendendo tênis japoneses da Onitsuka Tiger no porta-malas de um carro. Um processo judicial contra o próprio fornecedor e um logo pago por só US$ 35 criaram a marca — hoje patrocinadora bilionária da CBF, mas em meio à pior crise de valor de mercado de sua história.

A história da Nike: do porta-malas de Phil Knight ao Swoosh de US$ 35 e à crise bilionária de hoje

A Nike não nasceu fabricando tênis — nasceu revendendo, do porta-malas de um carro, um modelo japonês que a empresa nem sequer havia criado. Um processo judicial contra o próprio fornecedor e um logotipo pago por míseros US$ 35 deram origem à marca. Hoje, patrocinadora bilionária da Seleção Brasileira, a Nike vive a pior crise de mercado de sua história recente.

1964: a Blue Ribbon Sports e os tênis japoneses vendidos do porta-malas

A empresa nasceu em 25 de janeiro de 1964, em Eugene (Oregon), como Blue Ribbon Sports (BRS), fundada pelo corredor Phil Knight e seu técnico Bill Bowerman. No início nem fabricava calçados: distribuía nos EUA os tênis da japonesa Onitsuka Tiger, vendidos por Knight do porta-malas do carro em pistas de atletismo. A primeira loja só abriu em 1966. O modelo mais vendido era o Cortez — futura peça central de uma disputa judicial. Bowerman, sempre testando solados para seus atletas, despejou em 1971 borracha na máquina de waffles da esposa e criou uma sola inédita, semente do “Moon Shoe” (1972) e do solado waffle que viraria marca registrada.

Tênis Nike Cortez com o logotipo Swoosh em vermelho
O Cortez, hoje um clássico da Nike, nasceu como parceria com a japonesa Onitsuka Tiger — e virou o centro de uma disputa judicial em 1973.

1971-1973: a traição da Onitsuka, o processo na Justiça e o nascimento do Swoosh por US$ 35

Mesmo com o contrato de exclusividade recém-renovado, um executivo da Onitsuka negociava, pelas costas de Knight, com outros distribuidores americanos. A BRS não esperou o fim do contrato: já no fim de 1971 vendia calçados sob marca própria, em paralelo à revenda japonesa. Descoberta a manobra, a parceria se rompeu em 1973. A BRS processou a Onitsuka por quebra de contrato e um juiz decidiu majoritariamente a seu favor em 1974: as duas poderiam vender modelos parecidos nos EUA, mas só a BRS manteria nomes registrados como “Cortez”; a Onitsuka ainda pagou um acordo extrajudicial. O novo nome já tinha sido escolhido: Jeff Johnson, primeiro funcionário da empresa, sugeriu “Nike”, deusa grega da vitória, na véspera do prazo de registro. Para a identidade visual, Knight pagou só US$ 2 por hora — total de US$ 35 — à estudante Carolyn Davidson, autora do símbolo usado pela primeira vez em 18 de junho de 1971, o “Swoosh”. Só em 1983 Knight reconheceu Davidson com um anel de diamante e ações da empresa, hoje avaliadas em mais de US$ 600 mil.

Logotipo Swoosh da Nike em preto sobre fundo branco
O símbolo mais reconhecido do esporte mundial custou US$ 35 — e só rendeu reconhecimento maior à sua criadora 12 anos depois.

1984-1988: Michael Jordan, o “Just Do It” e a sombra das fábricas na Ásia

A Nike abriu capital em 1980, já com metade do mercado americano de tênis esportivos, mas em meados da década perdeu a liderança para a Reebok, turbinada pelo boom da ginástica aeróbica. A virada veio em 1984, com um contrato inédito para o novato Michael Jordan, criando a linha Air Jordan (1985) — banida temporariamente pela NBA por causa das cores, o que só aumentou o desejo do público. Em 1988, a agência Wieden+Kennedy criou o slogan “Just Do It”, e a receita saltou de menos de US$ 1 bilhão para mais de US$ 9 bilhões em uma década. Mas essa expansão dependia de fábricas terceirizadas na Ásia — e nos anos 1990 e 2000 a marca virou quase sinônimo de “sweatshop” na imprensa, depois que denúncias documentaram condições abusivas de trabalho no Vietnã, na Indonésia e no Camboja. A pressão forçou a Nike a criar um dos primeiros grandes programas de monitoramento de fornecedores do setor.

Brasil e hoje: contrato bilionário com a CBF até 2038, em meio à pior crise de mercado da história

A relação com o futebol brasileiro começou em 1996, quando a Nike tomou o lugar da Umbro como fornecedora da CBF, em contrato de dez anos por cerca de US$ 220 milhões. Com o Swoosh no peito, a Seleção conquistou a Copa do Mundo de 2002 e vários títulos de Copa América. Em 2024, a parceria foi renovada até 2038 — o maior contrato da história do futebol brasileiro, segundo a CBF, e o primeiro com royalties sobre a venda das camisas. O marco veio no meio da crise de negócio mais séria da história recente da Nike: as ações caíram cerca de 34% em um ano, apagando mais de US$ 60 bilhões em valor de mercado, pressionadas pela Adidas e por marcas como On e Hoka, além de novas tarifas dos EUA sobre a fabricação no Vietnã e em outros polos asiáticos. Desde outubro de 2024, o CEO Elliott Hill comanda um plano de recuperação chamado “Win Now” — a mesma aposta em lojistas e atletas de ponta que, décadas antes, salvou a Nike da primeira grande crise de sua história.

Sede mundial da Nike em Beaverton, Oregon, vista do outro lado de um lago
A sede da Nike em Beaverton (Oregon) é hoje o centro do plano “Win Now”, criado para reverter a pior crise de valor de mercado da história recente da empresa.

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Fontes: Wikipédia (português e inglês) — Nike, Inc.; The Olympians e Sneaker Freaker — a ruptura entre Blue Ribbon Sports e Onitsuka Tiger e o processo judicial de 1973; Wikipedia (Carolyn Davidson) e reportagens sobre o design do Swoosh; Exame, Bloomberg Línea e Investing.com — crise de mercado da Nike em 2024-2025; Gazeta Esportiva, Meio & Mensagem e InfoMoney — contrato entre Nike e CBF (1996 e renovação até 2038).

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