Seara é da JBS? Quem é o dono da Seara e por quantas mãos a marca passou

Sim, a Seara é da JBS desde 2013, controlada pela família Batista. Antes, passou por Ceval, Bunge, Cargill e Marfrig. Veja a história da marca nascida em 1956 no oeste de Santa Catarina.

Seara é da JBS? Quem é o dono da Seara e por quantas mãos a marca passou

Sim, a Seara é da JBS. A dona da Friboi comprou a marca da Marfrig em 2013, e desde então a Seara virou a divisão de frango, suínos e alimentos industrializados do grupo no Brasil. A JBS é controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista. Antes de chegar a eles, a marca nascida em 1956 no oeste de Santa Catarina passou pelas mãos de quatro outros grupos: Ceval, Bunge, Cargill e Marfrig.

Veja abaixo quem manda na Seara hoje e como uma empresa de uma pequena cidade catarinense trocou de dono cinco vezes em pouco mais de 30 anos.

Quem é o dono da Seara

A Seara pertence à JBS, maior processadora de proteína animal do mundo, fundada em 1953 por José Batista Sobrinho, o Zé Mineiro, com um açougue em Anápolis (GO). Desde junho de 2025, a holding do grupo é a JBS N.V., sediada na Holanda e com ações na bolsa de Nova York.

O controle segue com a família Batista. Segundo o relatório anual entregue pela JBS à SEC, a autoridade do mercado americano, em março de 2026, os irmãos Joesley e Wesley Batista têm, por meio da holding J&F, 50,2% das ações e 85,68% dos votos da empresa, graças a uma classe de ações que vale dez votos cada.

No dia a dia, a Seara é comandada por João Campos, ex-presidente da PepsiCo Foods no Brasil, que se reporta ao CEO global da JBS. Em março de 2026, Campos disse ao AgFeed que a Seara faturava menos de R$ 10 bilhões quando entrou na JBS, em 2013, e hoje está perto de R$ 50 bilhões.

A família também está voltando ao comando executivo do grupo. Em 10 de agosto de 2026, a JBS anunciou que Wesley Batista Filho, neto do fundador e ex-presidente da própria Seara, vai substituir Gilberto Tomazoni como CEO global em janeiro de 2027. Tomazoni passa a vice-presidente do conselho.

Logotipo da JBS, em azul, com as letras JBS entre dois arcos
Logotipo da JBS, dona da Seara desde 2013. Via Wikimedia Commons (domínio público).

A Seara é brasileira?

Sim. A Seara nasceu numa cidade de Santa Catarina, produz no Brasil e, entre todos os donos que teve, só dois eram estrangeiros: a Bunge e a americana Cargill. Hoje, a dona é a JBS, empresa fundada em Goiás e controlada por uma família brasileira. A única ressalva é que, desde 2025, a holding da JBS fica na Holanda e tem as ações principais negociadas em Nova York.

A confusão mais comum é com a Sadia. A Seara não tem relação com a BRF, dona da Sadia e da Perdigão, que em 2025 se fundiu com a Marfrig e formou a MBRF. Há uma ironia aí: foi justamente a Marfrig que vendeu a Seara para a JBS em 2013.

1956: a Seara nasce no oeste catarinense

A empresa foi fundada em 18 de novembro de 1956, na cidade de Seara, no oeste de Santa Catarina. O nome da marca é o da própria cidade, e a empresa original se chamava Seara Industrial.

A Seara cresceu cedo no mercado externo. Segundo o histórico da empresa, a primeira exportação foi em 1975, com 240 toneladas de frango para o Kuwait, e em 1982 ela foi a primeira empresa brasileira de carnes a exportar cortes de frango para a Europa.

Os cinco donos da Seara depois dos fundadores

Anos 1980
Ceval, processadora de soja criada pelo grupo Hering, compra a Seara.

1997
Bunge compra a Ceval e, com ela, a Seara.

2004
Cargill fecha a compra do controle por US$ 130 milhões.

2009
Marfrig compra a Seara da Cargill por US$ 900 milhões, com dívidas.

2013
JBS fica com a Seara num negócio de R$ 5,85 bilhões.

Ceval, Bunge e Cargill: a Seara nas mãos das gigantes da soja

No início dos anos 1980, a Seara foi comprada pela Ceval, grande processadora de soja criada em 1972 pela Cia. Hering, o grupo têxtil de Blumenau dono da marca de camisetas Hering. A Ceval manteve a marca Seara e, em 1989, incorporou a Seara Industrial.

Em 1997, a Hering vendeu o controle da Ceval para a Bunge, multinacional de grãos. No ano seguinte, a Seara Alimentos virou uma empresa separada, controlada por uma companhia ligada à Bunge. A Bunge ficou com ela até 2004, quando a americana Cargill fechou a compra de 62% do capital por US$ 130 milhões, com a promessa de fazer uma oferta pelas ações restantes.

2009 e 2013: da Marfrig à JBS

Em setembro de 2009, a Marfrig, então em plena expansão, comprou o negócio de aves, suínos e alimentos processados da Cargill no Brasil, incluindo a marca Seara, por US$ 900 milhões, dos quais US$ 193,8 milhões em dívidas assumidas. A Seara passou a fazer parte do grupo em janeiro de 2010.

A aventura durou pouco. Endividada depois de uma série de aquisições, a Marfrig assinou em 7 de junho de 2013 a venda da Seara Brasil e da Zenda, empresa de couro no Uruguai, para a JBS. O valor das duas operações foi de R$ 5,85 bilhões, pago com a assunção de dívidas da Marfrig. A compra foi concluída em duas etapas, em junho e setembro de 2013, depois da aprovação das autoridades antitruste no Brasil e na Europa.

Com a Seara, a JBS, até então conhecida no Brasil pela carne bovina da Friboi, entrou de vez no mercado de frango, suínos e alimentos prontos, e passou a disputar a geladeira do consumidor com Sadia e Perdigão.

Foto em preto e branco de 1973 com José Batista Sobrinho, o Zé Mineiro, fundador da JBS, numa entrega de prêmio
José Batista Sobrinho, o Zé Mineiro, fundador da JBS e pai de Joesley e Wesley Batista, numa entrega de prêmio em 1973. Foto: Leopoldo Costa, via Wikimedia Commons (domínio público).

Resumo: de quem é a Seara

A Seara é da JBS desde 2013 e, por meio dela, da família Batista, que tem 85,68% dos votos do grupo. A marca nasceu em 1956 na cidade de Seara (SC) e, antes da JBS, pertenceu à Ceval, do grupo Hering, à Bunge, à Cargill e à Marfrig. Hoje, sob o comando de João Campos, fatura perto de R$ 50 bilhões por ano, e em 2027 a JBS passa a ser comandada por Wesley Batista Filho, ex-presidente da Seara.

Para entender a dona, leia a história da JBS. Para a principal concorrente, veja a história da BRF, de Sadia e Perdigão.

Perguntas frequentes sobre a Seara

A Seara é da JBS?

Sim. A JBS comprou a Seara da Marfrig em 2013, num negócio de R$ 5,85 bilhões pago com a assunção de dívidas da Marfrig. Desde então, a Seara é a divisão de frango, suínos e alimentos industrializados da JBS no Brasil.

Quem é o dono da Seara?

A Seara pertence à JBS, que é controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, por meio da holding J&F. Segundo o relatório anual da JBS de 2026, eles têm 85,68% dos votos da empresa. O presidente da Seara é João Campos.

A Seara é brasileira?

Sim. A Seara nasceu em 1956 na cidade de Seara, no oeste de Santa Catarina, e opera no Brasil. A dona, a JBS, também foi fundada no Brasil e é controlada por uma família brasileira, embora desde 2025 a holding do grupo seja holandesa e tenha ações na bolsa de Nova York.

A Seara é da Sadia ou da BRF?

Não. Sadia e Perdigão são da BRF, que se fundiu com a Marfrig em 2025 e formou a MBRF. A Seara é da concorrente JBS. Curiosamente, foi a própria Marfrig que vendeu a Seara para a JBS em 2013.

Quem foram os donos da Seara?

Depois dos fundadores catarinenses, a Seara passou para a Ceval, do grupo Hering, no início dos anos 1980; para a Bunge, que comprou a Ceval em 1997; para a Cargill, em 2004; para a Marfrig, em 2009; e para a JBS, em 2013.

Fontes: JBS N.V. — relatório anual 20-F (SEC, 2026), Jones Day — Marfrig vende Seara Brasil e Zenda à JBS (2013), Exame — JBS comprará Seara por R$ 5,8 bi (2013), The Poultry Site — Marfrig compra a Seara da Cargill (09/2009), Prepared Foods — Cargill compra a Seara (09/2004), IFC — Ceval Alimentos (1995), Farmers Weekly — Bunge assume a Ceval (1997), Portal São Francisco — história da Seara, AgFeed — entrevista com João Campos (03/2026) e Wikipédia — Seara Foods.

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